09/03/2022 às 10h18min - Atualizada em 09/03/2022 às 10h18min

Como a tecnologia auxilia no controle da mastite?

Prof. Marcos Veiga faz um panorama sobre o impacto da inovação para a construção de uma pecuária leiteira mais sustentável e moderna

Redação com assessoria
OnFarm
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A demanda de consumo da proteína animal, incluindo o leite, apresenta uma estimativa de crescimento de 70% nos próximos anos, o que desafia o produtor a atingir uma maior eficiência na sua produção, com boa rentabilidade, ao mesmo tempo em que precisa atuar de forma socialmente sustentável e cumprir o seu importante papel fornecendo alimento de qualidade. 

 

Na pecuária leiteira, toda tomada de decisão precisa ser rápida e eficaz para evitar desperdícios e prejuízos para os diferentes elos da cadeia produtiva. Ter a tecnologia como uma aliada próxima é essencial para que a bovinocultura de leite encare esse desafio de aumento de demanda e possa superar as expectativas, com melhores resultados em qualidade e em índices produtivos.

 

Durante o lançamento da Rumi, a inteligência artificial do produtor parceiro da OnFarm e que faz parte do maior ecossistema de soluções digitais para a pecuária no Brasil, o Médico Veterinário e Professor Titular do Departamento de Nutrição e Produção Animal da FMVZ-USP, Marcos Veiga, contou um pouco sobre a importância da tecnologia na pecuária leiteira e como ela se faz presente nos dias de hoje, abordando principalmente as tecnologias para o controle e tratamento  da mastite, doença que impacta toda a cadeia produtiva.

 

“Há mais de 30 anos a tecnologia dentro da fazenda vem evoluindo, assim como os próprios animais. Inicialmente a maior preocupação do pecuarista era a mastite contagiosa, mas com a melhoria genética dos animais, melhoria no cuidado sanitário do ambiente em que elas ficam e melhoria na nutrição, hoje temos vacas mais produtivas e com um perfil de mastite muito diferenciado”, explica Marcos. Ainda segundo ele: “Hoje os produtores necessitam de ferramentas e estratégias para lidar com o grande desafio que é a mastite, doença que mais causa impacto negativo no setor, com sustentabilidade e garantindo o bem-estar e saúde dos animais e dos consumidores”.

 

Na visão do profissional, três questões principais demonstram o impacto da tecnologia na gestão das propriedades leiteiras e na construção de uma pecuária mais sustentável e eficiente.

 

Como a tecnologia impacta o produtor? 
 

Com a grande capacidade atual de obtenção de dados em todos os setores da fazenda por meio dos equipamentos já presentes no dia a dia do campo, associada ao armazenamento de informações e à possibilidade de transmissão de acontecimentos relevantes em tempo real, o produtor está mais informado sobre o seu plantel e com um compilado de dados relevantes que dão suporte às suas tomadas de decisões. 

 

Hoje é possível ter todas as informações importantes para a fazenda de leite na palma da mão, através de smartphones, tablets e laptops. Assim é possível realizar o reconhecimento de problemas e de indicadores de problemas futuros, atuando no controle e na prevenção de forma mais rápida e eficiente. 

 

Com os modelos de inteligência artificial, como é a Rumi, que tem um robusto banco de dados construído ao longo de anos focado na identificação do agente causador da mastite e nos tratamentos mais bem-sucedidos contra aquele agente, o problema da mastite é solucionado ainda em seu início, evitando grandes perdas na produção e custos elevados com tratamento e mão de obra.

 

Por que a tecnologia é aliada do produtor?
 

A evolução tecnológica dentro da fazenda torna os processos mais ágeis, precisos, e possibilita uma melhor distribuição de mão de obra pela propriedade. Além de trazer mais segurança para os processos, as tecnologias também estão alinhadas com a melhoria do bem-estar do animal e sua sanidade, o que resulta em uma produção de mais qualidade e em maior quantidade. Tudo isso promove uma maior lucratividade para o produtor e ajuda a transformar a pecuária leiteira em um setor mais rentável e competitivo. 

 

Como a Inteligência Artificial contribui para o controle da mastite?

 

Unindo o binômio:  monitoramento e previsão. A Inteligência artificial recebe os dados de monitoramento e consulta em seu robusto banco de dados, obtidos na análise de casos semelhantes em outros animais e fazendas, a fim de informar o produtor qual a melhor estratégia para o controle e prevenção da doença na sua propriedade. Isso pode ocorrer de diversas formas:
 

  • Ordenha voluntária

É capaz de identificar cada animal individualmente e as alterações na composição do leite através de dados visuais, facilitando o diagnóstico precoce da mastite. A tecnologia tem a capacidade de previsão com cerca de 80% de sensibilidade para detecção da mastite clínica.

 

  • Predizer o status de CCS

 

É possível predizer o status de CCS (contagem de células somáticas) de uma vaca considerando as informações do mês anterior com 75% de acurácia. Isso permite uma tomada de decisão antecipada e adoção de estratégias de controle antes que o problema se agrave.

 

  • Algoritmo de imagem

 

É possível identificar 80% dos animais que apresentam casos de hiperqueratose nos tetos, um indicativo de problemas de ordenha ou no equipamento. A cada 10 vacas com o problema, 8 são identificadas. 

 

Os algoritmos de imagem são mais eficientes do que o olhar humano para auxiliar no diagnóstico e na interpretação de resultados baseados em informações visuais. No caso da Rumi, o algoritmo de imagem junto com toda a rede neural criada através do seu sólido banco de dados é capaz de identificar na da placa de cultura bacteriana o agente causador da mastite. A partir daí, ela consulta seu banco de dados mais uma vez, buscando o melhor tratamento contra aquele agente e protocolos que tiveram maiores índices de cura em casos semelhantes nas fazendas parceiras da OnFarm, auxiliando a escolha do Médico Veterinário.

 

Através desses dados se baseiam decisões que envolvem descarte do leite, se o animal necessita de tratamento ou não, e sobre a qualidade do produto a ser comercializado. É uma participação mais ativa e estratégica na produtividade e desempenho da propriedade, sem renunciar ao bem-estar animal, à qualidade dos produtos e à sustentabilidade.

 

Com todas as informações disponíveis nas fazendas leiteiras, as Inteligências Artificiais são programadas para agrupar, comparar e destacas informações relevantes às questões de interesse do produtor de maneira contínua.  Desta forma, a rapidez na tomada de decisão baseada em dados interfere positivamente nos resultados do rebanho. 

 

Para que isso seja uma realidade cada vez mais possível e acessível à todos os produtores de leite, é necessário que as tecnologias permaneçam em contínuo desenvolvimento, aprimoramento e validação, além de ter fácil usabilidade para todos os envolvidos no dia a dia da fazenda. Assim foi desenvolvida a Rumi, que em breve também atenderá todas as outras empresas que fazem parte do ecossistema Rúmina.
 

A democratização do acesso à tecnologia e a Inteligência Artificial como aliadas do produtor amplifica os melhores caminhos e as decisões mais acertadas que podem ser tomadas, identificando problemas, antecipando situações e sugerindo soluções para uma pecuária leiteira mais produtiva e rentável.



 


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