08/03/2021 às 11h39min - Atualizada em 31/03/2021 às 11h39min

Mulheres do Agro: a força no campo é delas

Nathália Secco
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O mundo tem mudado constantemente e velhos paradigmas caem por terra. Quer ver?

Você errou se pensou que o agronegócio é um setor 100% dominado pelos homens, ou que as mulheres do agro ainda estão abrindo espaço para serem notadas.

Segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) as mulheres representam 43% da força de trabalho rural mundial. E não só isso, a presença delas também é significativa nas funções complementares da pecuária, educação, serviços financeiros, tecnologia e emprego rural. Isso tem resultado em um aumento significativo da produtividade e produção agrícola responsável e sustentável. Além disso, as mulheres do agro também contribuem de forma efetiva para o desenvolvimento econômico. 

Em recente pesquisa, a Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) mostrou que as mulheres do agronegócio também são responsáveis pela gestão e administração. Ou seja, 30% do negócios relacionados ao agronegócio são geridos por mulheres. Na indústria, este número não passa de 22% e no setor de tecnologia, 20%. 

Com isso entendemos que, embora pareça um ambiente extremamente masculino, as mulheres do agro já alcançaram uma posição relevante, que cresce a cada ano (em 2004 não passava de 24% o número de mulheres presentes no campo) e estão cada vez mais ocupando posições de impacto dentro do mercado.

Mulheres empreendedoras no agronegócio

A maioria das mulheres do agro trabalha dentro da porteira. Isso representa 73% do total. E 58% delas, são proprietárias ou sócias das propriedades. O último censo agropecuário do IBGE mostrou que 1.714.416 mulheres se autodeclararam líderes de um empreendimento rural no Brasil, e a proporção das líderes de fazenda subiu de 12,6%, em 2006, para 18,6%, em 2017. Segundo o IBGE, elas são produtoras, gerentes e responsáveis diretas pelas principais atividades nas fazendas. Além disso, o agronegócio representa 25% do PIB brasileiro, e 8% deste total, que gira em torno de  US$ 165 bilhões, têm mulheres no comando da gestão econômica. 

De acordo com a McKinsey, uma empresa global em consultoria empresarial, através da pesquisa Delivering Through Diversity, mostrou que mulheres em cargos de liderança possuem 21% de maiores chances de um desempenho financeiro acima da média. 

E é por isso, que em diversos setores da economia a busca por mulheres para cargos de CEO tem aumentado, pelas pesquisas demonstrarem que CEO mulheres entregam maior resultado para as organizações.

Segundo o estudo da Abag, grande parte da participação feminina no setor decorre da melhor qualificação delas. A prova é que 15% do total de trabalhadoras no agro têm ensino superior. Seguido por 72% com ensino médio, 37,3% com ensino fundamental e apenas 5,6% sem instrução formal. 

O número de alunas das área de engenharia agronômica, florestal e de gestão ambiental também aumentou. Segundo a Esalq/USP, a presença feminina nos cursos passou de 36% para 44% entre 2002 a 2016. Ainda de acordo com as pesquisas realizadas pela Esalq, os cursos de Medicina Veterinária, Zootecnia e Agronomia possuem atualmente mais de 50% de mulheres entre os alunos.

Isso não significa que as mulheres não sonhem em sujar a botina de terra. A formação para ambos os gêneros é a mesma. E é sempre importante afirmar que as oportunidades devem ser iguais para todos. Neste sentido, ainda ocorre um tendencionismo para os estereótipos. É comum ouvir relatos de que é maior a incidência de homens destinados à práticas no campo, enquanto mulheres se dedicam à vagas administrativas.  

Agronegócio Digital

Mas a evolução do agronegócio não se restringe apenas a gêneros. A tecnologia também está mais presente que nunca. E estes dois fatores de evolução convergem muito bem. 

Segundo José Luiz Tejon, professor e coordenador do MBA da Audencia Business School, em Nantes,  “A tecnologia transformou semeadeiras e colheitadeiras em máquinas de altíssima tecnologia e, com essa disrupção, não é preciso músculos – e sim estudo. O agronegócio de hoje não é mais o da força física”.

Mulheres buscam por melhorias e maior eficiência, e isso é o que as fazem recorrer para a tecnologia e investir em inovação, inclusive no agronegócio. 

Além disso, estudos mostram que homens e mulheres possuem diferentes formas de pensar, e esta diversidade traz um impacto positivo nos resultados das empresas. Isto porque a tomada de decisão passa a ser mais eficiente por um maior levantamento de aspectos relevantes. 

As áreas de inovação e tecnologia, sabendo da importância desta diversidade para a solução de problemas e criação de novas tecnologias, buscam constantemente por mulheres para compor o time. 

Nathália Secco, CEO da Orchestra Innovation Center, é uma das mulheres que acredita na tecnologia como a grande aliada do campo. “Atualmente eu respiro e vivo tecnologias disruptivas e inovação. Busco tornar a Orchestra uma aceleradora de startups cada vez mais forte em atuação entre as Agtechs [startups de agronegócios] e o mercado agro”, afirma a CEO que buscou melhores práticas em inovação no Vale do Silício, na Califórnia.

Com esses dados vemos com clareza que as mulheres estão ganhando o espaço que sempre mereceram, e não apenas na gestão e operação de negócios tradicionais, mas também dentro do setor de tecnologia. Ainda há um grande caminho a ser percorrido. Mas, sim, já existe uma expressiva evolução que deve ser comemorada.




















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