02/06/2020 às 08h38min - Atualizada em 02/06/2020 às 08h38min

Produtores do oeste de Mato Grosso fazem "GREVE" e deixaram de entregar leite aos laticínios

Na região os laticínios estão pagando cerca de até R$0,90 centavos, não cobrindo o custo de produção

Redação com assessoria
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Um grupo de produtores de leite da região oeste de Mato Grosso, que engloba 20 cidades que vão de Porto Esperidião a Nova Lacerda, começou na segunda-feira (1) uma greve, e deixaram de entregar o alimento aos laticínios da região, por conta do preço do leite pago. 

Segundo alguns produtores, essa greve já era para ter iniciado em março, depois abril, mas foi adiada devido a pandemia. Cada laticínio chega a pagar até 90 centavos, o que é considerado muito barato, tendo em vista que em outras regiões do estado as empresas pagam até R$ 1,25 pelo litro do leite. 

"Não podemos aceitar isso. Estamos pagando para trabalhar. Pagar 90 centavos é muito injusto. Como todos estavam aceitando entregar lete por esse preço, não tinha acordo. Mas agora que paramos, só vamos voltar a entregar o leite novamente se houver reajuste do preço", disse José Carlos, que faz parte do grupo Beba Mais Leite, de Conquista D'Oeste. 

Ainda segundo o produtor, o que os laticínios estão fazendo é uma falta de respeito, porque eles colocam culpa na pandemia, mas o descaso com a categoria é de faz tempo. 

"O produtor tem respeito ao próximo e não paralisamos mês passado por conta da pandemia. Mas os laticínios não tiveram respeito para com o produtor de leite. Desde janeiro de 2019 estamos recebendo 0,15 centavos a menos que o restante do MT e em plena Pandemia abaixaram mas 0,15. Chega, o produto é nosso vendemos e entregamos a quem quisermos e quando quisermos", comentou.

Segundo Zé Carlos, cada produtor tirou leite hoje apenas para fazer queijo ou alimentar animais, mas não para entrega nos laticínios. 

A reportagem procurou o Sindicato dos Laticínios de Mato Grosso (Sindlat) e falou com o presidente da instituição, Leonir Chaves, que falou que irá buscar um entendimento com a categoria e com os produtores para tentar ajustar esse preço pago por litro de leite. 

"Estamos em pandemia e distribuindo pouco para os mercados e outros locais, como restaurantes, pizzarias, lanchonetes, mercados. Agora que outros estados estão voltando ao normal. Nossa medida é São Paulo. Tem laticínio aqui que distribui pra lá. Por isso medimos por lá. Então, temos que ter um entendimento e buscar conversar com todos para ajustar isso. De fato, 90 centavos é pouco. Mas vamos ouvir os lados", disse o presidente. 

PREÇO ABAIXO DA MÉDIA NACIONAL 

As informções do CEPEA/Esalq
(CEPEA - Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), divulgou o valor médio pago ao produtor nas demais regiões do Brasil, a “Média Brasil” líquida em maio (referente à captação do mês anterior) chegou a R$ 1,3783/litro, valor bastante superior aao pago pelos latiínios aos produtores da região.

Ainda assim, os produtores de leite brasileiros alegam que o preço justo para o litro do leite seria entorno de R$ 1,55/litro. 

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