20/07/2021 às 09h24min - Atualizada em 20/07/2021 às 09h24min

Pesquisadores da Unicamp e UFScar desenvolveram fórmula inovadora de ração com ação terapêutica no combate nas bactérias das tilápias

O produto natural é alternativo ao antibiótico, proporcionando cultivo e crescimento mais saudáveis e eficaz contra as principais bactérias do setor

Cristina Tordin
Embrapa
Michelly Soares
-
Pesquisadores da Embrapa Meio Ambiente, em parceria com a Universidade Federal de São Carlos (UFScar) e Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), formularam uma ração para peixes que inclui extratos naturais em sua composição, tecnologia patenteada recentemente.
 
O principal efeito do extrato é ser agente alternativo promissor para melhorar a produção e o controle de doenças parasitárias no cultivo de peixes, evitando o uso de antibióticos sintéticos, que podem acarretar possíveis reflexos na resistência imunológica e imunossupressão. Entre os benefícios, proporciona maior desempenho produtivo e estimula o sistema imune, evitando assim os efeitos negativos do estresse, melhorando a resistência a patógenos. 
 
“Testamos o produto com peixes, que passaram por um desafio bacteriano. Inoculamos bactérias após a suplementação com a ração contendo o extrato e os peixes apresentaram maior sobrevivência e melhoria do sistema imune. Quer dizer, estavam melhor preparados para enfrentar esse desafio bacteriano”, explica  Michelly Soares, pesquisadora colaboradora na pesquisa.



Foto: Michelly Soares

Além de proporcionar um aumento na eficiência produtiva, melhoria na conversão alimentar, maior crescimento e melhora do sistema imunológico, também minimiza estresse inerente ao cultivo e que tornam os peixes mais suscetíveis a novas doenças.
 
Esses efeitos benéficos foram possíveis com a inclusão desse extrato na formulação da ração. Além disso, por ter ação antibacteriana, pode ser usado para combater bactérias que mais acometem os peixes de piscicultura, pois apresentou potencial eficácia para inibir o crescimento e eliminar as bactérias Streptococcus agalactiae, a Aeromonas hydrophila e a Flavobacterium columnare, sendo uma bioalternativa para reduzir o uso de antibióticos sintéticos na piscicultura. 
 
“Os resultados da pesquisa mostraram ser muito promissores e, por ser baseado em um produto natural, contribui para a sustentabilidade da aquicultura, acredita Michelly.
 
Uma vez adotado pelos produtores, haverá uma oferta de alimentos mais saudáveis e seguros para os consumidores, já que irá reduzir a necessidade de uso de antibióticos na produção de peixes, evitando a presença de resíduos. Com isso, esse novo produto inovador possui potencial para impactar positivamente a cadeia produtiva da aquicultura, em especial as fábricas produtoras de ração para peixes”, diz a pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente Sonia Queiroz.
 
“Os resultados deste estudo demonstram claramente que a utilização da formulação de ração contendo suplementação com o extrato pode beneficiar a aquicultura pelo potencial em aumentar a eficiência produtiva do setor de piscicultura, pois proporciona melhoria na conversão alimentar, maior crescimento, melhora do sistema imune e minimiza a resposta ao estresse dos peixes de cultivo e atende uma das maiores demandas do setor produtivo de tilápias, o peixe mais produzido no Brasil e no mundo, que tem sofrido perdas produtivas em decorrência do aumento da ocorrência de bactérias”, enfatiza Fernanda Sampaio, pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente e uma das coordenadoras da pesquisa.
 
Após a obtenção da patente a pesquisa será ampliada com testes a campo para certificação das respostas obtidas em laboratório. Para isso foi feito projeto em parceria com a Terpenia Bioinsumos e em conjunto com a Embrapa estão dando continuidade a pesquisa.
 
“Nós da Terpenia Bioinsumos estamos muito motivados e otimistas com a parceria com a Embrapa Meio Ambiente, por meio de um contrato de inovação aberta, cujo objeto, escopo e metodologia se enquadram perfeitamente na nossa estratégia e propósito empresarial” diz Miguel Bassi Peres, diretor comercial da Terpenia.
 
“Além disso, continua Peres,  nossa empresa foi criada para o desenvolvimento de bioativos a partir de extratos vegetais, com base no conhecimento existente na academia e nos institutos de pesquisa no Brasil, que associado à nossa experiência empresarial visa a viabilização de produtos inovadores que possam chegar ao mercado de forma competitiva”.
 
A equipe de execução do projeto é composta por Claudio Jonsson, Sonia Queiroz, Fernanda Sampaio, Marcos Losekann e Marcia Assalim da Embrapa Meio Ambiente, Michelly Soares e Francisco Rantin da UFScar, além dos colaboradores da Terpenia.

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