09/05/2020 às 11h56min - Atualizada em 09/05/2020 às 11h56min

Camarão no cerrado: Família de piscicultores recebe apoio da Emater-GO para implantar projeto pioneiro

Projeto Camarão do Cerrado, promete impulsionar criação de camarões em Goiás; expectativa de produção da primeira despesca é de três mil quilos.

Redação com assessoria
Emater GO
Emater

Uma família de pequenos produtores rurais de Águas Lindas de Goiás, município do Entorno do Distrito Federal, irá promover no próximo sábado, 09 de abril, a primeira despesca oficial de camarão-da-malásia em sua propriedade. A ação faz parte do Projeto Camarão do Cerrado, empreendimento desenvolvido pela família e pioneiro na criação de camarões na região, com expectativa de produção, inicialmente, de três mil quilos.

Encabeçada pelos três irmãos Xavier – Charles, Shirlei e Sirlei –, a iniciativa começou  quando o mais velho, Sirlei, fez um curso de piscicultura juntamente com sua esposa, o que despertou o interesse pela criação de camarões. Após introduzir a ideia para a família, eles buscaram capacitações na área, para conhecerem as espécies mais viáveis para a região. No Rio de Janeiro, quando realizaram mais um curso e uma visita técnica a um produtor do estado, se inteiraram sobre o camarão-da-malásia, também conhecido como gigante-da-malásia, uma variedade própria para a água-doce e muito procurada para criação em viveiros.

De acordo com Charles Xavier, todo o processo se iniciou há cerca de um ano e meio. “Depois de fazermos uma reunião com toda a família para decidirmos se começaríamos ou não, procuramos a ajuda da Emater para nos orientar quanto a parte técnica”, contou. O técnico-agrícola da unidade local, Daniel Pereira, explicou que a Agência Goiana participou de todas as etapas metodológicas, como a escolha da área, dimensionamento e escavação dos tanques, preparo do solo e adubação. “Além disso, nós oferecemos orientações quanto à legislação ambiental, ajudando a fazer a outorga da água e licenciamento através dos órgãos competentes”, acrescentou.

A espécie de alevino escolhida pelos irmãos, cujo nome científico é Macrobrachium rosenbergii, é um animal que se adapta com facilidade à criação em diversas condições do mundo. Apesar disso, como ressalta o livro “Camarão da Malásia: Cultivo”, da tradicional Coleção Criar, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), nesta atividade é importante que o cultivo seja conduzido de maneira absolutamente profissional para garantir seu sucesso, como foi o caso da família Xavier.



Segundo levantamento realizado pelos próprios produtores, não existe nenhum outro viveiro de camarões na região de Águas Lindas e o Projeto Camarão do Cerrado se apresenta como mais um motor econômico para o setor de aquicultura, impulsionando a criação de crustáceos em Goiás. Dados da Emater apontam que o estado possui cerca de dois mil produtores na atividade de piscicultura.

Outra característica importante é a qualidade do camarão, criado da maneira mais natural possível. “Por ser de água-doce, a espécie não contém iodo, reduzindo os riscos de alergia. O sabor, no entanto, é o mesmo do camarão marinho, com cheiro mais suave. Nós criamos eles de forma quase 100% natural, sem areação mecânica e quantidades mínimas de ração”, pontuou Charles. A intenção, de acordo com ele, é elaborar tabelas de comercialização voltadas tanto para varejo quanto para atacado, ou seja, diretamente para a clientela final e para restaurantes, peixarias e outros estabelecimentos, disponibilizando um produto de excelência no mercado goiano.


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