24/06/2020 às 17h59min - Atualizada em 24/06/2020 às 17h59min

A nuvem de gafanhotos que estava na Argentina se aproxima a menos de 120 km do Brasil

Inseto vem destruindo lavouras de milho e mandioca, e se deslocando a cerca de 100 km por dia

Redação com assessoria

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A nuvem de gafanhotos que avança pela Argentina está cada vez mais próxima da fronteira com o Brasil. Segundo o balanço do governo da Argentina desta quarta-feira (24), os insetos estão a 120 km do município brasileiro de Barra do Quaraí, no oeste do Rio Grande do Sul.

O chefe do serviço de monitoramento do país vizinho, Héctor Medina, informou em seu Twitter que a nuvem também está a mesma distância da cidade de Bella Unión, no Uruguai, para onde os especialistas do Ministério da Agricultura brasileiro acreditam que os insetos vão migrar. 

O governo do Brasil já estuda o uso de mais de 400 aviões agrícolas para controle dos insetos, caso cheguem ao país. A recomendação é que o combate aos gafanhotos seja feito pelas autoridades.

Entenda

Uma nuvem de gafanhotos colocou as autoridades argentinas em alerta. Segundo o Serviço Nacional de Saúde e Qualidade Agroalimentar (Senasa), órgão regulador do país andino, os insetos avançam rumo a uma região classificada como perigosa, e que fica próxima à fronteira com o Rio Grande do Sul. Imagens divulgadas nas redes sociais são impressionantes. 

De acordo com o boletim divulgado pelo Senasa, a tendência é de que a nuvem, que teria surgido em maio, no Paraguai, avance para a província de Entre Ríos, ao oeste do Rio Grande do Sul. 

O governo da província de Córdoba, por sua vez, estima que os insetos que estão na área chamada de "precaução", em um quilômetro quadrado. Segundo o executivo, é possível que cerca de 40 milhões de insetos estejam na nuvem. Eles são capazes de comer o que 2 mil vacas consomem em um dia 

Ainda de acordo com as autoridades argentinas, a nuvem se moveu quase 100 quilômetros em um dia devido às altas temperaturas e ao vento na região de Córdoba. O governo reforça que as condições climáticas serão decisivas para o deslocamento nas próximas horas.

Medidas

Desde 2015, a formação de nuvens desses insetos nos países vizinhos da Bolívia, Paraguai e Argentina, tem ocorrido de forma relativamente frequente. Em virtude destes registros, o Mapa está, entre outras medidas, trabalhando na elaboração de um manual de orientações de ações de controle da praga, direcionado aos produtores rurais e aos órgãos estaduais de defesa agropecuária e de extensão rural.
 

Espécies

São várias as espécies de gafanhotos que causam prejuízos econômicos no Brasil. Entretanto, duas espécies merecem destaque pelos danos causados: Rhammatocerus schistocercoides e Schistocerca cancellata. 

Da espécie Schistocerca cancellata, que compõe a nuvem presente agora na Argentina, foram várias infestações nos anos de 1938, 1942 e 1946, de focos originários da Argentina que ingressaram pela região Sul do Brasil, alcançando os estados do Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina e Minas Gerais. Atualmente, voltaram a causar danos na Bolívia, Paraguai e Argentina. 

Da espécie  Rhammatocerus schistocercoides ocorreram várias infestações entre os anos de 1984 e 1992, de focos originários de áreas indígenas do Brasil, alcançando 12 estados da federação: BA, SE, AL, PE, PB, RN, CE, MA, PI, PA, RO e MT. Atualmente, essa espécie se mantém em sua fase solitária e não apresenta perigo. 

Diversos fatores podem originar o aumento das populações de gafanhotos, como climáticos (temperatura, umidade relativa do ar e precipitação pluviométrica acumulada), assim como predadores, parasitóides e doenças.

Link do youtube com imagens da EFA Argentina: 

https://youtu.be/kxdh4wjESs0


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