23/09/2021 às 08h33min - Atualizada em 23/09/2021 às 08h33min

Experiência em propriedade com 5,4 mil hectares de soja em Guarapuava comprova eficacia do MIP em grandes áreas

Segundo dados oficiais, no Paraná já são centenas de casos em que produtores da oleaginosa passam a safra inteira sem fazer uma única aplicação de inseticidas nas lavouras

Faep Senar PR
FAEP SENAR PR

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Engana-se quem pensa que apenas áreas pequenas comportam a estratégia que envolve monitoramento e uso racional de defensivos agrícolas. Não importa o tamanho da plantação, é possível aplicar o MIP.

Um dos exemplos vem da região de Guarapuava. Eilton Marcondes, coordenador de agricultura da empresa Três Capões, do Grupo Santa Maria, está à frente do cultivo de três propriedades rurais, num total de 5,4 mil hectares de soja. As áreas estão localizadas em Guarapuava (800 hectares), Goioxim (2,2 mil hectares) e Candói (2,5 mil hectares). “Dois funcionários de cada propriedade e eu fizemos o curso do MIP-Soja e adotamos o monitoramento em 20 hectares cada, somando 60 hectares nesse primeiro ano”, revela Marcondes.

Nos três talhões que receberam a técnica, em apenas um foi necessário fazer uma aplicação. O resultado animou o coordenador de agricultura, que pretende ampliar o MIP para 600 hectares no próximo ciclo – 200 hectares em cada fazenda. “Por aplicação são gastos em torno de R$ 100 por hectare. Então, não entrar nesses 600 hectares nos quais adotaremos o MIP vai gerar economia de R$ 60 mil. Um valor considerável”, reflete.

No ciclo 2020/21, por consequência da pandemia do novo SOJA coronavírus, as aulas teóricas da capacitação do SENAR-PR foram feitas de forma remota. No entanto, as práticas de campo, com a clássica batida de pano, ocorreram de modo presencial, seguindo todas as recomendações sanitárias de distanciamento social, uso de máscaras e higienização constante das mãos com álcool gel.

“Foi um ano atípico, mas deu para interagir com o professor. Semanalmente, tivemos aulas práticas em campo e foi tudo rigorosamente cumprido”, conta o coordenador do Grupo Santa Maria.

As visitas a campo são fundamentais, pois o MIP ocorre durante o desenvolvimento da lavoura. Na plantação é que o participante consegue conhecer os inimigos naturais que auxiliam no controle dos insetos-pragas. “Nas aulas foi possível desenvolver essa nova percepção de que é preciso olhar para a lavoura como um sistema em equilíbrio e que há um momento certo, definido a partir do monitoramento, de entrar aplicando o inseticida. Isso quando necessário”, compartilha Marcondes.




 

Para ampliar a área monitorada pelo MIP no próximo ciclo, Marcondes antecipa que mais funcionários do Grupo Santa Maria participarão da qualificação do SENAR-PR. “Abrindo as próximas turmas, a intenção é colocar mais seis pessoas para fazer o curso, porque é realmente muito bom. Os nossos colaboradores precisam ter esse conhecimento de qual é o momento de aplicação, o que realmente vai causar dano, o que é efetivamente praga e o que é inimigo natural. A formação agrega muito”, reforça.

Recepção do curso

Para o instrutor do MIP-Soja do SENAR-PR na região de Guarapuava, Pedro Campos, o curso tem uma trajetória semelhante entre produtores da região. Geralmente, segundo ele, os participantes começam desconfiados, destacando um pequeno talhão o treinamento e, no fim, estão querendo ampliar para mais uma parte ou até mesmo para toda a propriedade.

“Já teve caso de produtor que achou um inimigo natural em casa, colocou na caixinha de fósforo e levou para a lavoura para ajudar a combater as pragas da soja”, relembra Campos.

O instrutor alerta, no entanto, que é preciso não se deixar seduzir pelo preço da soja e achar que por ter uma margem mais confortável não há problema em esbanjar insumos com aplicações desnecessárias. “Algo que preocupa é que, com o valor da saca da soja acima dos R$ 150, o produtor, muitas vezes, acaba querendo entrar logo na lavoura com uma aplicação de inseticida precoce. Só que isso pode ser negativo, porque na comparação, a área que recebeu mais inseticidas, onde não há MIP, tem mais pragas do que em áreas sem aplicações com MIP”, alerta.

A chave para um controle efetivo e equilibrado das pragas, segundo Campos, está no monitoramento. Afinal, cada talhão, cada safra, as diferenças climáticas e muitas outras variáveis influenciam no sucesso das lavouras. “Somente com a atenção constante ao que está acontecendo no campo, por meio do MIP, é possível fazer um controle que resulte em aplicação racional de inseticidas”, ensina o instrutor.


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