23/03/2022 às 11h44min - Atualizada em 23/03/2022 às 11h44min

Variedade na gôndola: produção de leite A2 é oportunidade para produtores aumentarem vendas

Produto se apresenta como alternativa para agregar valor entregando ao consumidor solução personalizada às necessidades de melhor digestão de lácteos

Assessoria
INTEGRAL
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Após amargar queda de vendas nos supermercados em torno de 10% em 2021, o enfraquecimento do consumo de lácteos vem impactando a arrecadação para toda a cadeia produtiva ainda nesse ano. Mas, algumas alternativas podem transformar esse número – como vem acontecendo no mercado externo – a exemplo do aumento e diversificação de produtos, como a introdução e fortalecimento de categorias novas, como o leite A2 nas gôndolas.

 

A essencial diferença desse produto se refere a uma fração da caseína, uma das proteínas presente no leite. O leite classificado como A2 contém apenas a β-caseína A2, enquanto o leite convencional possui tanto a β-caseína A2 quanto a β-caseína A1. Na prática isso impacta na forma de consumo do cliente. Por não possuir a β-caseína A1, o leite A2 pode ser ingerido por pessoas que tenham sensibilidade ao peptídeo BCM-7, que é produzido durante a digestão da β-caseína A1. Ou seja, esse leite atende pessoas com dificuldade de digestão dessa molécula. Em caso de ingestão do leite convencional, esses consumidores podem sentir desconforto, produção de gases e fezes mais líquidas, sintomas inclusive que podem ser confundidos com a intolerância à lactose.

 

Segundo o National Institutes of Health, nos EUA, aproximadamente 20% a 25% das pessoas relatam algum desconforto após a ingestão de leite fluido. Esses sintomas são, provavelmente, causados pelo BCM-7, oriundos da digestão da β-caseína A1. “Esse é apenas um recorte de consumo a ser atendido pelo setor. Quando levantamos dados vemos que a menor parcela da população possui intolerância à lactose; e um número maior de consumidores tem essa sensibilidade, facilmente driblada com a ingestão de leite e derivados lácteos A2. Isso demonstra que há um mercado significativo que poderia estar comprando lácteos e que não está sendo atendido”, comenta a médica-veterinária e doutora em Produtividade e Qualidade Animal Helena Fagundes Karsburg, também responsável pela Gestão do Programa de Certificação VACAS A2A2 que permite no Brasil a produção e a comercialização dessa categoria.

 

O projeto de certificação pioneiro no País é um programa criado para assegurar a procedência do produto, garantindo ainda mais robustez, transparência e confiabilidade ao mercado do leite. Ele chega ao Brasil para acompanhar a tendência mundial de produção A2, que vem ganhando cada vez mais força nas prateleiras de todo o mundo. Para ter ideia, na Nova Zelândia essa solução já ocupa espaço nos mercados desde a década de 90. Nos EUA, em 2019, foi verificado um crescimento de vendas superior a 100%, com diferença de valor de até 170% em relação ao leite convencional.

 

“Os números mostram que a adesão de venda de leite A2 não somente atende uma fatia necessária de mercado, como tem um aumento significativo no preço de repasse no ponto de venda. Em tempos de instabilidade de consumo do setor, é uma alternativa importante de diversificação e alcance dos produtos lácteos”, pontua a especialista que tem toda sua trajetória profissional baseada na pecuária leiteira.
 

Como posso ter esse produto no meu negócio?

 

Inicialmente é preciso identificar produtos certificados com o selo VACAS A2A2. De acordo com orientação do próprio Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, é necessário que a fazenda ou indústria seja certificada, assegurando a origem da obtenção do leite e toda a sua rastreabilidade.  Após a comprovação de documentos e garantias de rastreabilidade de valor jurídico e auditáveis, é possível a menção direta no rótulo dos produtos.





 

Para levar a solução ao ponto de venda basta buscar esses produtos certificados e publicitados com a sinalização A2. “O selo de certificação é fundamental para garantir a eficiência do processo produtivo e a confiabilidade aos consumidores que buscam esse produto, especialmente por motivos de saúde”, menciona Karsburg que completa: “é inegável que temos essa lacuna no mercado, ao mesmo tempo que temos uma solução para aumentar o consumo de lácteos. Precisamos unir essas duas pontas e, sem dúvidas, isso fortalecerá a venda de lácteos no país”.


 

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