11/06/2020 às 13h11min - Atualizada em 11/06/2020 às 13h11min

Legado, missão e valores na sucessão da empresa familiar rural

Gabriela Krebs
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Uma das maiores causas de ruptura das empresas familiares é a falta de clareza do Legado, da missão e dos valores do fundador. Quando falamos em legado, não estamos referindo apenas os bens materiais deixados pelo patriarca/matriarca, mas também, os costumes, os ideais, os sonhos, a história da família.

Quando os membros da família conhecem os fatos, os porquês que as decisões foram tomadas, esses dados esclarecem os valores do grupo familiar. É necessário aqui que todos os membros saibam quais os valores que conduziram o sucesso da empresa, tomando como guia esses valores.

A construção da missão da família é um dos pontos mais importantes para garantir a permanência da empresa através das gerações seguintes.

Uma importante ferramenta é a utilização do conselho de família, promovendo encontros entre os membros, inclusive aos agregados, onde serão disseminados os valores familiares (senso de justiça, filosofia, sonhos comuns, conduta, respeito, código de ética) e  a cultura familiar, (história dos antepassados, tradição, práticas, cerimônias, hábitos) narrado por quem viveu a história.  Todo esse processo leva tempo e exige carinho e dedicação para que se tenha êxito.

Uma vez esclarecido os valores e a missão do grupo familiar, uma ferramenta eficiente é envolver os filhos no negócio desde cedo, fazendo com que eles se sintam pertencidos ao negócio familiar. Óbvio que isto não garante que eles queiram continuar na atividade dos pais e continuar o legado, mas os aproxima do dia a dia no campo e cultiva o sentimento de pertencimento.

Explicar as atividades rotineiras, levá-los ao banco, as mesas de negociação e ir distribuindo gradativamente tarefas conforme o potencial de cada um é uma cultura que deve ser criada dentro de uma empresa/propriedade rural que se preocupa com a perpetuação do seu negócio.

Garantir também a independência financeira do membros familiares é um caminho de sucesso para a empresa. Ainda que se tenha uma expectativa futura de receberem uma herança, se estes tiverem uma boa renda financeira, a probabilidade de se desfazerem dos bens deixados pelos fundadores será bem menor.

Contudo, os administradores atuais da empresa devem começar a enxergar os filhos/sucessores como os novos administradores da empresa. E o primeiro passo é a comunicação, causa dos maiores conflitos familiares, a falta de diálogo.

Vale lembrar que não existe receita de bolo para os processos de sucessão, uma vez que a dinâmica das famílias são diferentes e nelas existem vários perfis. O que precisamos é encontrar o equilíbrio e as melhores práticas conforme o modelo de gestão, missão e aptidão dos membros para desenvolver a atividade rural iniciada, de modo que o Conselho de Familia deve garantir o bem estar de todos os envolvidos, respeitando a decisão dos sucessores quando estes não decidam seguir o negócio iniciado pelos fundadores.



                                                                                                                                                                            

GABRIELA KREBS é advogada, Graduada pela FURB/SC, com formação pela ESMESC, Pós Graduada em Direito- Resolução de Conflitos, Técnicas de Negociação e Mediação pela Universidad de Castilla la Mancha/Espanha, Especialista em Direito Tributário, Advogada há mais de 12 anos atuante na área Cível, Família e Direito do Agronegócio. Professora de Direito do Agronegócio. Gestora de Conflitos Familiares no Agronegócio. Membro fundadora e Secretária Geral do Instituto Brasileiro de Direito do Agronegócio. 
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