03/09/2021 às 09h15min - Atualizada em 03/09/2021 às 09h15min

Começa em São Paulo o treinamento para evitar a chegada da Raça 4 Tropical da fusariose da bananeira

Técnicos e produtores de banana de SP estão sendo treinados para lidar com a doença que promete comprometer a bananicultura nacional

Redação com assessoria
MAPA - Secretaria de Agricultura de SP
MAPA

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As notícias sobre o surgimento de uma nova raça do fungo que causa a fusariose em bananeiras e que pode levar à completa inviabilização da cultura já corre solta pelo País há algum tempo entre pesquisadores, técnicos e produtores; afinal, a banana é símbolo do Brasil e está presente em maior ou menor escala em todo o território nacional e na mesa dos brasileiros.

Desde que os estragos causados em outros países e continentes produtores aconteceram ─ Indonésia e Malásia (1990), China (1996), Filipinas (2008), África (2013) e Austrália ─ e a doença chegou à América do Sul ─ Colômbia (2019) e Peru (2021) ─ os piores rumores e, certamente o receio, aumentaram em relação à praga quarentenária causada pelo fungo Fusarium oxysporium f. sp. cubense – Raça 4 Tropical (Foc R4T), praga até então ausente no Brasil.

A boa notícia é que a fusariose Raça 4 Tropical ainda não chegou ao Brasil, sendo possível estar atento e detectar rapidamente os primeiros focos e promover o isolamento da área antes que possa tomar maiores proporções.

É este o trabalho que o Ministério da Agricultura (MAPA), vem fazendo junto às regiões produtoras do Brasil, São Paulo entre elas, com o indispensável apoio da Secretaria de Agricultura de SP, para levar aos produtores paulistas todas as informações necessárias.

“O importante é não gerar pânico entre os produtores, mas sim deixá-los seguros quanto ao trabalho que vem sendo feito em várias regiões produtoras do Estado de São Paulo, com levantamentos periódicos e um calendário de treinamentos para a detecção da doença, tanto por parte de técnicos quanto de produtores”, argumenta o engenheiro agrônomo e fitopatologista Wilson Moraes,(SFA-SP/UTRA Ipanema), que participa da equipe responsável, desde 2019, pelos levantamentos feitos a campo no Estado de São Paulo, comprovando tratar-se de área livre. “Trata-se de uma praga quarentenária ausente no Brasil, porém já dizimou bananais na Ásia e África e foi constatada na América do Sul – Colômbia (2019) e Peru (2021) – porém no lado do Oceano Pacífico e não na fronteira amazônica, divisa com nosso País, o que nos dá uma certa vantagem em questão de tempo, mas certamente, de acordo com os especialistas, chegará ao Brasil em algum momento”, avalia Moraes.

Por esse motivo, é preciso que os produtores rurais estejam preparados e que os extensionistas os incentivem a fazer as ações de prevenção, como a adoção de tratos culturais e práticas agrícolas adequadas, paralelamente é preciso capacitar os técnicos da Secretaria de Agricultura para que possam identificar se é esta fusariose específica, entre outras já conhecidas, que atacam os bananais e também diferenciar de outras doenças que atacam os bananais e têm sintomas iniciais similares.

Caso comprovada a ocorrência ─ o que é feito exclusivamente por técnicos da SFA e da CDA ─ serão adotados os procedimentos adequados para a coleta, o acondicionamento e envio de amostras para diagnóstico em laboratório credenciado pelo MAPA. “A rápida identificação de focos iniciais ajudam na adoção de medidas de contenção e podem evitar a disseminação da doença e o treinamento é essencial para que possamos agir e isolar o local o mais rápido possível, caso haja comprovação”, afirma Wilson

Moraes, um dos palestrantes dos treinamentos que estão sendo feitos em diversas localidades como na região de Ubatuba, no Litoral Norte; São Bento do Sapucaí, na Serra da Mantiqueira; Taubaté, no Vale do Paraíba; e em 10 municípios do Vale do Ribeira, principal região produtora de banana no Estado de São Paulo.

Wilson Moraes tem sido também o principal responsável pelo levantamento de campo do Foc R4T no Estado, coletando amostras em localidades diversas, em especial em bananeiras da variedade do tipo Cavendish, entre elas a Nanica, Nanicão, Grande Naine, William, Valery, entre outras, consideradas mais suscetíveis e com maior probabilidade de ataque da raça 4 Tropical. “Nesses levantamentos temos concluído que, até o momento, São Paulo é área livre da ocorrência”, tranquiliza Moraes. Também não há, até o momento, registros dessa praga em nenhuma outra localidade do solo brasileiro. A principal preocupação é com as variedades do tipo Cavendish, como a Nanica, por ser resistente às outras raças de fusarioses que atacaram tempos atrás as variedades Maçã e Prata, inviabilizando o cultivo destas variedades em diversos estados brasilerios.

Os pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa - unidade Cruz das Almas, Bahia) têm feito uma corrida contra o tempo para conseguir variedades resistentes também à Foc R4T, fungo habitante do solo que produz uma estrutura de resistência, permanecendo viável por mais de 30 anos.

O vídeo técnico com a explanação a campo do fitopatologista Wilson Moraes em área experimental de bananal da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta) Pariquera-Açú também pode ser acessado pelo link https://www.youtube.com/watch?v=JO5D-qQ7G7I

Treinamento, divulgação e fiscalização são as principais ferramentas para o combate à doença

O produtor Edson Akira Hazome Hayashi tem em Sete Barras 35ha das variedades Prata e Nanica e vem acompanhando o desenvolvimento da doença desde que surgiu na Ásia. Engenheiro agrônomo por formação, o produtor está preocupado com a chegada dessa raça do fungo na América e considera importantes as parcerias com as instituições governamentais, associações e cooperativas, para que as informações possam chegar ao maior número de produtores.

Já a produtora Kassiana Otoboni, de Pariquera-Açu, tem o sonho de tornar a sua marca “Fulana Banana” conhecida por ser uma marca gourmet. Kassiana e o marido moram na propriedade e passaram a investir há pouco tempo: “Nem fizemos ainda a primeira colheita, instalamos o bananal em janeiro e, hoje, na verdade, vim me associar à Abavar, para estar por dentro de todas as informações, pois estou investindo na nossa marca”, afirmou a produtora.


Série Diálogos Prevenção da fusariose em bananeiras

O MAPA juntamente com 17 profissionais de 12 organizações, entre eles professores, jornalistas e técnicos de diversos órgãos, MAPA, CATI/CDRS e CDA, produziu o material virtual da Série Diálogos Prevenção da fusariose em bananeiras, esta disponível para baixar gratuitamente através do link: https://www.gov.br/agricultura/pt-br/assuntos/sustentabilidade/cesesp/publicacoes/livros/dialogos-prevencao-da-fusariose-em-bananeiras/view.

Segundo Juliana do Amaral Moreira, do MAPA“o livro é, na verdade, uma caixa de ferramentas com uma série de materiais didáticos, caracteriza-se por ser muito interativo, sugere ações e ações combinadas, tem variados materiais para serem impressos, veiculado em sites, redes sociais e diversas mídias, para que venha a atingir todo tipo de público”.

 


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