27/07/2020 às 11h07min - Atualizada em 27/07/2020 às 11h07min

Com aumento nas exportações, tilápia é alternativa promissora para pequenos produtores

Especialista fala sobre as vantagens da produção do peixe e sobre cuidados para a criação de qualquer espécie da piscicultura

Redação com assessoria
Emater GO / Engepesca

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A tilápia brasileira tem conquistado a cada ano o cardápio estrangeiro, liderando a lista de espécies da piscicultura exportadas no país. O técnico da Emater GO e mestre em Piscicultura, Francisco Cabral, aponta que esse é um cenário promissor para os criadores de peixe e também uma oportunidade para quem quer investir no ramo, além de ser uma alternativa viável, inclusive, para produtores de pequeno porte.

“O mercado é garantido. No caso de Goiás, o peixe vai para Brasília e estados como Minas Gerais, São Paulo e Santa Catarina. Esses dois últimos, então, se encarregam de exportar todos esses peixes”, explicou.

Cabral salientou ainda que a demanda pelo produto brasileiro também é grande na europa e em países da América Central e Sul, estendendo-se para outras espécies, tais quais tambaqui, tambacu, pacu-caranha e piaçu, citando apenas algumas. De acordo com o especialista, a tilápia tem ficado mais resistente a patologias, pragas, fungos e baixas temperaturas, ao contrário da maioria dos peixes redondos de origem amazônica, o que a torna atrativa para os piscicultores. 

Conforme o anuário mais recente da Associação Brasileira da Piscicultura (PeixeBR), a tilápia responde por 81,35% do volume de espécies exportadas da atividade no Brasil. Em 2019, foram mais de 5 mil toneladas destinadas para o mercado exterior, o que representa um aumento de 19% em relação ao ano anterior. A piscicultura é o segundo mais importante segmento das exportações de pescado do país, tendo movimentado cerca de US$ 12 milhões, em 2019. O pescado, em sua totalidade, exportou US$ 275 milhões no ano passado.

Nos últimos meses, tem chamado a atenção o crescimento do mercado norte-americano. Somente entre janeiro e abril de 2020, a venda de filé fresco da tilápia brasileira para os Estados Unidos cresceu 94%, segundo dados da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil). No país estadunidense, somente 5% da espécie consumida são produzidos nacionalmente, o restante é proveniente de importações, cuja movimentação econômica ultrapassou os US$ 730 milhões em 2018.

Para investir no ramo da piscicultura é necessário, primeiramente, uma área adequada para exercer a atividade. “A propriedade precisa ter água para que os tanques possam ser enchidos. Algumas propriedades têm minas, em outras é possível escavar o viveiro e a partir daí a água começa a minar. Esse tipo de tanque, no entanto, é um pouco problemático pois é preciso sempre realizar monitoramento da água, medindo o pH, alcalinidade, dureza, nível de oxigênio, amônia e outros para que os peixes não morram em função de algum desequilíbrio”, atentou o técnico da Emater.

O mestre em piscicultura ressalta que, apesar dos cuidados, com a assistência técnica de um profissional, o processo inicial para a produção de peixes pode ser acessível. Existem, por exemplo, aeradores, aparelhos que fazem a incorporação de oxigênio para a água, a preços módicos. Além disso, ele salienta sobre a importância da manutenção do viveiro: “se você tiver uma água de qualidade, não terá doenças, parasitas ou fungos, de forma nenhuma. Com um tanque bem cuidado, você tem muitos anos de trabalho com ele”.


Tanques para piscicultura 

A TILÁPIA

No Brasil, a tilápia vem sendo cultivada a mais de quatro décadas.

A espécie de peixe que apresenta o melhor perfil para cultivo em todo mundo é a nilótica, de origem africana. Os primeiros exemplares que iniciaram o cultivo no Oeste do Paraná em 1982 vieram da Costa do Marfim, de uma linhagem chamada Buaque.

Entre os estados que detêm a maior produção de tilápia está o estado do Ceará com produção de 18.000 toneladas em 2004, seguido do Paraná (11.922) , São Paulo (9.758)  e Bahia (7.137).

A PRODUÇÃO PARA PISCICULTURA

A alimentação é o que mais pesa no custo de produção. Representa de 68 a 79% do custo total de produção, situando-se em torno de 1,3 (kg de ração/kg de peixe produzido). Conforme números indicados pela Emater em propriedades por eles acompanhadas.

A criação de peixes em tanques-rede é uma alternativa tecnológica de piscicultura intensiva destinada ao aproveitamento racional dos recursos dos lagos, represas, canais, rios e açudes. São estruturas construídas com telas ou redes, fechadas em todos os lados, semelhante a um tanque que fica flutuando na superfície dos mananciais.


Sistema Tanques Redes em lagos e represas
 

O sistema tem crescido nos países como China, Indonésia e Brasil. Ainda tende a torna-se o mais importante em criação de peixes, devido às vantagens que apresenta sobre os sistemas convencionais.

A água de cultivo necessita receber corretivos (adubação, química/orgânica e calcário) para que atinja os parâmetros ideais para o desenvolvimento da tilápia. A adubação efetiva que mais contribui com a performance do viveiro, é aquela feita no solo e que visa corrigir principalmente o pH. A análise do solo é o referencial para este procedimento. A adubação química e orgânica tem por objetivo suprir de nutrientes o desenvolvimento dos organismos.

O viveiro é um sistema biológico e por esta razão está diretamente ligado às variações da temperatura. É a temperatura que determina a intensidade do metabolismo dos organismos vivos no viveiro. A tilápia desenvolve-se bem na temperatura de água entre 26 a 28ºC.

PARASITAS

Diversos parasitos externos e internos causam problemas no cultivo de tilápias. Estes parasitos normalmente estão presentes na água, e se aproveitam de alguma situação de estresse causada pelo abaixamento da temperatura, má qualidade da água, má nutrição ou manuseio inadequado, que reduzem a resistência das tilápias.

O acúmulo de material orgânico nos viveiros e tanques durante o cultivo pode favorecer o aumento na população de alguns parasitos, gerando desequilíbrios na relação peixe-parasito-ambiente.

As lesões causadas por estes parasitos geralmente não são tão severas, a não ser que um grande número de parasitos esteja presente e que a infestação ocorra em órgãos vitais. Alguns parasitos, no entanto, se alimentam do sangue dos peixes e podem causar lesões bem severas, mesmo quando presentes em pequenos números. Por isso, o processo de cuidado com o tanque de criação e a escolha desse material se tornam essenciais .

Existem vários fatores que predispõem os peixes a infecções por bactéria. Dentre os principais podemos destacar: a) má nutrição;
b) inadequada qualidade da água (baixo oxigênio dissolvido e elevados níveis de amônia tóxica e nitrito);
c) excessivo acúmulo de resíduos orgânicos nos tanques e viveiros, o que serve de reservatório e substrato para a multiplicação de bactérias e outros organismos patogênicos;
d) o abaixamento da temperatura, fator de particular importância no cultivo de tilápias em regiões com inverno bem definido;
e) o manuseio grosseiro durante as despescas e as transferências de peixes entre as unidades de cultivo;
f) estresse durante o transporte vivo;
g) infestações por outros parasitos.

Para aqueles que se interessaram e desejam conhecer mais da atividade, a Emater PR disponibilizou a seguinte publicação "Modelo de produção de tillápia" acesse gratuitamente pelo link:

http://www.emater.pr.gov.br/arquivos/File/Biblioteca_Virtual/Premio_Extensao_Rural/1_Premio_ER/ModeloEmaterProd_Tilapia.pdf 

 


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