16/08/2021 às 14h14min - Atualizada em 16/08/2021 às 14h14min

Inverno - é tempo de preparar as fruteiras para uma boa colheita

Aprenda técnica da Poda de inverno e outros manejos acessando o link nesta reportagem

Redação com assessoria
Secretaria de Agricultura SP

Apiaí é um antigo município do Alto Vale do Ribeira; cercada pela Mata Atlântica, a cidade faz parte da região declarada pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) como Reserva da Biosfera do Patrimônio Mundial. Neste mês de agosto, dia 14, o município, porta de entrada para o Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira (Petar), comemora 250 anos.


A região possui o maior remanescente de Mata Atlântica do País e foi em Apiaí, a quase mil metros de altitude, e por isso o engenheiro agrônomo Emmanuel Moraes, e a também engenheira agrônoma Juciléia Irian Wagatsuma escolheram para divulgar tecnologias importantes para as fruteiras, como o caquizeiro. “Apesar de não ser a região de maior produção de caquis no Estado de São Paulo, os produtores são bastante tecnificados e oferecem ao mercado caquis de excelente qualidade”, explica Emmanuel, com sua experiência de mais de 25 anos à frente do Núcleo de Produção de Mudas de Itaberá, unidade vinculada ao Departamento de Sementes, Mudas e Matrizes da CATI/CDRS e uma das unidades produtoras de mudas de frutíferas comerciais, silvestres e nativas oferecidas pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo não só ao público paulista, mas também de outras regiões limítrofes ao Estado de São Paulo.

O caquizeiro, assim como outras fruteiras de clima temperado, é uma planta caducifólia, isso quer dizer que ela perde todas as suas folhas durante o inverno. No período anterior, no outono, as folhas vão ganhando a tonalidade cada vez mais avermelhada, um sinal de que os nutrientes móveis estão sendo redistribuídos das folhas para os caules e gemas das plantas, para serem utilizados como fonte de energia para a novas brotações que iniciaram após o inverno. É quando tem início a poda de inverno, para aquelas que dão frutos mais precoces, em meados do mês de julho, indo até meados de agosto para as variedades mais tardias.
 

Poda de inverno – técnica imprescindível para equilíbrio da planta entre vegetação e frutificação

A poda de inverno deve ser realizada quando as árvores estão em dormência, ou seja, antes de começarem a brotar. É de suma importância realizar essa poda para direcionar os galhos, dar continuidade à formação da copa, deixando-a de tal forma, nem tão alta, para ser facilitada a colheita, nem tão larga, para não atrapalhar os tratos com equipamentos, promover iluminação adequada e, principalmente, para que deixe os melhores ramos e suficientemente espaçados, para facilitar raleios, tendo como resultado final frutos maiores e de melhor qualidade. “Os ramos de crescimento da primavera-verão do ano anterior têm dois tipos distintos de gemas, as de produção e as vegetativas. O produtor deve verificar quais os ramos que deseja que deem continuidade ao crescimento do ramo-guia ou “pernada”, utilizando as gemas de crescimento vegetativo, bem como quais escolher para a frutificação e para a produção do ano. Para fazer isso, tem que observar a direção dos galhos, o comprimento, enfim, entender a planta e identificar os ramos, aqueles que ainda vão precisar crescer e aqueles que deverá eliminar, como, por exemplo, os galhos muito baixos ou os sobrepostos, para que não venham a competir no mesmo espaço de produção; além daqueles nos quais é preciso fazer uma poda bem rente ao tronco, evitando novas brotações indesejadas. Enfim, é preciso fazer a escolha certa para obter frutos maiores e de melhor qualidade comercial”, explica Emmanuel.

Segundo o técnico, em sua larga experiência: “A poda é uma arte; o produtor aprende com a planta na lida do dia a dia, mas necessita ter os fundamentos básicos como ponto de partida”. Os Dias de Campo para treinamento dos produtores ocorrem todos os anos, todavia, devido à pandemia, foram suspensos no ano passado e neste ano. Porém o vídeo técnico elaborado pelo Centro de Comunicação Rural (Cecor) da CATI/CDRS, com orientação do Grupo Técnico (GT) de Fruticultura, do qual Emmanuel Moraes é participante, está disponível no site da instituição e pode ser acessado pelo link https://www.youtube.com/watch?v=2txZ_hTR0mQ 
 

Tratamento fitossanitário realizado no inverno

Os caquizeiros são árvores longevas e necessitam de cuidados para que tenham longevidade aliada à produção. É possível ter um pomar comercial, mesmo em pequenas propriedades, como as do produtor assentado Antônio de Souza, que tinha 320 plantas, porém perdeu 40 delas para a broca-do-tronco, um dos principais coleópteros que atacam os caquizeiros. Segundo a engenheira agrônoma Juciléia Irian Wagatsuma, o que vem a favorecer a ocorrência dessa broca é o fato de o caule do caquizeiro possuir casca espessa e rugosa, possibilitando que a fêmea do referido coleóptero faça a oviposição em suas ranhuras, no período de primavera-verão, ficando as larvas ‘escondidas’ em galerias abaixo das cascas e se alimentando do câmbio vascular. “Quando o produtor percebe, já pode ter a sua árvore totalmente comprometida e levada à morte”, explica Jucileia.

Por esse motivo, a observação para a identificação da ocorrência logo no início é muito importante, assim como o tratamento que prevê raspar o caule da árvore, retirando a casca rugosa, deixando apenas a casca lisa suberificada, sem ferir os vasos internos da planta, expondo as galerias da broca do tronco e, a seguir, aplicar a tintura bordalesa na concentração de 300g de sulfato de cobre por litro de água. “A consistência é importante, para que se possa fazer o pincelamento do tronco e passar a tintura como se fosse caiar uma parede”, explica Jucileia.

