22/05/2020 às 14h46min - Atualizada em 22/05/2020 às 14h46min

Gestão de conflitos na sucessão de empresas familiares rurais

Toda empresa familiar, seja ela rural ou não, terá que passar em algum momento pela sucessão familiar.

Gabriela Krebs
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Dizemos que sucessão é transferência do poder, ou seja , a passagem da direção do negócio do seu fundador (a primeira geração) para o herdeiro ou não herdeiro (a segunda geração) e assim sucessivamente nas gerações que seguem. 

O processo de sucessão é de relevante importância para o ciclo de vida da empresa, ou seja, para garantir a continuidade da atividade rural iniciada pelo patriarca/matriarca e passada de geração para geração, implicando em:

 
  • Sobrevivência;
  • Expansão e 
  • Continuidade da empresa rural

Ou seja, é a estratégia desse processo de sucessão pelos entes familiares envolvidos que vai garantir a continuidade da empresa,  no mesmo ramo de atividade da família.

Sucessão familiar é um tema relevante para todo o agronegócio brasileiro. Podemos perceber, em época de Corona Virus,  de uma maneira mais ampla, sistematizada, o quanto é importante esse setor para movimentar a economia nacional e ao mesmo tempo garantir que o alimento esteja na mesa dos brasileiros.

No entanto, muitos são os desafios enfrentados pelos produtores rurais durante o processo sucessório, dentre eles,  o problema da gestão dos conflitos,  sejam os conflitos de interesse entre família e empresa, que se refletem muitas vezes na falta de disciplina, na utilização ineficiente dos administradores não familiares e no excesso de personalização dos problemas administrativos-  conflitos emocionais atrapalhando a gestão da empresa.

Nesse contexto em que os fundadores precisam passar o bastão da gestão dos negócio para os sucessores é que começam a maioria dos conflitos. Reforço a importância da comunicação no ambiente empresa-familia, já que os ambos os membros navegam entre os dois setores.

Desenvolver uma comunicação assertiva, uma escuta ativa, bem como, aprender novas  habilidades negociais, vai ajudar a minimizar esses problemas e transpor essa fase com mais tranquilidade, garantindo o sucesso do negócio e o bem-estar dos membros da família.

Seguem algumas dicas para melhorar a comunicação entre os membros da empresa familiar rural: 
  • Reconhecer os mal entendidos e os rancores, acolher os sentimentos das outras pessoas sobre alguma situação e tentar resolver através do diálogo;​
 
  • Usar da empatia, tentar ver a situação pelo ponto de vista do outro; andar com o sapato do outro para trazer para nós essa percepção vai fazer com que critérios objetivos sejam utilizados para observar uma situação pontual, invertendo os  papéis dos membros; quando tiramos nosso sentimento dos fatos, podemos ver com mais clareza, interpretando os acontecimentos com mais neutralidade;
 
  • Não interpretar todas as situações do dia a dia como algo pessoal,  porque em uma empresa decisões precisam ser tomadas baseadas na objetividade e não no sentimentalismo;
 
  • Desenvolver o autoconhecimento, usando a inteligência emocional para resolver os conflitos, saber qual o propósito dos membros  junto à empresa vai ajudar a atingirem os objetivos traçados, mas para isso precisam estar definidos;
 
  • Separe os conflitos familiares da empresa, criando Conselho de Família e Conselho de Sócios, de modo que os membros da família que não possuem conhecimento técnico ou até mesmo agregados sejam impedidos de interferir nas decisões diárias, a exemplo de compra, venda, distribuição de lucros e dividendos,  acordo de acionistas.
 
  • Achar o ponto em comum – focar nos interesses e não nas divergências, nas posições conflitantes, vai facilitar o diálogo e definir metas a serem alcançadas;

Essas são algumas ferramentas que poderão auxiliar as empresas familiares rurais para dirimir os conflitos pessoais no dia-a-dia.

                                                                                                                                                                            
GABRIELA KREBS é advogada, Graduada pela FURB/SC, com formação pela ESMESC, Pós Graduada em Direito- Resolução de Conflitos, Técnicas de Negociação e Mediação pela Universidad de Castilla la Mancha/Espanha, Especialista em Direito Tributário, Advogada há mais de 12 anos atuante na área Cível, Família e Direito do Agronegócio. Professora de Direito do Agronegócio. Gestora de Conflitos Familiares no Agronegócio. Membro fundadora e Secretária Geral do Instituto Brasileiro de Direito do Agronegócio. 

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