27/07/2020 às 09h16min - Atualizada em 27/07/2020 às 09h16min

Operação na Argentina elimina cerca de 85% da nuvem de gafanhotos

Com isso a nuvem não deve mais se formar, mas novas aplicações foram programadas para esta segunda, em pequenos focos remanescentes

Redação com assessoria
Senasa / Sindag
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Um relatório divulgado na tarde de domingo, 26/07, (e atualizado à noite), pelo Serviço Nacional de Sanidade e Qualidade Agroalimentar da Argentina (Senasa), confirmou que 80% da nuvem de gafanhotos que estava em Federación, província de Entre Rios (na fronteira com o Uruguai), foi eliminada pelas pulverizações terrestres e aéreas  ocorridas na quinta-feira e nesse sábado (25). Conforme falou ao Sindag o chefe do Programa Nacional de Gafanhotos e Ticuras da Argentina, Hector Emílio Medina, com isso a nuvem, foi definitivamente rompida. Tudo ocorreu a cerca de 100 quilômetros da cidade gaúcha de Barra do Quaraí.

“Alguns gafanhotos sempre permanecem, mas vamos continuar o controle em caso de detecção”, acrescentou Medina. De fato, à noite o Senasa informou pequenos grupos de gafanhotos foram detectados em pontos isolados. Onde serão feitas aplicações com pulverizadores costais (com aplicador a pé) nesta segunda-feira (27).

A nuvem de insetos havia chegado a Federación na terça-feira (21). Na quarta-feira, uma operação aérea contra os gafanhotos foi abortada na última hora, devido ao nevoeiro. Já na quinta (23), depois da pulverização aérea ter sido novamente cancelada na última hora, produtores do município entraram em ação com seus equipamentos – pulverizadores tipo turbina, acoplados em tratores.

REFÚGIO

Como a temperatura estava baixa e o tempo frio impede a fuga dos insetos (que ficam lentos) os gafanhotos remanescentes das pulverizações do dia 23 foram localizados já na sexta, em uma área próxima. Eles estavam espalhados em um perímetro de 380 hectares de pomares e florestas comerciais de eucalipto, na altura dos quilômetros 296 a 298 da Ruta 14, próximo a um dos acessos à cidade.  

No sábado a operação começou às 9 horas, com sete produtores usando seus pulverizadores terrestres (tipo turbina) em 290 hectares. Entre as 13h30 e as 14h45, um avião agrícola se encarregou dos gafanhotos espalhados pelos 90 hectares restantes. A aeronave decolou da cidade de Chajarí, situada 35 quilômetros ao norte de Federación.

O comunicado do domingo foi divulgado em conjunto com a Federação das Associações Rurais de Entre Rios (Farer), destacando que a missão de diminuir a densidade da nuvem havia sido alcançada. Conforme o chefe da Sociedade Rural de Chajarí e secretário adjunto da Farer, Héctor Reniero, isso foi possível graças ao envolvimento dos órgãos federais, governo provincial e entidades do setor produtivo.  “É importante destacar a coordenação público-privada na abordagem desse problema, respondendo rapidamente à preocupação do setor produtivo”, completou Reniero, que acompanho de perto todo o trabalho.

Além do Senasa, governo de Entre Rios e Farer, a mobilização envolveu o Instituto Nacional de Tecnología Agropecuaria (Inta), Federação Agrária Argentina (FAA), Federação de Citricultores de Entre Rios (Facier), Câmara de Exportadores de Citrus do Nordeste Argentino (Cecnea), Associação dos Engenheiros Agrônomos do Nordeste Argentino (Aianer), Centro de Investigação e Desenvolvimento  Tecnológico para a Pequena Agricultura Familiar (Cipaf), Associação de Produtores de Mirtilo da Mesopotâmia Argentina (Apama) e a Fundação de Luta contra a Febre Aftosa (Fucofa), Associação dos Engenheiros Agrônomos do Nordeste Argentino (Aianer), Centro de Investigação e Desenvolvimento  Tecnológico para a Pequena Agricultura Familiar (Cipaf).

MAIS DUAS NUVENS

Tanto no lado argentino quanto no lado brasileiro, o alerta contra gafanhotos prossegue, já que o Senasa segue monitorando outra nuvem, ainda maior – com 20 quilômetros quadrados, localizada na segunda-feira (20), no norte do país. Essa segunda leva de insetos também teria entrado a partir do Paraguai, na província argentina de Formosa. Na terça, os gafanhotos chegaram à província do Chaco, onde seguem sendo rastreados pelo langosteros – apelido dos técnicos do Senasa, a partir da palavra espanhola para gafanhotos.

E há ainda uma terceira nuvem no Paraguai, que teria aparecido dia 16 de julho no radar do Serviço Nacional de Qualidade e Sanidade Vegetal e de Sementes paraguaio (Senave). A última localização dos insetos anunciada pelo Senave foi na terça (21), na localidade de Picada 500, a cerca de 200 quilômetros da fronteira argentina.

O que quer dizer também que segue valendo a ajuda com aviões, técnicos e todo o pessoal e equipamentos de solo oferecidos pelo Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag) ao Ministério da Agricultura brasileiro e à Secretaria de Agricultura do Rio Grande do Sul. Só no território gaúcho, o Sindag deixou 70 aviões de sobreaviso, em empresas nas áreas de fronteira. A frota aeroagrícola do Estado tem mais de 400 aeronaves – quase 20% da frota nacional do setor.  

Havia mais de 70 anos que uma nuvem tão grande de insetos não se aproximava da fronteira argentina com Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Inclusive o surto ocorrido em 1947 determinou o surgimento da aviação agrícola brasileira, que teve seu primeiro voo em 19 de agosto daquele ano, contra gafanhotos no município gaúcho de Pelotas.


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