29/01/2021 às 10h24min - Atualizada em 31/03/2021 às 10h24min

Sistema de fertirrigação transformou a Fazenda Dourados, em Goiás, em destaque na produção de leite

Produção diária teve um aumento de mais de 150% sobre o volume de leite produzido antes da instalação do projeto da Emater GO

Redação com assessoria
Emater GO

A propriedade se tornou referência em desempenho, recebendo a visita de produtores de vários estados, como Minas Gerais, Bahia e Mato Grosso, que têm interesse em saber mais sobre essa tecnologia.

Com 250 cabeças, das quais 70 vacas em lactação, a Fazenda Dourados abrange uma área de 26 hectares, dividida em piquetes, com 2.500m² cada um, e, em média, a lotação animal está em 12 cabeças/ha/ano. Atualmente, a produção diária chega a uma média de 1.650 litros de leite, aumento de mais de 150% sobre o volume de leite produzido registrado antes da instalação do projeto. 

“Iniciamos esse trabalho com o produtor, em 2016, já utilizando a fertirrigação, jogando uma mistura de alguns hormônios vegetais (auxinas, citocininas e giberelinas), mais vitaminas, aminoácidos e boro em uma área com apenas 1 hectare de pastagem durante um longo período”, afirmou para a reportagem o zootecnista da Emater e responsável pela empreitada, Fernando Coelho.


Fernando Coelho, zootecnista da Emater-GO

A técnica de irrigação possibilita um aumento na capacidade de suporte das pastagens, permitindo maior lotação, ou unidades animais (UA) por hectare. Consequentemente, com esse aumento da lotação, o produtor pode obter crescimento de produção em arrobas ou litros de leite por hectare. Segundo Coelho, existem ainda as vantagens econômicas desse sistema, enquanto um produtor investe, geralmente, em adubação com NPK (ou seja, com nitrogênio, fósforo e potássio), algo por volta de R$ 700/ha/ano, na fazenda de Abadia de Goiás aplica-se essa mistura de hormônios, mais micronutrientes na pastagem, com o custo de cerca de R$ 165/ha/ano.

A propriedade utiliza o pastejo rotacionado, que é um sistema em que a área da pastagem é dividida em piquetes, que são submetidos a intervalos alternados de pastejo e descanso, trazendo melhor aproveitamento da forragem produzida e maior longevidade de capins. Aliada à fertirrigação, a técnica garante alimento constante e de qualidade para o gado, acarretando em maior produtividade com custos reduzidos.

O zootecnista abordou detalhes sobre o processo de aplicação de aminoácidos via irrigação. Esse método permite que a quantidade adequada de nutrientes seja administrada no pasto, deixando-o mais proteico para os animais. Segundo o profissional, a área que recebeu os compostos apresentou 19,5% de proteína contra os 14,2% registrados na área que não recebeu o tratamento.

O proprietário da Fazenda Dourados, Wilton Luiz Freitas, esplica que o trabalho ali executado e ressaltou a importância de se atentar ao comportamento do gado e da pastagem. “Quando chove muito, por exemplo, a grama retrai e perde um pouco de produtividade. Então não é algo redondo, é preciso jogo de cintura para acertar esses momentos”, afirmou. 


Wilton Luiz, proprietário da Fazenda Dourados

O zootecnista Fernando Coelho, desenvolve a pesquisa com bioestimulante há mais de uma década. Pioneiro, seu estudo busca investigar como a utilização de hormônios pode impactar na qualidade da pastagem, reestruturando o solo com um baixo custo de produção. Em 2010, ele procurou Wilton para realizar testes na fazenda e iniciar a empreitada.

Segundo Coelho, ainda não é possível listar os efeitos específicos, mas pode-se dizer que a fertirrigação tem trazido consequências positivas. “Se está acontecendo aqui, a próxima etapa é descobrir a causa. Penso que essa será a salvação da pecuária no Brasil em questão de nutrição”, finalizou.



 




 


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