02/04/2022 às 10h32min - Atualizada em 02/04/2022 às 10h32min

Casal de pecuaristas da região Noroeste de Mato Grosso mudou de mentalidade e promove restauração ecológica em propriedade

Assim como tantas outras famílias da região Sul do país, o casal saiu de Foz do Iguaçu, incentivados pelas políticas públicas de ocupação do Centro Oeste e da Amazônia Legal

Redação com assessoria
Empaer MT
REM MT
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Assim como tantas outras famílias da região Sul do país, o casal, que veio da cidade de Foz do Iguaçu, foi incentivado pelas políticas públicas de ocupação do Centro Oeste, que tiveram início na década de 1970, durante a ditadura militar. 



“Plante, que o governo garante”. Essa era a ordem vigente no final dos anos 1980, quando o casal de pecuaristas Dal Piaz chegou em terras mato-grossenses. “Não existia esse negócio de meio ambiente. Então, nós entramos fazendo o que os outros já faziam”, recorda o produtor rural, Valocir Nasareno Dalpiaz, de 61 anos, sobre o processo de desmatamento provocado pela pecuária extensiva no município de Juara, região Noroeste de Mato Grosso, no bioma amazônico.



 

“Mas, o tempo foi passando, e com ele vieram as leis ambientais, que começaram a apertar o produtor. E o Governo Federal, que na época incentivou a abertura dos pastos, já não era mais tão ‘amigo’ assim. A gente plantava e ele já não garantia mais nada. Nos largaram. Não havia mais incentivo”, comenta a produtora rural, Mirian Terezinha Dalpiaz.




Passados mais de 30 anos da chegada no Estado, o casal agora tenta reescrever sua história em terras mato-grossenses, a partir de uma pecuária de corte mais sustentável, que promova a restauração da floresta nativa, principalmente nas Áreas de Preservação Permanente (APP) da propriedade (beiras de rios e de córregos). Para isso, eles contam com o apoio sistemático do Programa REM MT e da Empaer-MT.





Foto: Mirian Terezinha Dalpiaz - produtora rural / REM/MT




Tanto é que a Fazenda Vale dos Arinos, propriedade do casal, foi uma das 8 propriedades selecionadas pelo Subprograma Produção, Inovação e Mercado Sustentáveis (PIMS), do REM MT, e pela EMPAER-MT para se tornar uma Unidade de Referência Técnica (URT). As URTs recebem apoio financeiro e técnico para pôr em prática o manejo sustentável e a restauração ecológica. A ideia é aplicar tecnologias de restauração ecológica no local, para que elas sirvam de exemplo para os demais pecuaristas de pequeno e médio porte da região, que passam por problemas semelhantes de regularização ambiental.


 


Foto: Área Restauração Ecológica (MUVUCA) - REM/MT

 

Restauração Ecológica (MUVUCA)

 

Uma dessas tecnologias para refazer a floresta é a semeadura direta por meio do  processo de “Muvuca”. A técnica foi ensinada aos extensionistas da Empaer da região, durante a capacitação de restauração ecológica de vegetação nativa no Estado de Mato Grosso, promovida no final do mês passado, pela Agroicone, organização socioambiental contratada pelo Programa REM MT.




Foto: Restauração Ecológica (MUVUCA) - REM/MT




Na Muvuca, ocorre a mistura de sementes nativas, de diferentes espécies, cores e tamanhos, que são semeadas ao mesmo tempo. O objetivo é  fazer o plantio de uma vez só, assim como ocorre na floresta. Os técnicos puderam ver a Muvuca acontecendo na prática na fazenda dos Dalpiaz, que começa a ter a sua APP restaurada pelo projeto.



Foto: Restauração Ecológica (MUVUCA) - 
REM/MT



“São 63 espécies misturadas: nativas, florestais, espécies agrícolas como o feijão de porco e o feijão guandu, que servem para adubação verde; e algumas frutíferas também, para atrair a fauna e ajudar na restauração ecológica. Essas espécies irão crescer juntas. Mas, com o passar do tempo, cada uma ocupará o seu devido espaço na floresta”, destaca Diego Antonio Ottonelli de Bona, técnico ambiental da Agroicone.





Foto: Técnica de Restauração Ecológica (MUVUCA) - REM/MT


 

Técnicos da Empaer

 

Laura Antoniazzi, pesquisadora sênior da Agroicone, ressalta que com a capacitação os técnicos da Empaer têm condições de apoiar os produtores na restauração ecológica, e consequentemente, na regularização ambiental.

 

“É muito importante ter florestas nas beiras dos rios e dos córregos, para que a água seja protegida, seja de qualidade. Para que possamos ter mais fluxos de água em volta das nascentes. Então, a restauração ecológica é benéfica para o produtor rural inclusive”, enfatiza Laura.





Foto: Mayra Costa, extensionista Rural da Empaer em Juara


 

Após a capacitação, Mayra Costa, extensionista Rural da Empaer em Juara, afirma que se sente bem mais segura para orientar os produtores quanto à restauração ecológica. Formada em agronomia, ela destaca que a técnica de Muvuca, assim como outros procedimentos de restauração, ensinados durante o curso, só agregam em seu trabalho junto aos produtores.

 

“É a primeira vez que eu estou trabalhando, como profissional da Empaer, com a restauração florestal pela semeadura direta. É um privilégio ver um trabalho tão legal, que talvez, se não fosse essa parceria com o REM MT e a Agroicone, a gente não conseguiria fazer com a qualidade que está sendo feito”, destaca Mayra.

 



Foto: Equipe de extensionistas da Empaer em Juara / REM-MT

 

INVESTIMENTOS
 

A extensionista destaca ainda que os recursos do REM MT foram fundamentais para o desenvolvimento do projeto de restauração na URT dos Dalpiaz.
 

“Na parte da restauração ecológica, além da semeadura direta das espécies nativas, também foram adquiridos materiais para instalar a cerca elétrica que vai isolar a APP. A cerca vai funcionar com energia da placa solar que também foi adquirida com recursos do programa. Já na parte produtiva, está sendo feita a recuperação de áreas de pastagens degradadas através do sistema de cultivo de milho consorciado com capim. A área cultivada com esse sistema é de aproximadamente 60 hectares. Por fim, está sendo feito o acompanhamento técnico no cultivo do BRS Capiaçu, tanto para a finalidade de ensilagem quanto para oferta "in natura" ao gado, visando complementar a alimentação dos animais nos períodos mais críticos de seca.”, explica Mayra.
 

Eixo Pecuária Sustentável
 

Para Huan Fernandez, extensionista rural da Empaer de Comodoro, a capacitação fortalece ainda mais os diagnósticos que ele tem feito em outras 63 propriedades do projeto. Os diagnósticos costumam ocorrer nas primeiras visitas realizadas pelos técnicos, quando eles traçam o perfil da propriedade nos aspectos social, econômico e ambiental.
 

Ele conta que os diagnósticos mais detalhados só estão sendo possíveis a partir dos insumos do REM MT, “que nos deu pernas para fazer esse trabalho”. E explica que o Programa possibilitou maior mobilidade, principalmente com a aquisição de veículos. “Em muitos locais, você tem que percorrer 50 km para chegar às propriedades, em estradas que não são boas. Então, todo esse apoio faz com que a gente esteja mais próximo dos produtores, e o serviço de assistência técnica e extensão rural (Ater) de fato aconteça”, reforça.


 


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