17/05/2022 às 09h22min - Atualizada em 17/05/2022 às 09h22min

Wagyu – a carne mais cara do mundo

Em 100 dias no pasto, o gado saiu com 392 kg/animal. “Os bovinos dobraram de peso em pouco mais de três meses na pastagem de trigo

Joseani Antunes
Embrapa Trigo
Joseani Antunes
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O preço da carne de Wagyu pode ultrapassar R$ 1.000,00/kg. O diferencial segundo os especialistas está no marmoreio, gordura entremeada na carne que derrete durante o preparo resultando num sabor comparável à experiência de um “chocolate suíço derretendo na boca”. 

 

A raça japonesa chegou ao Brasil em 1992 e hoje conta com um rebanho próximo a nove mil cabeças de Red Wagyu e Black Wagyu. No norte do Rio Grande do Sul, no município de Paim Filho, os médicos veterinários Ricardo e Eraldo Zanella começaram a criação de Wagyu há 20 anos. Hoje, a Agropecuária Zanella conta com um plantel de 100 cabeças de animais puros das raças Wagyu, destinados à produção e comercialização de genética, com criação nos estados do RS, SC, PR, SP e MG.

 

“O sêmen do Wagyu está sendo muito utilizado no cruzamento industrial, principalmente com outras raças como é o caso do Angus, Hereford e Nelore, visando à produção de carnes nobres, principalmente por aumentar o grau de marmoreio da carne. Assim, estima-se que o cruzamento com outras raças ultrapasse 25 mil animais no Brasil”, conta Ricardo Zanella, que também é membro da Diretoria da Associação Brasileira dos Criadores de Bovinos das Raças Wagyu.

 

Na Agropecuária Zanella, os animais são selecionados por avaliações genéticas criteriosas, e os que passam no processo de seleção vão para um sistema de criação extensivo, onde ficam dois anos no pasto e depois são encaminhados ao confinamento em São Paulo, onde passam da engorda à terminação até alcançar 750 kg de peso vivo no ciclo completo de 36 meses.

 

A pastagem sempre contou com campo nativo, aveia, azevém, sorgo e capim sudão, além de silagem de triticale. A primeira experiência com trigo na forragem foi em 2021, quando a parceria com a Embrapa Trigo levou até o produtor sementes das cultivares BRS Tarumã, BRS Tarumaxi e BRS Pastoreio

 

Os animais entraram na pastagem de trigo com 25 a 30 cm de altura e saíram quando as plantas atingiam de 5 a 10 cm. O início do pastejo começou no final de junho e se estendeu até o início de outubro. A carga animal foi de 700 kg/ha de peso vivo (entre quatro e cinco cabeças). O método de pastejo foi o rotacionado ou intermitente, mantendo os animais de três a sete dias em cada piquete, retornando após 15 a 25 dias. Após cada saída, foi realizada a adução com ureia (70 kg/ha) para estimular o rebrote das plantas.

 

No resultado final, a produção de matéria seca com pastagem de trigo ultrapassou 6000 kg/ha. O ganho de peso vivo chegou a 1,76 kg/novilho/dia em média, com alguns ganhando até 2,1 kg/dia. Em comparação, nos animais que ficaram somente na pastagem de aveia o ganho de peso foi de 1,0 kg/dia. 

 

Em 100 dias no pasto, o gado saiu com 392 kg/animal. “Os bovinos dobraram de peso em pouco mais de três meses na pastagem de trigo. A meta agora é chegar a 460 kg/animal nos dois anos de cria e terminação, ou seja, manter o ganho sem perder o bem-estar animal”, avalia Ricardo Zanella.

 

Assista ao vídeo do produtor Ricardo Zanella contando sua experiência com o uso do trigo para forragem do rebanho de Wagyu:



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