11/04/2022 às 07h51min - Atualizada em 11/04/2022 às 07h51min

Produtor do Sul de Minas deve registrar aumento de 1.000% na produção de leite com investimentos em gestão, melhoria genética e na alimentação dos bovinos.

Atualmente, a propriedade conta com 37 vacas no rebanho e uma produção diária de 750 litros de leite e deve chegar a 1500 litros/dia este ano

Marcelo Varella
Emater MG
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A história de sucesso do pecuarista Áureo Carvalho começou há 8 anos. De uma propriedade de 36 hectares no Sul de Minas, como produção modesta, ele e sua esposa Sônia evoluíram a ponto de se tornaram referência na região, graças aos investimentos em gestão, melhoria genética e na alimentação dos bovinos.

 

“Nós vivemos em uma região de produtores pequenos, onde a maioria sempre criticava a produção leiteira, por achar que não era rentável. Então além do prazer de olhar pra trás e ver o crescimento na produção, a gente se sente como uma referência, ajudando outras pessoas também, mostrando o valor da atividade”, afirmou Áureo Carvalho.

 

Os dois cuidavam de um pequeno rebanho na fazenda Cachoeirinha das Antas, município de Santa Rita de Caldas. A maioria dos animais era voltada para corte, criada em regime de confinamento. O casal também produzia uma quantidade de leite suficiente apenas para cobrir as despesas mensais da família. Um resultado que não estava agradando e, então, o produtor recorreu à Emater para mudar a situação.

 

“Nas primeiras visitas que fiz ao local, vi um grande potencial na propriedade e no produtor para produzir leite. Percebi que ele não estava muito contente com o confinamento de animais devido ao alto custo. Partimos para intensificar a produção de leite”, explica o técnico da Emater-MG no município, Rodrigo Beck Júnior.

 

Na época, a propriedade contava com 15 vacas, sem muito potencial genético, que produziam cerca de 130 litros de leite por dia. O técnico da Emater explica que o trabalho de melhoria da atividade começou com mudança no sistema de pastejo e também com a incorporação ao rebanho de animais geneticamente superiores.

 

“O trabalho inicial foi focado em dinamizar os processos de produção, de redução dos custos, sem perder a qualidade. Foram feitas divisões do espaço onde ficavam os animais, recuperação e arrendamento das pastagens para plantio de vegetais, além de trabalhar a melhoria genética do rebanho”, explica Rodrigo Beck.

 

No caso do arrendamento das pastagens degradadas, o objetivo era fazer a recuperação da área com plantio de mandioquinha-salsa, batata e milho. O produtor recebia um valor pelo arrendamento e, ao mesmo tempo, tinha suas áreas corrigidas e adubadas. Ele também conseguiu de um pecuarista do município que fornecesse um tourinho da raça holandesa, geneticamente superior, para fazer a cobertura das vacas da propriedade.

 

Como efeito das mudanças, em 2015, Áureo de Carvalho conseguiu adquirir um financiamento do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), para a compra de mais cinco vacas. O projeto foi elaborado pela Emater-MG. No ano seguinte, a produção diária de leite da propriedade já tinha passado para 300 litros.

 

O melhoramento genético propiciou uma nova geração de bezerras que ajudaram a alavancar ainda mais a produção. Foi feita a troca do tanque de resfriamento de leite por outro maior. E novos animais foram adquiridos. Dessa vez, sem financiamento. A atividade leiteira se tornava cada vez mais rentável.


 

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Associação e sala de ordenha
 

Em 2018, a produção já havia aumentado em mais de 380%, ao bater a marca de 500 litros por dia. Áureo começou a vender o leite para a Associação de Produtores de Leite de Santa Rita de Caldas e Região (Aprol). Ao final daquele ano, por intermédio da associação, ele passou a comercializar o leite para a Danone. Começou a fazer inseminação artificial nas vacas e, logo depois, investiu no processo de fertilização in vitro. Nesta técnica, embriões de fêmeas doadoras, com padrão genético superior, são transferidos para as vacas receptoras, chamadas de barriga de aluguel.

 

Em 2020, com a boa gestão dos custos e aumento da produção, o pecuarista precisou ampliar e modernizar a estrutura dedicada à atividade. Foi realizado um investimento de aproximadamente de R$ 750 mil para construção de uma nova sala de ordenha e de uma pista de alimentação para os animais, além de uma caixa de dejetos para armazenar o esterco, a ser utilizado nas pastagens e áreas de plantio de milho. Também foram adquiridos um novo tanque, com capacidade para 2,5 mil litros de leite, e uma ordenhadeira mecânica com extração automática para uso em seis animais simultaneamente. “Este novo equipamento permite que ele gaste menos tempo na ordenha dos animais e tenha o manejo dos animais facilitado”, explica o técnico da Emater-MG.

 

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Crescimento de 1.000%
 

Atualmente, a propriedade conta com o certificado de Boas Práticas de Produção, concedido pela empresa internacional QCONZ. São 37 vacas no rebanho e uma produção diária de 750 litros de leite. O produtor possui ainda cerca de 30 novilhas com previsão de parto para o segundo semestre deste ano. Com isso, a produção estimada é de mais de 1,3 mil litros de leite por dia, um aumento de 1.000% em relação a 2014.

 

Para o produtor, o acompanhamento de todo o processo de evolução feito pelo técnico Rodrigo Beck, foi fundamental para “Não tem um dia que a gente não se fala, que ele deixa de perguntar como as coisas estão. Ele parabeniza quando fazemos as coisas certas, e também aponta onde erramos para sabermos como melhorar”, conta o produtor.

 

Por causa da evolução obtida nos últimos oito anos, a propriedade Cachoeirinha das Antas se tornou uma unidade de referência para outros produtores da região. O produtor Áureo e sua esposa Sônia continuam à frente dos trabalhos na propriedade, cuidando da ordenha e contratando apenas algumas pessoas para serviços temporários. “A receita de sucesso inclui gostar muito do que faz, muito trabalho e uma boa gestão”, afirma Rodrigo Beck.


 

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