24/03/2022 às 11h18min - Atualizada em 24/03/2022 às 11h18min

Crise está levando muitos suinocultores a abandonar a atividade

Levantamento da Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat) aponta que os produtores estão arcando com prejuízos de até R$ 300 por animal vendido.

Assessoria
ACRISMAT e ACCS
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A crise enfrentada pela suinocultura nacional já é considerada a maior da história. Sem previsão de que a situação seja revertida em curto prazo, a situação financeira dos pequenos e médios produtores, que produzem de forma independente de cooperativas e de frigoríficos, está levando muitos a abandonarem a atividade.

 

O principal motivo da crise é o preço elevado do milho e do farelo de soja. Juntos, os insumos correspondem a mais de 80% do volume da ração fornecida aos animais.


Levantamento da Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat) aponta que os produtores estão arcando com prejuízos de até R$ 300 por animal vendido.

 

“A conta não fecha, tem região onde o suinocultor está recebendo em média R$ 4,40 por quilo do animal, sendo que para produzir a mesma quantidade da proteína o produtor precisa desembolsar algo em torno de R$ 6,90. Para um animal de 120 kg, isso resulta em um prejuízo de aproximadamente R$ 300. Se colocarmos essa situação em uma granja que comercializa cinco mil animais por mês, o prejuízo mensal chega a R$ 1,5 milhão. A conta não fecha”, declara o diretor executivo da Acrismat, Custódio Rodrigues.

 

Preocupada com a situação, a associação cobra, há algum tempo, medidas emergenciais por parte do Governo do Estado para tentar aliviar as perdas, mas até o momento não foram atendidas.

 

Entre as solicitações estão a inclusão de novas finalidades da atividade no Programa de Desenvolvimento Rural de Mato Grosso (Proder) e a redução da alíquota do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) incidente sobre a carne suína no comércio interno e externo.

 

“São situações que podem determinar a continuidade ou não na atividade de dezenas de produtores aqui em Mato Grosso. Uma atividade encerrada por falta de medidas que poderiam ter sido tomadas para evitar esse fim é muito triste. Significa ainda o fechamento de centenas de postos de trabalho, ou seja, menos renda para a população”, pontua Rodrigues.

 

Na tarde da última terça-feira (22), em um grupo de mensagens ao menos três suinocultores mato-grossenses informaram que deixarão a atividade nas próximas semanas. É o caso do suinocultor Leonir Taffarel, de Sorriso (distante 396 km de Cuiabá), que está na atividade há 15 anos e possui uma granja de ciclo completo onde existem todas as fases da criação (gestação, maternidade, creche e terminação).

 

“Quando não conseguimos vender o nosso produto, ele encalha e trava todo o ciclo da nossa produção e com isso a perda acontece desde o início, lá na gestação das matrizes. Infelizmente não terei mais este ‘problema’, estou saindo da atividade e terei que procurar outra coisa para ganhar a vida”, desabafou.

 

Ele conta que chegou a ter 300 matrizes, mas atualmente tem apenas 60. Pretende reduzir ainda mais, para cinco animais e transformar em uma criação doméstica.

 

“Outros dois produtores do município de Campo Verde afirmam não ter mais condições de continuar na suinocultura. São meses trabalhando no vermelho e não tem como sustentar uma atividade que não dá retorno há tanto tempo”, finaliza Custódio Rodrigues.


CONVOCAÇÃO PARA MANIFESTAÇÃO 

 

A situação está muito difícil para os suinocultores independentes, tanto que em entidades estão organizando em Santa Catarina uma manifestação exigindo alternativas do governo federal e estadual para conter o alto custo de produção e a desvalorização do quilo do suíno vivo, produtores uniram forças para promover um grande manifesto na próxima terça-feira (29), na Praça Padre Roer, em frente a Igreja Matriz em Braço do Norte, Santa Catarina, com início às 9h30.

 
Na ocasião, será distribuída carne suína gratuitamente para a população. O intuito do ato pacífico é mostrar a desvalorização do trabalhador rural que não tem seu produto valorizado de forma justa. Além disso, a mobilização visa tornar público a indiferença política diante das demandas urgentes do setor. Por fim, a distribuição de carne suína visa incentivar as pessoas a consumirem mais a proteína.

 
Toda a manifestação terá transmissão ao vivo pelo perfil oficial da Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS) no Facebook e também pelo portal de notícias (www.accs.org.br).

 
Conforme levantamento da ACCS, o prejuízo atual do suinocultor independente passa dos R$ 300,00 por animal vendido. Hoje, o preço pago pelo quilo do suíno vivo é de R$ 5,00 e o custo de produção passa dos R$ 8,00. Esse cenário desesperador ocorre em meio aos recordes de exportação da carne suína e da lucratividade em ascensão das maiores agroindústrias do Brasil.


Fonte: Midianews.com.br



 

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