05/02/2022 às 13h28min - Atualizada em 05/02/2022 às 13h28min

Conheça o “Ranking Nacional da Desvalorização da Pecuária Leiteira”

A lista traz os 5 estados em que o produtor está praticamente pagando do próprio bolso para pôr leite na mesa da população

Emerson Luis de Mesquita
CEPEA/Esalq / Embrapa Gado de Leite / Scot Consultoria
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O leite está entre os cinco produtos agrícolas mais consumidos diariamente na mesa dos brasileiros, e é sem dúvida um dos alimentos mais importantes para humanidade, afinal consumimos leite desde o dia em que nascemos.

 
O Brasil tem aproximadamente 1,15 milhões de produtores de leite, e cerca de 70% destes fazem parte da agricultura familiar, segundo dados do IBGE de 2017. Estes produtores são responsáveis por captar cerca de 35 bilhões de litros de leite por ano. O rebanho brasileiro de vacas atinge aproximadamente 16,3 milhões de cabeças. E o país ainda importa leite.

 
Para quem não sabe, ou não é do meio rural, a produção de leite é uma atividade rurais mais cansativas, e além disso ela não para nunca, produtor de leite trabalha 7 dias na semana, 30 dias por mês, 365 dias no ano, sem folga, feriado ou dia santo.


Apesar do leite ser um produto tão importante para alimentação das famílias e para o agronegócio brasileiro, ele é um dos produtos agrícolas menos valorizados, e o produtor de leite ainda menos.

 
Para se ter uma ideia, uma lata de cerveja de 330ml é vendida a R$3,80 no mercado, o mesmo preço de 1 litro de leite. E destes R$3,80 a R$4,00 que pagamos pelo leite na prateleira dos supermercados, o produtor fica com aproximadamente R$1,99 segundo a média Brasil (Cepea/Esalq).

 
Pode parecer bom, mas segundo os produtores, precisava ser bem melhor já que os custos para produção estão na casa de R$1,20/litro e com previsão de aumentar, já que o preço do milho e da soja utilizados na nutrição das vacas está subindo todos os dias. O milho teve alta de cerca de 78% no último ano, e a soja aumentou praticamente 90% desde abril de 2020. No mesmo período o preço do leite foi corrigido em cerca de 40%.

 
Mas existem estados brasileiros em que o preço pago pelos laticínios ao produtor não está cobrindo os custos, quanto mais compensar a mão de obra que a atividade dá. Diante disso, aproximadamente 14 mil famílias deixaram a atividade no último ano.

 
Segundo os produtores, além do baixo preço, a desvalorização e o desinteresse do poder público em ajudar a mante-los na atividade tem desestimulado ainda mais.

 
Como o lema do nosso portal é “a notícia a serviço do produtor rural”, resolvemos criar o ranking brasileiro da desvalorização do leite, para mostrar ao poder público e a sociedade, onde o produtor está praticamente pagando para trabalhar.

 
Vamos ao ranking:
 
 
#1° lugar - Rondônia
 
O estado de Rondônia tem o pior preço do litro de leite pago ao produtor rural no Brasil, a informação foi confirmada pelo Conseleite do estado.

 
Hoje o produtor rondoniense recebe cerca de R$1,20/litro, e é tão ruim que no mês de abril estes produtores fizeram grave e deixaram de entregar o leite aos laticínios.

 
Ainda assim, em volume de produção, Rondônia ocupa a 7° posição, o que demonstra existir animo do produtor para trabalhar, o que falta é incentivo.
 
#2° lugar - Pará

 
Se você pensa em produzir leite e mora no Pará, é melhor fazer bastante conta, pois por lá, os laticínios pagam cerca de R$1,25/litro ao produtor na média, e com 30 dias de prazo.

 
O estado tem uma das piores médias de produção do país, cerca de 2,2 litros/dia por vaca na média. Que são criadas a pasto, com baixo emprego de tecnificação.

 
Apesar disso, o estado que ocupa a 12° posição entre os maiores produtores de leite do país, e também não tem feito a lição de casa na hora de valorizar o produtor.
 
 
 
#3° lugar - Bahia
 
O terceiro colocado no ranking de desvalorização da produção de leite é a Bahia, por lá, além de enfrentar as dificuldades climáticas com longos períodos de estiagem, o produtor ainda sofre com o baixo preço pago pelo leite.

 
Duas das principais cidades que produzem leite no estado são Feira de Santana e Itabuna, ambas na região sul do estado, e por lá o produtor recebe cerca de R$1,36/litro em Feira de Santana, já em Itabuna o preço praticado é um pouco melhor R$1,40/litro.

 
Por conta do baixo preço e do desestímulo do produtor em investir na atividade o rebanho leiteiro do estado tem produtividade bem abaixo do restante do país.
 
 
#4° lugar - Tocantins

 
O Tocantins tem se destacado em diversos setores do agronegócio, mais quando o assunto é leite, a coisa é bem diferente. O estado tem um dos piores preços pagos ao produtor, por lá se recebe R$1,40/litro na média.

 
A situação dos produtores é bem ruim, em parte devido ao preço atual de soja e milho, utilizados na alimentação das vacas.

 
Para tentar apoiar o produtor, o governo do estado criou uma linha de crédito um empréstimo de R$1.000,00 a R$6.000,00 com até 30 meses para pagar.

 
A região norte é a campeã de preço baixo no leite, com 3 estados na lista.
 
 
#5° lugar - Ceará
 
Fechando a lista, temos o Ceará que segundo os institutos de pesquisa tem praticado o preço médio de R$1,55/litro pago ao produtor.

 
A situação é tão ruim quanto dos outros estados da lista, mas em se tratando de estados do Nordeste, temos que lembrar que devido ao clima do semiárido, a alimentação do rebanho é praticamente composta por soja e milho, o que em dias atuais torna inviável a atividade.


Desde o ano passado os produtores tem vendido seus animais para outros estados da região.


Fonte: os dados extraídos de índices de preço do seguintes institutos:


Scot Consultoria - 
https://www.scotconsultoria.com.br/cotacoes/leite-cotacoes/?ref=smn  
 
- Embrapa Gado de Leite - 
https://www.cileite.com.br/



 



 
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