22/03/2022 às 11h45min - Atualizada em 22/03/2022 às 11h45min

Pesquisadores do IDR-PR utilizam sistema de plantio direto em lavoura de abóbora

A produtividade média das parcelas chegou a 60 toneladas por hectare, enquanto a média na região é de 40 toneladas por hectare.

Redação com assessoria
IDR-Paraná
Agências de Notícias do Paraná
-

O Polo de Pesquisa e Inovação do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná - Iapar - Emater (IDR-Paraná) de Santa Tereza do Oeste doou 500 quilos de abóbora para o programa Banco de Alimentos da Ceasa Paraná. O programa garante o acesso a alimentos de qualidade à população em situação de insegurança alimentar e nutricional. Os frutos entregues foram o resultado de um experimento de campo para avaliação do Sistema de Plantio Direto de Hortaliças (SPDH), coordenado pela pesquisadora Josiane Bürkner dos Santos.


 

O principal objetivo do experimento foi introduzir e difundir o SPDH nas regiões Oeste e Noroeste do Paraná. Foi plantado um hectare, dividido em 36 parcelas, com duas variedades de abóbora, a cabotiá e a moranga. Isso foi feito porque a abóbora cabotiá é um híbrido e suas flores não são autofecundáveis, necessitando da moranga para que haja o cruzamento e produção de frutos.




O plantio das sementes ocorreu na primeira semana de novembro e a colheita no início de março. A produtividade média das parcelas chegou a 60 toneladas por hectare, enquanto a média na região é de 40 toneladas por hectare.



 

De acordo com Josiane, com o experimento foi possível analisar vários aspectos como as melhores coberturas de inverno e verão e as plantas mais indicadas para a rotação de culturas. A pesquisadora observou que no Polo de Pesquisa o plantio de abóbora se desenvolveu bem.


 

“Onde havia trigo mourisco, usado como cobertura, o cultivo se desenvolveu de forma mais saudável, com menor incidência de oídio, em comparação às parcelas sem essa cultura. As coberturas de solo foram auxiliares no cultivo e resultaram em maior produção e frutos com mais qualidade”.

Josiane Bürkner dos Santos - Pesquisadora IDR/PR


 


De acordo com pesquisadores, o SPDH deve seguir alguns princípios básicos:

- o não revolvimento do solo; a rotação de culturas, com a diversificação de espécies comerciais e de cobertura;

- a cobertura permanente do solo, tanto de plantas vivas quanto de resíduos culturais. Dentre os benefícios dessa prática estão a redução das perdas por erosão das chuvas em torno de 90%, perdendo assim também menos nutrientes do solo (adubos, nitrogênio, fósforo e potássio), menores perdas de água por evaporação, lixiviação e consequente economia de água, principalmente das culturas irrigadas, em até 30%.



Outras vantagens são a diminuição dos custos na mecanização em até 75% e o controle de plantas espontâneas, diminuindo o número de capinas. A presença da palhada também reduz os extremos de temperatura em até 10ºC na superfície do solo.





Foto: Experimento apontou ganho de 50% em produtividade utilizando SPDH


 

O SPDH aumenta os teores de matéria orgânica e a ação biológica de minhocas e outros organismos. O sistema ainda contribui para uma menor dispersão de doenças. Tem-se observado que, em função da preservação do solo, pelo maior retorno de resíduos orgânicos, o SPDH permite uma maior recuperação da qualidade do solo. Com isso, o nível de necessidade de reposição de nutrientes é menor, minimizando os custos de adubação, sem prejuízo da produtividade das lavouras.


AGROECOLOGIA 


A partir do experimento de Santa Tereza do Oeste foi possível verificar que as áreas cultivadas neste sistema apresentaram menores perdas causadas por geadas ou estiagem. Josiane informou, também, que o cultivo foi feito com o mínimo de insumos e sempre usando controles agroecológicos ou, até mesmo, orgânicos.



 

“Somente em último caso o agroquímico foi usado para o controle de pragas e doenças. Além disso, foram usados adubos orgânicos e químicos, seguindo estritamente os indicadores da análise de solo, sem excesso de nutrientes”, explicou a pesquisadora.


 

“O custo com insumos foi reduzido e conseguimos uma produção 50% maior que a média da região, apenas com a adubação conforme a análise química. Os agroquímicos foram aplicados somente quando as pragas e doenças ofereciam risco de danos à lavoura, o que reduziu o seu uso. Normalmente o produtor calendariza a aplicação de fungicidas, inseticidas e adubos, o que não é economicamente viável, principalmente na nossa realidade atual”, disse.



 

LEIA TAMBÉM:



O conflito entre a Rússia e a Ucrânia e os impactos sobre o mercado do trigo no Brasil e no mundo





Soja e trigo garantem aumento na produção nacional de grãos





Sistema Antecipe diminui riscos de plantio para milho safrinha





Sistema de plantio direto na lavoura de mandioca aumenta em 50% a produtividade por hectare




Integrar lavoura, pecuária e floresta proporciona menores perdas de solo, água e nutrientes que no Plantio Direto

 


 

 

Link
Tags »
Notícias Relacionadas »
Comentários »
Disqus exige que voce se registre seu site. Voce pode fazer isso a partir de Registre-se
Fale pelo Whatsapp
Atendimento
Precisa de ajuda? fale conosco pelo Whatsapp