18/06/2021 às 09h31min - Atualizada em 18/06/2021 às 09h31min

Buscando aumentar a rentabilidade na produção pecuarista do Triângulo Mineiro investe na criação de gado A2A2

Leite produzido por este rebanho é considerado uma boa opção para intolerantes à beta-caseína A1

Redação com assessoria
Epamig

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O mercado de laticínios busca soluções, a cada dia, para facilitar a vida de quem tem restrição ao consumo de leite e seus derivados. E foi pensando neste público que a produtora Elimar Cândida Gomes decidiu investir na produção de queijos feitos com leite tipo A2. A dona da queijaria Realeza do Triângulo, em Tupaciguara, no Triângulo Mineiro, por enquanto, é a única que comercializa este tipo de leite na região.

A produtora Elimar Gomes está tendo um ótimo resultado e pretende expandir a atividade. “Nosso objetivo é aumentar a produção e conseguir também a certificação do leite A2A2”, conta. Produzindo cerca de 150 litros de leite por dia, ela não teve nenhuma dificuldade no manejo das vacas da raça Gir, com genótipo A2A2.




De acordo com a extensionista da Emater-MG Cíntia Maciel Moreira, este tipo de rebanho não exige cuidado especial já que a diferença está relacionada à genética. No entanto, é importante realizar a ordenha separada, caso exista, também, animais de genótipo diferente e ter cuidados em relação ao cruzamento, para que não ocorra perda das características.

A extensionista explica que para saber qual o genótipo do rebanho é necessário realizar exames laboratoriais, “sendo que as raças mais propensas são a Zebuína, Guzerá, Sindi, Gir, entre outros. Esses animais podem ser adquiridos também em feiras”, ressalta.

O gado A2A2 não possui um preço diferenciado no mercado e a demanda por parte dos laticínios ainda é pequena. Assim, o produtor que deseja comercializar apenas este tipo de leite pode realizar o beneficiamento do produto e derivados na própria fazenda, como faz Elimar.
 

A diferença do leite A2
 

Os rebanhos podem apresentar três tipos de genótipos para a produção de beta-caseína, que é uma proteína do leite. São eles: A1A1, A1A2 e A2A2. Os animais de genótipo A1A1 e A1A2 produzem leite com a beta-caseína A1 e A1A2, respectivamente. Já aqueles com genótipo A2A2 produzem leite somente com a beta-caseína A2.

Segundo o gastroenterologista André Alfredo, à beta-caseína A1 é responsável pelo desconforto que muitas pessoas sentem ao ingerirem leite e derivados. Assim, esses pacientes apresentam intolerância à esta substância.

O leite A2, por não ter esta proteína, não provoca essas reações. “A beta-caseína A2, por ser de fácil digestão, possibilita que as pessoas que têm restrição a beta- caseína A1 consigam consumir lácteos sem sentirem incômodos”, explica.

O médico alerta que muitos pacientes diagnosticados como intolerantes à lactose podem estar reagindo à proteína A1. Por isso, é importante procurar um profissional para fazer uma verificação mais aprofundada e obter um diagnóstico correto, podendo, assim, consumir o produto mais adequado para o tipo de restrição.


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