02/05/2020 às 13h02min - Atualizada em 02/05/2020 às 13h02min

MANDIOCA: ​a produção de farinha de mandioca e os impactos da COVID-19

Redação
CEPEA/USP
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A produção de farinha de mandioca é um pouco dispersa em termos de Brasil. Enquanto no Centro-Sul há indústrias com forte inserção no mercado e mais estruturadas, nas regiões Norte e Nordeste, há unidades menos não tão tecnificadas. Neste caso, há casas de farinha tradicional, artesanal, em que todas as fases do processamento são feitas manualmente, utilizando utensílios rústicos, assim como casas de farinha de mandioca mecanizada, geralmente localizadas próximas das cidades.

 As estimativas do IBGE sobre a pesquisa de produção industrial anual, por produtos, apontam que, na média de 2016 e 2017, foram produzidas 242,3 mil toneladas de farinha de mandioca. Os valores nominais destas produções foram, em média, de R$ 617 milhões. Entretanto, quando se consideram a produção na agroindústria rural, ou seja, nos estabelecimentos agropecuários, os dados do Censo Agropecuário indicam produção, em 2017, de quase 707 mil toneladas. Segundo o IBGE, o valor nominal desta produção foi de R$ 1,9 bilhão. Os destaques são para os estados do Pará, Amazonas, Bahia e Maranhão.

A farinha de mandioca é um dos alimentos mais consumidos no Brasil. Entretanto, o dispêndio para sua aquisição e consumo domiciliar representou apenas 0,4% do total, segundo a Pesquisa de Orçamentos Familiares em 2017-2018, do IBGE.

Ainda assim, como em um contexto agregado é considerado um bem inferior do ponto de vista econômico, tendo em vista que a demanda pelo produto tende a decrescer conforme aumenta a renda da população e, considerando-se que há expectativa de redução da renda da população nos meses seguintes, pode ser um dos produtos que venham a ganhar mercado.

Vale lembrar que o comportamento dos consumidores se altera na medida em que se observam mudanças no padrão de renda. Pode haver, inclusive, reflexos diferenciados a depender da região do País. Na primeira quinzena de abril, em especial, farinheiras paranaenses e paulistas registraram melhora nas vendas, principalmente para o Nordeste, mas com preços em quedas.

Essas empresas possuíam estoques e foram favorecidas pelas restrições quanto à aglomeração de trabalhadores nas casas de farinha do Nordeste. Naquela região, como boa parte do trabalho é manual, esse cenário teve reflexos na produção de parte dos estados, que já carregava estoque mais baixo.

Além disso, as chuvas em algumas regiões, além de dificultarem o avanço da colheita, também influenciam no rendimento do amido das raízes. Vale ressaltar que passou a ter compras públicas de farinha, operacionalizadas pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Neste mês de abril, foi realizado um leilão para a aquisição de 495 toneladas de farinha de mandioca seca/média tipo 1, para ser entregue principalmente em estados do Norte e do Nordeste.

Como resultado, atacadistas dos principais centros consumidores voltaram a adquirir derivados de mandioca provenientes do Centro-Sul. Consequentemente, farinheiras dos estados de São Paulo e do Paraná intensificaram a moagem de raízes. Sabe-se que o mercado de mandioca está em um ciclo de preços baixos e no período em que sazonalmente os preços se reduzem. Mas, assim como observado nos mercados de raiz e de fécula, as cotações da farinha também foram pressionadas em 2020.

Os decréscimos acumulados até 24 de abril foi de 19,3% para a farinha fina e de 13,5% para a farinha grossa. Desde meados de março, as reduções foram de 7,9% e de 4,8%, respectivamente. Observa- -se, portanto, que as quedas foram bem menos intensas que nos demais mercado analisados.

Entre final de 2018 e 26 de abril de 2019, as cotações de farinha de mandioca fina e grossa, secas, cederam 19,7% e 16,4%, respectivamente, em termos reais. Portanto, as variações registradas na parcial de 2020 foi próxima da observada em 2019. Mesmo assim, as cotações parciais de abril de 2020 para as farinhas fina e grossa estão 11,3% e 10%, respectivamente, maiores que as de abril de 2019 – também já deflacionada.

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