17/05/2021 às 09h30min - Atualizada em 31/05/2021 às 09h30min

Aprenda a construir uma esterqueiras e transforme os dejetos de bovinos em adubo

Tecnologia é ideal para pequenas propriedades que podem usar a fertirrigação em pastos e lavouras reduzindo o uso de adubos químicos

Redação com assessoria
Emater MG
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No trabalho diário nas propriedades, muitos produtores enfrentam uma dificuldade após a limpeza de currais, estábulos e salas de ordenha: o que fazer com os dejetos líquidos que saem desses ambientes. Os dejetos são a mistura de água, urina e fezes dos animais.
 
“Os dejetos de bovinos possuem nutrientes, mas quando não são tratados e lançados no meio ambiente de qualquer forma, se tornam um potencial poluidor das águas e do solo. E isso é prejudicial à saúde. Nossa preocupação é buscar tecnologias que vão resolver o problema e trazer retorno para o produtor”, explica Jane Terezinha Leal, coordenadora da Emater-MG.

Um tecnologia muito eficiente nas pequenas propriedades é o uso de esterqueira para tratamento de dejetos líquidos, seguida da fertirrigação.
 
A esterqueira é um tanque escavado e impermeável usado para a fermentação dos dejetos. Essa impermeabilização deve, preferencialmente, ser feita com uma geomembrana, que é uma manta com espessura e material adequados para impedir que os dejetos depositados na esterqueira infiltrem e contaminem o solo.

Mas, caso o produtor tenha disponibilidade de material, ela também pode ser feita de alvenaria para reduzir o custo. O importante é que seja bem impermeabilizada.



 


Foto1 : Escavação do tanque para instalação da esterqueira



Foto 2: Aplicação da lona de isolamento para evitar a contaminação do solo/lençol freático
 

Com a fermentação na esterqueira, o poder poluidor dos dejetos é reduzido, possibilitando o seu aproveitamento como fertilizante em lavouras e pastagens.

Para que o processo ocorra de forma adequada, a esterqueira deve ter 2,5 metros de profundidade, formato de trapézio, com a base inferior menor que a base superior. A capacidade de cada esterqueira será determinada pela quantidade de dejetos que são produzidos na propriedade. “Isso vai depender do número de animais, quantas ordenhas são feitas por dia, se o rebanho passa mais tempo no pasto ou no curral”, explica.

 
Segundo Jane Terezinha, a cada dia que as instalações (sala de ordenha, curral, estábulo) são lavadas, os dejetos líquidos devem ser depositados na esterqueira, onde ficam por 60 dias fermentando, graças às reações bioquímicas que ocorrem no material. “Este é um tempo de segurança para que o material não cause dano ambiental ao solo e possa se absorvido pelas plantas, sem chegar aos cursos d´água. Depois desse tempo de espera pode se tirar aos poucos o material que, a esta altura já se transformou em biofertilizante. Mas não se retira todo o material de uma vez. Ele é usado aos poucos na pastagem ou lavouras”, explica.



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Chorumeira
 
Para retirar o biofertilizantes da esterqueira e fazer a fertirrigação de pastos e plantações, a coordenadora da Emater-MG recomenda o uso de uma chorumeira. “Ela é um equipamento acoplado a um trator que retira o material do tanque e lança nas pastagens. O produtor não precisa comprar uma chorumeira. Ele pode alugar o equipamento porque fica mais em conta. Muitas vezes, as associações de produtores alugam uma chorumeira para que vários interessados usem o equipamento no mesmo período”, afirma.



Foto 3: Chorumeira utilizada na fertirrigação
 
Além disso, Jane Terezinha faz um alerta. Para usar o biofertilizante produzido nas esterqueiras é preciso ter critérios. “É feito um projeto técnico, com base na área disponível e também na cultura que vai ser adubada. E, principalmente, uma análise de solo para ver se ele é adequado para aquela fertirrigação, se ele vai reter os nutrientes”, explica.

O pecuarista José Ney da Silva e seu filho Éder construíram uma esterqueira e usam a fertirrigação na pastagem e lavouras de milho, numa propriedade de gado de leite em Piedade dos Gerais, região Central do estado. “Facilitou demais. A gente lava o curral e escorre o caldo para o tanque. Depois captamos com a chorumeira e já lançamos no pasto. O benefício no pasto é visível. Com pouco tempo já dá uma melhora”, diz Éder Silva.



 

Vantagem econômica

 
De acordo com Jane Terezinha, além do benefício ambiental a construção de esterqueiras aliada ao uso da fertirrigação, também tem um impacto econômico na propriedade. “Os produtores percebem que estão reduzindo o custo usando menos adubo químico, além da mão de obra que fica mais fácil usando a fertirrigação”.
“Você parar de comprar ou reduzir o adubo químico é outra vantagem. Sem falar no benefício que vai ser para o solo. Eu vou devolver para o solo aquilo que o gado ou que a planta tirou”, afirma Éder.



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