27/01/2022 às 17h22min - Atualizada em 27/01/2022 às 17h22min

Em reunião com a Ministra Tereza Cristina lideranças da suinocultura pedem medidas emergências de apoio ao setor

Em audiência híbrida com a Ministra, lideranças solicitam medidas que possam minimizar os efeitos ocasionados pelos altos custos de produção e o baixo preço pago no quilo dos animais

Assessoria
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Medidas emergenciais de apoio à suinocultura, devido ao alto custo de produção, foram os temas centrais de audiência realizada entre a Ministra da Agricultura, Tereza Cristina, juntamente com os Secretários de Política Agrícola da Pasta, Guilherme Bastos Filho, e de Comércio e Relações Internacionais, Orlando Leite e com os Presidentes das Associações filiadas estaduais e frigoríficos membros do Sistema da Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS).

A agenda ocorreu na última quarta-feira (26), de forma híbrida, na sede do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), em Brasília.

 

O Presidente da ABCS, Marcelo Lopes, esteve presencialmente na agenda juntamente com o Presidente da Frente Parlamentar Mista da Suinocultura e Deputado Federal, Covatti Filho (PP-RS), com o Presidente da Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (ACRISMAT), Itamar Canossa, com o Presidente Associação de Criadores de Suínos do Rio Grande do Sul (ACSURS), Valdecir Folador e com a consultora de relações governamentais da ABCS, Luciana Lacerda.    


Alta no custo de produção





 

De acordo com os dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) no período de fevereiro/2020 a janeiro/2022, a soja subiu 105% e o milho 80%, sendo que o preço pago ao quilo da carcaça suína não se manteve na mesma intensidade, apenas 17%, e com pico máximo de aumento de 75% durante o mês de novembro de 2020.


O Presidente da ABCS, Marcelo Lopes, solicitou à Ministra de Estado e sua equipe, maior atenção para estabelecer medidas que possam minimizar os efeitos ocasionados pelos altos custos de produção e os baixos valores pagos aos suínos produzidos pelos produtores independentes.  “Um dos nossos pleitos é a possibilidade de manter a isenção das alíquotas de contribuição incidentes na importação do milho (PIS/COFINS) até dezembro de 2022, pois a desoneração é um meio de dar folego aos produtores, tendo em vista a alta do custo de produção”.


 

O presidente Lopes ponderou que atualmente a conta do setor não fecha e que os produtores do Brasil estão ficando no negativo. “Sabemos que não há mágica, mas queremos construir com o MAPA possíveis alternativas, a curto prazo, para melhorar a situação econômica do setor”.  O presidente da Frente Parlamentar Mista da Suinocultura e deputado Federal, Covatti Filho reforçou que a estiagem no Sul do país e no Mato Grosso do Sul intensificou ainda mais o cenário difícil que a suinocultura tem enfrentado. “Nos dados mais atuais, os suinocultores vêm trabalhando no prejuízo, com os custos de produção maior que o valor pago para produzir os animais”.

 

Ainda na agenda, Lopes reforçou a equipe do MAPA medidas, como: a possibilidade de promover linhas de créditos para momentos de crise, por meio das instituições bancárias que operam crédito rural; a reativação da linha de crédito de custeio, direcionada para a Retenção de Matrizes Suínas (com a concessão de limite de crédito de 2,5 milhões de reais por beneficiário); e a prorrogação do prazo de pagamento dos custeios pecuários em um ano conforme previsto no Manual de Crédito Rural.

 

Na oportunidade a Ministra Tereza Cristina ouviu todos os representantes da suinocultura que participaram da agenda e disse que irá priorizar, com a equipe técnica da Pasta, as propostas citadas pelo setor e também outras, com intuito de minimizar os impactos negativos que o produtor está tendo. “Estamos acompanhando aqui no Ministério o que está acontecendo com a suinocultura, mas ter a oportunidade de ouvir as lideranças do setor na reunião nos possibilitou entender mais o cenário vivido pelos suinocultores – agora é buscar soluções e trabalhar com agilidade”. A Ministra lembrou ainda que atuar em prol da suinocultura é fortalecer o emprego no campo e a balança comercial do Brasil, na qual o agro é essencial.

 

O Secretário de Política Agrícola (SPA), Guilherme Bastos, trouxe algumas linhas de crédito que estão operando bem nas instituições financeiras e que devem ser analisadas pelos produtores. Bastos comentou ainda sobre a possibilidade da CONAB oferecer milho balcão, no preço de mercado, aos produtores menores e que estão tendo dificuldade de encontrar o produto. Ao final o Secretário reforçou que está à disposição da ABCS para discutir também uma proposta de seguro rural, que atenda de forma assertiva a suinocultura.

 

Ainda na audiência, as lideranças da suinocultura ouviram um panorama sobre a abertura de novos mercados internacionais para escoar a produção de forma mais avançada e envolvendo grande parte da equipe. Conforme o Secretário de Comércio e Relações Internacionais, Orlando Leite, atualmente países como Canadá, Peru e México estão em processo de negociações com o Brasil, com cenário bastante positivo e com as ações bastante avançadas. Já mercados como Coréia do Sul e Japão também estão na pauta das exportações da carne suína, porém requerem maior tempo de negociação.


A Diretora Técnica da ABCS, Charli Ludtke, reforçou que o trabalho da Secretaria de Relações Internacionais e de Defesa Agropecuária é fundamental para promovermos a diversificação dos mercados internacionais, e permitir o escoamento do excesso de ofertas da carne suína, que não está sendo absorvida na totalidade no mercado interno. “Sabemos que as negociações internacionais são de longo prazo, mas é importante que elas estejam sempre na pauta principal do MAPA, pois garantirão a sustentabilidade do setor”.  


 

Para fechar, a Ministra reforçou que o MAPA está “de portas abertas para a ABCS e que as ações de curto, médio e longo prazo para o setor são e serão prioridades da Pasta nesse momento”.

 

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