O tratamento faz parte do controle cultural da broca-do-caquizeiro e, dependendo do tamanho do pomar e das possibilidades do produtor, a raspagem pode ser manual ou mecânica, com jatos de água de alta pressão para a completa remoção da casca da árvore; neste caso, o jato é dirigido a toda a árvore, limpando-a também dos líquens.

O produtor Antônio de Souza, conhecido como seu Toninho, já estava desanimado com o pomar que foi formado há sete anos com mudas adquiridas no Núcleo de Produção de Mudas de Itaberá, na época comandado por Emmanuel. As árvores estavam morrendo e ele não conseguia identificar a causa. Foi quando a engenheira agrônoma Sabrina Maria Xavier, da Casa da Agricultura de Apiaí, convidou Jucileia e Emmanuel para visitarem o Sítio Nossa Senhora Aparecida, onde seu Toninho está assentado pelo Incra, há 25 anos. Descoberta a causa, seu Toninho se animou e segue atento às recomendações, principalmente para não causar lesões no caule durante a raspagem e promover podas e tratamentos necessários. “Foi uma felicidade reencontrar o Emmanuel; lembro quando estivemos no Núcleo de Produção de Mudas com ele pela primeira vez e ele me levou, junto com os demais assentados que me acompanhavam, para almoçar em sua própria casa, sou muito grato desde então. Aí minhas esperanças se renovaram e vou voltar a investir no pomar para torná-lo comercial; por enquanto, só tiro os frutos para consumo da família, o restante os passarinhos comem”, afirma, rindo da concorrência.

A Fazenda Bonanza, propriedade de Rui Moura, também em Apiaí, conta com mais de quatro mil caquizeiros, os mais antigos plantados antes da compra da propriedade, há mais de 40 anos. O produtor vem investindo na lavagem das árvores a cada três anos, alternando o tratamento em lotes de árvores como forma de prevenir o ataque de brocas. Para essa técnica, basta ter uma bomba −que pode ter capacidade variada, sendo maiores ou menores, a depender da possibilidade de investimento do produtor − e investir na regulagem dos bicos. “O segredo está na regulagem, para que a remoção total das cascas promova a limpeza sem danificar a árvore”, explica Rui Moura, que colheu na última temporada 170 toneladas de caqui, toda a produção comercializada na Central de Abastecimento (Ceasa) na capital paulista. Trata-se de um produtor tecnificado, que vem investindo nos 14 hectares da Fazenda Bonanza há 30 anos. “Ao contrário de nós, o caquizeiro fica melhor a cada ano, são árvores que podem ficar centenárias sem perder a capacidade de produção;, claro, se tratadas de forma adequada”, diz Rui Moura.

Além de promover todos os tratamentos e podas recomendados para a cultura, o produtor investiu em telados para proteger o pomar das chuvas de granizo e dos pássaros. Já com as geadas, que costumam ocorrer na região, ele diz não se incomodar, pois toda a sua produção é voltada para frutíferas caducifólias que podem conviver e prevalecer bem mesmo durante o inverno rigoroso, como o deste ano, desde que todos os tratamentos de inverno disponíveis sejam feitos corretamente.

O vídeo produzido com a aplicação das duas técnicas, manual e mecânica, podem ser conferidos no site da CATI/CDRS e acessados pelo link https://www.youtube.com/watch?v=H4y2BUtITGI 
 

Tratamento de inverno (pós-colheita) para o caquizeiro
 

Entre os tratamentos propostos para o caquizeiro durante o ano, o de inverno é uma importante técnica a ser utilizada no pós-colheita, para garantir uma boa sanidade do pomar no ano seguinte. Deve ser feito no período de dormência das plantas e a época certa deve ser observada a partir do momento em que as folhas do caquizeiro começam a tomar o tom avermelhado e a cair, característica das plantas caducifólias. “Quando as folhas estiverem bem vermelhas, é sinal de que houve reabsorção dos nutrientes da folha, os quais são transladados para o interior da planta, caule e parte radicular. Parte dessas folhas cai naturalmente e parte delas, que ainda permanece nas árvores, é derrubada via tratamento de inverno”, explica Jucileia.

O tratamento de inverno é feito para manutenção da sanidade do pomar, visando eliminar inóculos de pragas e patógenos da área, advindos da safra anterior. Tal tratamento é feito com uma calda preparada com 200g a 300g de sulfato de cobre diluídos em 100 litros de água ou com calda bordalesa, que é feita com sulfato de cobre acrescido de cal virgem e diluído em água. Cerca de 20 a 30 dias após a aplicação da calda bordalesa, é recomendado aplicar a calda sulfocálcica, que consiste na mistura de enxofre e cal virgem, e pode ser preparada na propriedade ou adquirida pronta nas lojas especializadas no ramo. A observação é que tais caldas devem promover um bom molhamento das plantas, a ponto de quase haver escorrimento da calda na planta. Esse tratamento é o primeiro a ser realizado no período de inverno, antes da poda e também antes do tratamento fitossanitário.

Todas essas são medidas simples, feitas no inverno, mas que precisam ser colocadas no calendário de qualquer fruticultor, para que venha a ter sucesso em sua atividade. Os produtores interessados podem procurar as Casas da Agricultura locais e/ou os Escritórios Regionais da CATI/CDRS em todo o Estado. O Grupo Técnico de Fruticultura disponibilizará técnicas e tratamentos para as mais diversas frutíferas comerciais durante os próximos meses. Já os endereços das Casas da Agricultura, dos Escritórios Regionais e Núcleos de Produção de Mudas (NPM), que têm à venda mudas de qualidade comprovada, das mais diversas frutíferas, estão disponíveis no site www.cdrs.sp.gov.br.


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