26/02/2022 às 08h33min - Atualizada em 26/02/2022 às 08h33min

Preço do leite pago entre laticínios (spot) teve alta de 18% de janeiro para fevereiro, será que sobe 10% para o produtor?

Essa é a hora dos produtores pressionarem, afinal o Conseleite serve para equilibrar realmente as coisas ou é a raposa cuidando do galinheiro?

Emerson Luis Calcanhoto
Cepea / Assembleia Legislativa de Mato Grosso
-
Segundo dados divulgados nesta sexta-feira, 25, pelo Cepea em seu boletim de acompanhamento do mercado leiteiro, o leite do mercado spot, que é leite negociado entre indústrias(laticínios) subiu 18% de janeiro a fevereiro de 2022.


O estudo mostra que, em Minas Gerais, o preço médio do leite spot saltou de R$ 2,05/litro na primeira quinzena de janeiro para R$ 2,43/litro na semana anterior ao carnaval.


Ainda segundo o Cepea, as indústrias estão pagando mais caro pela matéria prima e vêm forçando o repasse da alta no campo para o preço dos derivados desde a segunda quinzena de janeiro. A diminuição das importações nos últimos meses e o aumento das exportações de leite em pó em janeiro colaboraram para o controle dos estoques, o que elevou o poder de negociação das indústrias frente aos canais de distribuição.


E se os laticínios estão recebendo mais pelo leite, este é um excelente momento para os produtores rurais exigirem que este aumento seja repassado para quem produz o leite e que arca com os maiores custos de produção do produto.



O mesmo estudo apresentou que a situação da relação de troca leite x insumos está cada vez pior, para se ter noção, em dezembro eram precisos em média, 41,5 litros de leite para adquirir uma saca de 60 kg de milho, em janeiro, com a queda no preço do leite e a valorização do milho, o pecuarista precisou de, em média, 45,5 litros para a mesma compra.


Fazendo uma conta simples, só com a alta do milho o pecuarista teve uma redução de 9,7% no poder de compra de um mês para o outro. Para piorar, os preços de outros insumos, como suplementos minerais, antibióticos, adubos e corretivos, continuaram subindo, estão corroendo a margem do produtor de leite.


Neste início de ano tudo sofreu reajuste, mais o produtor está perdendo dinheiro de todo lado, perde para a inflação, perde para o dolar que eleva o preço do milho e do farelo de soja, perde para o diesel do trator, perde para energia, perde para o salário do funcionário que aumentou, e perde para o laticínio.


Só quem não enxerga isso são os diretores dos Conseleites, que diante de tudo  isso ainda tem coragem de abaixar o preço do leite pago ao produtor.


Enfim, a situação é tão dura, que daqui a pouco a metade dos produtores para de produzir e vamos importar leite pagando o preço que o mercado internacional cobrar.



Esse é o momento dos pecuaristas se unirem, tem que ter movimento nas redes sociais, nas reuniões dos Conseleites, nos Sindicatos Rurais, nas Câmara de Vereadores, nas Assembleias Legislativas, vai continuar como está, tem que fazer barulho, só assim vai chegar aos ouvidos de quem pode ajudar a resolver o problema.  
 
 
A hora de fazer barulho é agora e um exemplo de que barulho da resultado é o que está acontecendo em Mato Grosso, por lá, os pecuaristas começaram a paralizar a entrega do leite aos laticínios e em algumas cidades da região leste do estado, foram para o centro da cidade de forma pacífica e começaram a doar leite para a população, com isso a imprensa falou, a televisão mostrou, e a notícia chegou no gabinete do deputado estadual Gilberto cattani (União Brasil), que é ligado aos agricultores familiares, e que então fez um requerimento pedindo a criação de uma CPI (comissão parlamentar de inquérito) na Assembleia Legislativa de MT para fiscalizar os desmandos no negócio do leite.



Pequenos produtores rurais fazem distribuição de leite em forma de protesto — Foto: Reprodução

Pequenos produtores rurais fazem distribuição de leite em forma de protesto — Foto: Reprodução


Foto: Pequenos produtores rurais fazem distribuição de leite em forma de protesto / arquivo G1



Em seu discurso na tribuna da AL-MT, no momento em que apresentou o requerimento o deputado afirmou o que todos os produtores de leite já sabe a muito tempo: 

 
“O leite é o único produto em que o produtor não sabe por quantos ele está vendendo. O produtor tira leite por 30 dias e entrega para a indústria. Ele recebe então 20 dias depois, mas não sabe quanto ele vai receber, é a indústria que decide quanto irá pagar. O valor quase sempre é inferior ao custo da produção do leite e isso acontece desde sempre. São raras as vezes que cobre o custo”.

Deputado Estadual Gilberto Cattani
 


O parlamentar, por fim, afirmou que tem um acordo para que deputados estaduais de outros estados também apresentem a mesma proposta de criação de CPI para fortalecer nacionalmente os pequenos e médios produtores de leite.


 

“Temos um acordo com o deputado estadual Amauri Ribeiro, de Goiás, com o deputado Bruno Engler, de Minas Gerais, e estamos em conversa com a Assembleia de Rondônia para que possa ser feita esta luta nos quatros estados para que isso chegue ao Ministério da Agricultura”, finalizou.


Está é a hora de produtores de leite se precionarem, buscarem apoio destes e de outros deputados para que o Brasil possa conhecer a situação real que os produtores de leite estão enfrentando a muitos anos.


Contem o portal Terra e Negócios, se for preciso vamos escrever toda semana sobre o assunto, estamos juntos nesta batalha!





 

  
 


LEIA TAMBÉM:




Silagem de trigo: desenvolvida cultivar adaptada para diminuir a dependência do milho 



 Silagem da rama da mandioca é apresentada como mais uma opção para o produtor durante estiagem





Silagem de soja na propriedade reduz custos com ração seca para gado de leite




Conheça as principais vantagens da silagem de capim para a pecuária leiteira





Silagem de Capim-elefante tem alta produtividade e a implantação custa muito menos que outras variedades


Link
Tags »
Notícias Relacionadas »
Comentários »
Disqus exige que voce se registre seu site. Voce pode fazer isso a partir de Registre-se
Fale pelo Whatsapp
Atendimento
Precisa de ajuda? fale conosco pelo Whatsapp