20/05/2020 às 09h46min - Atualizada em 20/05/2020 às 09h46min

PECUÁRIA LEITEIRA: Custo de produção aumenta novamente em abril

Dólar elevado infliência diretamente no custo de alguns insumos

Redação com assessoria
CEPEA/Esalq
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O custo de produção da pecuária leiteira registrou novo aumento em abril. Na “média Brasil” (BA, GO, MG, PR, RS, SC e SP), os desembolsos do produtor cresceram 0,36% frente a março. Com isso, o Custo Operacional Efetivo (COE) acumula alta de 3,55% em 2020. Suplementação mineral e concentrado foram os itens do COE que mais influenciaram a elevação dos custos. Os insumos de suplementação mineral se valorizaram 2,19% em abril na “média Brasil”.

Por conter matérias-primas importadas, os preços dos sais minerais tendem a acompanhar a movimentação do dólar, que, ao considerar as médias mensais, subiu mais de 8% frente ao Real em abril. Outro grupo de insumos que favoreceu a alta dos custos foi o concentrado.

Os preços das rações subiram 1,20% em abril na “média Brasil”, acumulando aumento de 7,65% em 2020. Vale lembrar que o concentrado é, em geral, o principal custo nas propriedades leiteiras, respondendo por 9% a 66% dos desembolsos; portanto, o produtor de leite deve planejar e gerenciar bem seus estoques para aproveitar oportunidades favoráveis de compra.

MILHO: Clima preocupa e vendedores voltam a se retrair
 

A retração de vendedores de milho e a demanda mais firme elevaram os preços do cereal no Brasil na primeira quinzena de maio. Vendedores estão retraídos devido às preocupações com a irregularidade das chuvas no Sul, Sudeste e em Mato Grosso do Sul, o que deve limitar o potencial produtivo das lavouras. Do lado dos compradores, esses agentes realizam negócios pontuais, abastecendo-se apenas para o curto prazo.

Além disso, a forte valorização do dólar também elevou as cotações nos portos de Paranaguá (PR) e de Santos (SP) – para o segundo semestre, os preços já chegaram a R$ 51,00/saca de kg. Apesar do aumento, as negociações ainda seguem calmas. Nesse cenário, a valorização do cereal foi observada na maioria das praças acompanhadas pelo Cepea. Na média das regiões, os preços no mercado de balcão (preço pago ao produtor) subiram 5,4% e, no mercado de disponível (negociações entre empresas), 3,2%.

Na região de Campinas, o Indicador ESALQ/BM&FBovespa (base Campinas/SP) fechou no dia 15 de maio a R$ 50,57/saca de 60 quilos, avanço de 4,6% em relação ao dia 30 de abril. Porém, na média mensal, o cereal foi comercializado a R$ 49,87/sc, 5,8% abaixo da média de abril (R$ 52,92/sc). A queda mensal foi reflexo da ausência de compradores na segunda quinzena de abril. A maioria deles se afastou do mercado por estar preocupada com a demanda do setor pecuário, importante consumidor do cereal para a produção de ração.

FARELO DE SOJA: Altas do dólar e da soja elevam preços no Brasil 

Os preços de farelo de soja subiram no mercado brasileiro na primeira quinzena de maio – vale mencionar que 18 das regiões acompanhadas pelo Cepea registraram recordes nominais na parcial deste mês. Esta alta está atrelada às expressivas valorizações do dólar, de 8,3% na primeira metade de maio, com média de R$ 5,7720, que segue elevando a competitividade da oleaginosa entre indústrias brasileiras e compradores externos, e da soja em grão.

Assim, representantes das indústrias nacionais sinalizam ter menor poder de compra de soja e redução na margem de lucro. Enquanto os preços do grão avançaram mais de 7% na primeira quinzena de maio, os valores do farelo de soja subiram 3,6% na média das regiões acompanhadas pelo Cepea. O repasse nas vendas do óleo foi ainda menos significativo, de 2,8%. Ainda assim, as indústrias indicam que estão conseguindo repassar a alta dos preços do grão aos derivados, diante da firme demanda externa por farelo, contribuindo para que a margem de lucro não ceda expressivamente.

No entanto, representantes de indústrias já se preocupam com uma possível queda nos lucros nos próximos meses, diante das incertezas quanto ao abastecimento da matéria-prima no segundo semestre. Do lado dos consumidores nacionais de farelo de soja, uma parte indica ter lotes para receber até o final de maio. Já outra parcela tem adquirido lotes apenas para consumo em curto prazo, reportando dificuldades em repassar o preço pago pelo insumo para os produtos finais.

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