23/12/2021 às 09h39min - Atualizada em 23/12/2021 às 09h39min

Agricultores buscam nos biofertilizantes uma alternativa para reduzir os custos na adubação das lavouras

A disparada do preço dos fertilizantes em 2021 tem levado muitos produtores a procurarem soluções mais econômicas sem comprometer a produtividade.

Redação com assessoria
Emater MG
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A disparada do preço dos fertilizantes em 2021 tem levado muitos produtores a procurarem soluções mais econômicas para adubar as lavouras, sem comprometer a produtividade. Com isso, tem crescido o interesse pelo uso de práticas agroecológicas e biofertilizantes, principalmente nas pequenas propriedades.

Por conta da crescente demanda na área a Emater-MG está promovendo cursos e treinamentos como o 1º Encontro sobre Transição Agroecológica, realizado em Cataguases, na Zona da Mata.

No encontro, os técnicos tem apresentado aos participantes um novo conceito de fertilização do solo, com a produção livre de agrotóxicos, por meio de preparos, compostos e biofertilizantes, que são adubos produzidos na propriedade, utilizando materiais existentes no local como esterco, leite, cinzas e outros.

“Com a alta de preço dos fertilizantes industrializados, está havendo muita procura por práticas e técnicas agroecológicas. Produtores que nunca pensaram em usar biofertilizantes estão passando a usar, principalmente em pequenas áreas”, comenta Fernando Tinoco, coordenador da Emater-MG.

Os agricultores aprendem também o passo a passo das principais caldas e adubos orgânicos. Além da aula prática, os participantes receberam uma apostila com informações e receitas para utilizarem no dia a dia de suas propriedades. “A partir dessa iniciativa, pretendemos disseminar estas práticas para mais produtores do município”, diz o extensionista local, Luiz Fernando Godinho.

Preços dos fertilizantes dobraram

Segundo a Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o valor dos fertilizantes subiu mais de 100%, de janeiro a setembro deste ano. No período, os preços da ureia, do MAP (fosfato monoamônico) e do KCL (cloreto de potássio) subiram 70,1%, 74,8% e 152,6%, respectivamente. A forte alta se deve a uma combinação de preços internacionais elevados, grande demanda, escassez da oferta mundial e problemas logísticos. E como se trata de componentes fundamentais para o plantio das safras agrícolas, os custos da produção agropecuária foram para as alturas.

Fernando Tinoco diz que o ideal é que a migração do sistema tradicional para o agroecológico seja feita com o acompanhamento de um profissional da área, como os extensionistas da Emater-MG. Mas o coordenador dá algumas orientações para o produtor que trabalha no modo tradicional e está interessado em adotar técnicas agroecológicas.

“Ele pode iniciar fazendo a compostagem, que é a decomposição de materiais orgânicos. Como adubo de plantio, dá para fazer a mistura de esterco de vaca ou galinha, palhada (bagaço de cana ou capim picado) e /ou acrescentar minerais. Para algumas culturas, a gente pode usar a mistura não só para o plantio, como também na adubação de cobertura”, explica.

Já os biofertilizantes líquidos são mais indicados como adubos de cobertura. “O mais simples e fácil de preparar são os biofertilizantes a base de esterco fresco de vaca e de cama de frango, acrescido também de alguns minerais, dependendo da cultura. Aí deixamos fermentar em caixas plásticas ou bombonas por um período aproximado de 30 dias”, diz Tinoco.

Bioinseticidas

A compostagem leva cerca de 90 dias para fermentar e estar apta para o uso. Tinoco explica que não é bom usar o esterco fresco diretamente na planta, por ter algumas bactérias e outros microrganismos que podem contaminar os alimentos.

“Além de serem utilizados como adubo foliar e de cobertura, os biofertilizantes também são considerados repelentes de insetos pelo forte cheiro. Eles ajudam ainda no aumento da vida do solo, pois a flora microbiana possibilita a melhor liberação e absorção de minerais do solo, que antes estavam pouco disponíveis. Com isso, melhora a absorção desses elementos pelo sistema radicular das plantas e, com o passar do tempo, elas se tornam mais vigorosas e produtivas”, argumenta Tinoco.

Nos últimos anos, no Brasil, tem crescido bastante o uso de bioinsumos. Além de compostos orgânicos, há micro-organismos utilizados para o controle de pragas e doenças, que também integram a linha agroecológica. Também entram nessa família a criação e multiplicação de insetos, fungos e bactérias que são usados no controle de pragas e doenças, em substituição aos agrotóxicos.

“Hoje em dia, existem muitos produtores no país, inclusive de grandes fazendas, eliminando gradativamente ou na totalidade os defensivos e insumos químicos. E o que vemos é que eles estão obtendo excelentes resultados, diminuindo custos de produção e, em muitos casos, melhorando até mesmo a produtividade”, assegura Tinoco.


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