07/12/2021 às 10h07min - Atualizada em 07/12/2021 às 10h07min

Com manejos voltados para o bem-estar animal, bezerros receberão menos marcas a fogo no futuro

Projeto "Redução da Marca a Fogo" tem atuado nas fazendas do grupo Rio Corrente Agropastoril, em Coxim e no Pantanal sul-mato-grossense

Assessoria
GRUPO ETCO - ALL FLEX
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Imersas em realidades diferentes estão duas das propriedades do Grupo Rio Corrente Agropastoril, a Fazenda da Serra, em Coxim (MS) e a Fazenda Baia do Lara, em Corumbá, no Pantanal sul-mato-grossense. Ambas foram escolhidas para serem propriedades referência do projeto “Redução da Marca a Fogo” em bovinos, que propõe a substituição da técnica pela identificação dos animais por meio de brincos. O trabalho, que começou em julho com cursos e treinamentos online, evoluiu para a prática, focada, principalmente, nos bezerros.

A iniciativa é conduzida pela empresa BE.Animal, o grupo ETCO - Grupo de Estudos e Pesquisas em Etologia e Ecologia Animal, da Unesp – Jaboticabal e a Fazenda Orvalho das Flores, com o apoio das empresas MSD Saúde Animal – e sua marca Allflex - e JBS.

A Rio Corrente é uma empresa familiar com foco em pecuária de corte e, segundo o diretor-executivo do grupo, Túlio Ibanez Nunes, a sustentabilidade ambiental, social e voltada para o bem-estar animal sempre nortearam as decisões estratégicas e os propósitos do negócio.

“Já na primeira reunião do projeto entendemos que tinha tudo a ver com o propósito da família e após uma avaliação inicial começamos a aprender e conhecer alguns procedimentos, entre eles os que reduzirão as marcações a fogo no futuro e trarão bem-estar aos bezerros. Um exemplo é fazer a primeira identificação do animal com uma tatuagem na orelha e também o furo, que mais à frente receberá o brinco numerado. Esse foi o primeiro passo e daqui para frente, qualquer fêmea que nasça só terá a marca da fazenda e não mais 4 ou 5 com outras informações. O impacto será grande, já que temos hoje cerca de 4 mil matrizes”, pontua Nunes.




Segundo o professor da Unesp de Jaboticabal (SP), Mateus Paranhos, zootecnista, pós-doutor em bem-estar animal e coordenador do Grupo Etco - Grupo de Estudos e Pesquisas em Etologia e Ecologia Animal, é durante o manejo de nascimento que o furo é feito na orelha do bezerro, sem a colocação do brinco. “A prática dá tempo para a cicatrização correta e diminui o risco de infecções. Além disso, no momento do bezerro receber o brinco, o manejo prévio garante um maior índice de retenção dessa identificação”.

O diretor-executivo, Túlio Ibanez Nunes, acrescenta que o projeto também levantou a questão da importância da rastreabilidade. “Esse tema não estava inserido na nossa rotina de produção, mas agora já iniciamos nesse caminho e começamos também a utilizar um software de gestão para a rastreabilidade. Poderemos com isso participar de alguns programas, como a cota Hilton e ter um pouco mais de remuneração em função da rastreabilidade”, detalha.

Para o líder da MSD Saúde Animal Intelligence, que detém a marca Allflex, Ivo Martins Alves Filho, uma das vantagens da identificação individual é o controle, já que um animal individualizado se torna uma unidade produtiva, com avaliações zootécnicas constantes, comparativos, intervenções específicas e acompanhamento de ganho médio ou prejuízo. São informações assertivas que auxiliam no processo produtivo.

“Quando se associa a coleta de dados com a ferramenta de gestão, o campo de assertividade se amplia, e cria-se a conexão com o bem-estar animal, gestão, manejo do rebanho, retenção de trabalho e mão de obra. Além disso, viabiliza a rastreabilidade, aspecto cada vez mais exigido pelo mercado e pelos consumidores”, explica Martins.

 Equipe das fazendas

As mudanças promovidas com o projeto “Redução da Marca a Fogo”, como explica o professor Paranhos, vão além do objetivo inicial e resultam em maior integração da equipe, mais segurança no trabalho dos vaqueiros e melhora do bem-estar dos bezerros.

De acordo com Misutsu, as fazendas estão em processo de adaptação às novas tecnologias, manejos e métodos de trabalho. A assimilação pelas equipes tem ocorrido de formas diferentes já que, segundo ele, para se trabalhar no Pantanal, onde a condição de vida é mais difícil e o trabalho é mais pesado, é preciso uma grande resistência e um certo grau de resiliência. São fatores que também interferem na permanência das pessoas na fazenda, havendo uma troca constante de membros da equipe.

“São culturas diferentes que precisam ser trabalhadas de formas diferentes, e a equipe do professor Mateus entendeu essas peculiaridades. Algumas coisas não são bem aceitas logo de início e têm mais resistência para começarem a engrenar, mas já temos visto muitas melhorias”, detalha Misutsu.



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