26/03/2022 às 12h02min - Atualizada em 26/03/2022 às 12h02min

Pecuaristas aumentam produção sem abrir novas frentes de desmatamento na Amazônia

Produzir commodities de modo sustentável. Essa é a mentalidade que começa a surgir entre os pecuaristas de pequeno e médio porte da região Noroeste de Mato Grosso

Marcio Camilo
EMPAER-MT / REM MT
REM MT
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Produzir commodities de modo sustentável. Essa é a mentalidade que começa a surgir entre os pecuaristas de pequeno e médio porte da região Noroeste de Mato Grosso, a partir de um projeto desenvolvido pelo Programa REM MT, em parceria com a Empaer-MT. O objetivo do projeto é demonstrar para pequenos e médios produtores de commodities formas alternativas de aumentar a produção e ainda garantir o manejo sustentável. 

 

Para isso, 8 propriedades rurais foram selecionadas para ser tornar Unidades de Referência Técnica (URTs) - obtendo apoio técnico e investimentos para realizar restaurações ecológicas em suas áreas ambientais e produtivas - e 1.423 propriedades da região passaram a receber os serviços de Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER) gratuitamente - para aprenderem a fazer o manejo sustentável.


REFERÊNCIA 

 

Um dos beneficiados é o produtor de gado de corte, Ivo Alberi Marcon, 59 anos, dono da Estância Nossa Senhora Aparecida, no município de Castanheira, a 787 km da capital Cuiabá. Sua propriedade foi selecionada pelo projeto como a URT de Juína, cidade polo da região Noroeste. A ideia é que nos próximos anos a estância seja um modelo de produção sustentável para os demais pecuaristas do entorno. 



Produtor de gado de corte, Ivo Alberi Marcon, 59 anos, dono da Estância Nossa Senhora Aparecida - Foto: REM/MT

 

No caso de Seu Ivo e das demais URTs, o REM MT e a Empaer estão investindo na parte ambiental, com o plantio de sementes nativas para recuperar a Área de Preservação Permanente (APP) da propriedade.



Já na parte produtiva está sendo feita a análise e preparo do solo, bem como o sistema de pastejo rotacionado, que consiste na divisão da área em piquetes, onde os animais alternam o pastejo em períodos fixos de ocupação e descanso, de acordo com as condições da pastagem, evitando, assim, novas frentes de desmatamento.


 

MUDANÇA DE MENTALIDADE


Para administrar a estância, Seu Ivo conta com ajuda do filho, Rodrigo Marcon, 35 anos, que tem ajudado o pai, principalmente a desenvolver uma consciência ambiental. 

 



Rodrigo Marcon, 35 anos, produtor. Foto: REM/MT


 
"Sempre se produziu por aqui a pecuária de modo extensivo. Mas, agora, estamos pensando a longo prazo e na sustentabilidade da unidade de produção, a partir da aplicação de tecnologias que proporcionem a Integração Lavoura-Pecuária. Com essas ações, nós estamos aumentando a nossa produção e preservando a água e o solo”, ressalta o produtor, que deixou o trabalho de engenheiro civil na cidade para ajudar o pai no campo. 




 

‘DESBRAVAR E DESBRAVAR’
 

José de Macedo é outro produtor, da velha geração, que tem mudado a mentalidade em relação à abertura de novas áreas. Ele possui uma fazenda na região de Juruena, onde recebe os serviços de ATER na produção de milho e análise de solo. O trabalho já dura um ano e tem recuperado a pastagem na propriedade, que antes era toda degradada.





 

“A mentalidade da gente era desbravar e desbravar. Nós moramos aqui desde 1981. Nosso prazer era ver o cara tacar uma motosserra na árvore e derrubar. Hoje não, tem que plantar! Às beiras de córrego [APP], a gente nunca preservou. Se a gente tivesse a mentalidade de hoje não tinha feito o que a gente fez. E a gente também foi vendo que precisava preservar, pois os córregos começavam a ficar muito arenosos e faltava água para o gado”, recorda Macedo. 

 

Ele também elogiou o trabalho dos técnicos da Empaer, que têm lhe ajudando nessa transição para uma pecuária mais sustentável. “O Felipe (técnico da Empaer que atua em Juruena) apoia a gente em tudo. Não tem hora… é um cara muito disponível para ajudar. Ele tem a técnica e a gente tem a prática. É uma troca de conhecimentos. Ele vem com um trabalho pra preservar a floresta, e, ao mesmo tempo, fazer com que a gente produza mais”, avalia Macedo.
 

NECESSIDADE DE PRESERVAR
 

O veterinário e produtor de gado, Vanucci Vendrami, 35 anos, também começou a sentir a necessidade de preservar, quando as nascentes de água começaram a secar na região de sua propriedade, situada em Juruena.






 

“Isso é problema, porque a gente depende de água para o gado. Então a gente começou a colocar na cabeça que era preciso recuperar as nossas APPs. Nesse processo de recuperação, o REM e a Empaer têm nos ajudado muito com a assistência técnica. Eles forneceram às sementes (para recuperar a mata nativa) e os insumos para fazermos a dessecagem do capim”, destaca Vendrami. 

 

Assim como Seu Ivo, ele está inserido nos projetos do REM MT na região, por meio dos serviços de ATER, oferecidos pelo extensionistas da Empaer. Em sua propriedade, o trabalho de ATER pretende aumentar sua produção bovina de uma para quatro cabeças por hectare. Isso, sem a necessidade de abrir novas áreas, protegendo, principalmente as APPs.
 

PAPEL DA EMPAER
 

Para, José Aparecido dos Santos, coordenador regional da Empaer em Juína, esse é o papel do extensionista rural: “de mostrar ao produtor que ele consegue extrair mais de uma área que já está degradada, ao invés de abrir novas áreas, e proteger as nascentes e as beiras de córregos. Com o trabalho de Ater a gente consegue conciliar tanto a parte ecológica quanto a parte produtiva da propriedade”, reforça. 
 


 

PIMS
 

As propriedades de Ivo, Macedo e Vendramin estão inseridas no eixo Pecuária Sustentável do Subprograma Produção, Inovação e Mercado Sustentáveis (PIMS), do REM MT. O projeto é coordenado pela Empaer-MT, e, ao todo, apoia 1.423 propriedades (no sistema de ATER), duas análises gratuitas de solo, por propriedade; R$ 60 mil para a compra de insumos destinados às 8 URTs e projetos específicos para as mesmas.

 

Segundo a coordenadora do Subprograma PIMS, Daniela Melo, somente no âmbito da restauração ecológica foram investidos cerca de R$ 395 mil reais. Além disso, as URT receberam um investimento de R$ 480 mil (R$ 60 mil por URT) em insumos, que são liberados conforme o desenvolvimento do projeto de cada URT.

 

“O objetivo do PIMS se concentra basicamente em três pilares: o aumento da produtividade, sem o aumento de novas áreas; a redução da área de passivos ambientais, por meio de áreas recuperadas ou em processo de recuperação; e também esse atendimento aos produtores inseridos no Programa REM”, explica Daniela.

 

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