01/10/2021 às 11h44min - Atualizada em 01/10/2021 às 11h44min

Em busca de melhor rentabilidade, produtores de leite investem na diferenciação dos produtos para conquistar novos mercados

Com margens cada vez mais estreitas devido aos aumentos nos custos de produção, se diferenciar no mercado é quase uma obrigação

Graça D’Auria
CATI SAA - SP
Secretaria de Agricultura de SP

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Não é de hoje que pequenos e médios produtores de leite questionam sobre a rentabilidade e sustentabilidade de sua atividade. “Com margens cada vez mais estreitas e com comercialização de um produto que é uma commodity, se diferenciar no mercado é quase uma obrigação”, enfatiza a médica veterinária Cheila Massiere Duarte, responsável pela Casa da Agricultura de Laranjal Paulista.

O leite é um alimento rico em proteína e carboidrato, sendo considerado o principal alimento fonte de cálcio para a nutrição humana. “A evidência direta mais antiga do consumo de leite é do período neolítico, cerca de 6.000 anos atrás. O primeiro animal domesticado foi a vaca, seguida da cabra e, posteriormente, da ovelha. Com o tempo, esse precioso alimento foi sofrendo transformações. O leite era muito difícil de se conservar e, portanto, era consumido fresco ou em forma de queijo. Com o passar dos anos, foram sendo desenvolvidos outros laticínios, como a manteiga, a coalhada e o leite fermentado. O leite faz parte da nossa história, da nossa evolução e é, ainda, a principal renda de muitos produtores familiares”, conta Cheila, uma apaixonada pela pecuária leiteira e por outras atividades desenvolvidas, em especial, por pequenos produtores familiares. 
  



Para o produtor José Alcindo e sua esposa Sandra, que sempre tiraram o sustento do leite, a busca por melhorias porteira adentro trouxe bons resultados, fruto do esforço empregado dia a dia. O casal, que produz leite há gerações, vem participando de capacitações e investindo na sanidade do rebanho.

Após ser sensibilizado por ocasião de um curso promovido pela CATI/CDRS sobre qualidade de leite, se envolveram com determinação na implementação de melhorias e no controle da mastite, especialmente a mastite contagiosa, uma doença silenciosa que traz grandes perdas de produtividade e altera significativamente a qualidade do leite. “Uma série de manejos foram ajustados, como manejo de ordenha, uso de produtos de pré e pós-dipping certificados, uso de protocolos adequados de tratamento e, quando necessário, descarte de animais que apresentavam mastite recorrente e eram fonte de infeção para os demais. Além disso, o monitoramento da saúde da glândula mamária tem sido feito mensalmente e amostras de leite individual de vaca são enviadas para análise individual de CCS. A última novidade foi a implantação, em parceria, de acompanhamento da saúde da glândula mamária logo após o parto e para o cultivo em placa de animais que apresentem mastite clínica ou reação ao teste CMT. Com isso, se tem um diagnóstico preciso e rápido para intervenção. O produtor já colhe os frutos do seu investimento, com animais saudáveis e bonificação no preço do leite em função da oferta de um produto com qualidade superior à média do mercado”, enfatiza a médica veterinária.

Na mesma vizinhança do produtor Alcindo, encontram-se Oscar Renosto e Nanci, outra família que também tem como atividade principal o leite. O casal, sempre caprichoso e empenhado, resolveu investir no beneficiamento de parte da produção e agregar mais valor ao produto. O projeto de processamento do leite começou bem pequeno, sendo um hobby de dona Nanci, que produzia principalmente para familiares e amigos. A aceitação foi grande e dona Nanci foi nutrindo o sonho de construir uma área de beneficiamento e se regularizar junto ao SIM (Sistema de Inspeção Municipal) do município. O projeto foi criando corpo e, recentemente, conseguiram formalizar a adesão ao SIM. Todo o processo foi acompanhado desde o início por Cheila. Entre os produtos ofertados estão: queijo frescal, doce de leite e iogurte de frutas. “Tudo tem um toque artesanal e de muita qualidade”, frisa a médica veterinária e também consumidora dos produtos.

Já em outras bandas, na cidade de Bofete, fica o sítio Vale do Sol, propriedade de Antônio Possebon. Possebon é um apreciador de queijos, especialmente os maturados. Por anos, fez testes até chegar à atual receita, um sucesso de vendas na região. “Em paralelo ao desenvolvimento tecnológico do seu produto, o produtor sempre se preocupou em regularizar seu empreendimento, ter um local aprovado, oferecer um produto inspecionado e certificado”, lembra a veterinária Cheila, que o acompanhou em visita às outras instalações, inclusive no Estado de Minas Gerais. Hoje, o produto conta com o SIM e a Queijaria Possebon tem funcionado a todo vapor. Antônio já pensa nos próximos passos e pleiteia conseguir um selo de inspeção que o permita ofertar para outros municípios como o Sisp (Selo de Inspeção do Estado de São Paulo) ou SIF (Selo de Inspeção Federal), o qual permite a comercialização em outros estados da Federação −bem como ampliar a produção.






Cheila costuma argumentar que “os desafios do agro são constantes, com mudanças climáticas afetando produção de grãos e alimentos; preços elevados de insumos; e constantes novas exigências a serem cumpridas. Mas como diz o ditado, ‘se temos limão, vamos fazer uma limonada’, então não podemos ficar limitados a só enxergar os problemas e as cobranças, podemos superá-los e gerar novos caminhos e soluções”, diz a técnica, destacando que resultados superiores à média são alcançados com planejamento, esforço e coragem. “A verdade é que respiramos o agro e temos uma história ligada ao campo. O campo não pára e produtores inovadores estão sempre buscando novos caminhos”. 
 


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