24/05/2020 às 12h14min - Atualizada em 24/05/2020 às 12h14min

Caprinos: Sucesso da integração lavoura-pecuária

Redação com assessoria
Embrapa

-
A possibilidade de integrar gramíneas e culturas anuais em consórcios é uma opção para os produtores do Semiárido brasileiro. Eles compõem sistemas de produção com integração lavoura-pecuária (ILP), garantindo melhor oferta de alimento aos rebanhos ao longo do ano 

Há seis anos, na Embrapa Caprinos e Ovinos, o desempenho de cultivares de quatro culturas anuais (milho, sorgo, milheto e girassol) tem sido avaliado em campo experimental, compondo também consórcios com gramíneas, com resultados preliminares que indicam boas perspectivas para uso no campo. O primeiro teste desse sistema de ILP foi na própria Unidade, em Sobral (CE), para aperfeiçoar a oferta de forragem a um rebanho de 900 a 1.000 animais, que sempre gerava dependência da compra de alimento produzido externamente.

“A partir do momento em que conseguimos implementar o sistema de integração lavoura-pecuária tivemos diversas vantagens: não precisamos mais comprar feno ou silagem e começamos a produzir o alimento necessário para os animais”, destaca o biólogo Fernando Guedes, pesquisador de Melhoramento Genético Vegetal da Embrapa Caprinos e Ovinos. Segundo ele, com a integração, houve aumento de 22% da chamada massa verde (componentes colhidos da planta ainda verdes, antes de secagem ou desidratação) da silagem produzida a partir do material plantado.

Um dos experimentos realizados foi o plantio consorciado de milho e capim-massai. Os resultados indicaram que produzir o volumoso a partir dessas culturas foi 31,35% mais barato para o criador do que adquiri-lo no comércio. Em um hectare com essas duas culturas, foi possível produzir biomassa de forragem para manter produtivos 53 ovinos de corte ou leite, com peso corporal médio de 25 kg, durante oito meses. 

Além de diversificar a produção de forragem e reduzir custos com aquisição de alimentos, um sistema de integração pode trazer, segundo Fernando, outras vantagens como uma melhor proteção ao solo, ao manter cobertura vegetal por mais tempo no Semiárido. “Em um sistema ILP, o produtor pode colher o resultado da cultura anual para produzir silagem e a gramínea forrageira continua na área, para pastejo dos animais a campo, além de cobertura do solo em regiões semiáridas, que têm tendência à desertificação”, explica Guedes.

Benefícios para a nutrição dos animais


De acordo com o médico veterinário Marcos Cláudio Rogério, pesquisador de Nutrição Animal da Embrapa Caprinos e Ovinos, os testes com uso das quatro culturas anuais usadas em campo (milho, sorgo, milheto e girassol) mostram possibilidades de uso para as diferentes exigências nutricionais. Segundo ele, enquanto as variedades de milho e milheto mostraram características interessantes em valores energéticos para as dietas dos animais, o sorgo teve como destaque uma fibra de qualidade e o girassol mostra resultados interessantes em termos de oferta de proteína.

“Todas as experiências que fizemos mostram que essas composições de silagem permitem inclusive atender exigências nutricionais de animais em que, se houver inclusão de alimento concentrado, é bem pequena. É possível, inclusive atender a animais de categorias produtivas, como fêmeas no terço final de gestação, em lactação, cordeiros em crescimento que entram em terminação”, afirma Marcos Cláudio. Os resultados desses testes com a composição de silagem foram publicados e estão disponíveis na internet


Link
Tags »
Notícias Relacionadas »
Comentários »

Se você é produtor rural, qual a sua principal atividade agrícola?

11.2%
5.8%
8.0%
3.6%
8.0%
31.2%
6.7%
11.2%
4.0%
2.7%
4.5%
3.1%
Fale pelo Whatsapp
Atendimento
Precisa de ajuda? fale conosco pelo Whatsapp