25/05/2021 às 12h07min - Atualizada em 25/05/2021 às 12h07min

Produtores de suínos e aves cobram ações do governo Bolsonaro que ajudem o setor a enfrentar a alta nos grãos e a evitar inflação dos alimentos

Produtores discursaram na Câmara Federal pedindo a facilitação da importação do milho trângenico e a desoneração do frete até as granjas

Emerson Luis de Mesquita
Nesta segunda-feira, 24/05, um grupo de criadores de aves e suínos se uniu a membros da industria de proteína animal e estiveram em Brasilia/DF onde discursaram na Câmara Federal sobre as dificuldades que o setor tem enfrentado diante da alta do preço dos grãos impulsionada pela atual política cambial brasileira.

Na ocasião o sr. Ricardo Santin, presidente da ABPA - Associação Brasileira de Proteína Animal, afirmou que o presidente Jair Messias Bolsonaro precisa entrar em campo porque o prato dos brasileiros pode ficar mais vazio se o governo não agir rápido. Não é que vai faltar produto, mas vai diminuir a oferta. Na mesa das pessoas pobres é que vamos ver a influência.
 
Ricardo exigiu ainda uma reunião entre os membros do setor quer uma reunião com o Palácio do Planalto para expor a situação de "falta de fôlego" diante do aumento de custo de 180% no milho, 140% na soja, 68% no papelão, 30% no diesel e 85% nas embalagens rígidas de 2019 até agora. 

Nós seremos o veículo de um aumento muito forte na mesa do consumidor, mas não somos a causa. Não queremos aumentar preço para ganhar mais dinheiro e sim para manter o emprego e a renda de milhares de famílias no campo”, emendou. “O presidente precisa evitar comida cara para o pessoal pobre”, completou o presidente da ABPA.

O dirigente disse ainda que o mercado é prejudicado pelo processo de especulação nos preços do milho. Segundo ele, a busca por uma solução agora evitará a falta de oferta lá na frente.  “Se quebra a produção de ovos, dispensa o nascimento de matrizes de suínos, quando a economia voltar não vai ter comida”, destacou.

Os produtores buscam uma forma de compensar a elevação dos custos, indústria e produtores pedem a isenção de tributos estaduais e federais na importação e comercialização de milho, como a incidência de PIS/COFINS no cereal que vem de fora e no frete para levar do CentroOeste ao Sul do país e o Adicional de Frete para Renovação da Marinha Mercante (AFRMM).

Além disso, o setor também quer a liberação para importação de variedades transgênicas de milho dos Estados Unidos para uso restrito na alimentação animal. As agroindústrias se respaldam em um parecer técnico da Embrapa segundo o qual as moléculas modificadas são quebradas durante a alimentação e não transferem a transgenia para a carne. O tema está em avaliação na Comissão Técnica Nacional de Biotecnologia (CTNBio). 

Para a ABPA, as regras atuais favorecem a “desindustrialização” do país. “Quem compra nosso milho para produzir lá fora usa incentivos do Plano Safra ao produtor e vai transformar em carne lá fora. Estamos fazendo uma política de desindustrialização, temos que ter equilíbrio. Para importar tem uma série de dificuldades, para exportar, pode tudo?”, questionou o presidente.

O diretor de Comercialização e Abastecimento do Ministério da Agricultura, Silvio Farnese, disse que apesar da dificuldade fiscal há espaço para desonerar a cobrança de tributos federais na importação e comercialização de milho para atenuar a pressão sobre os custos dos criadores. Ele reforçou propostas da Pasta para incentivar o aumento na produção do cereal na próxima safra e disse acreditar na redução das cotações no longo prazo.

O importante é que não está faltando produto. O milho mais caro é aquele que não existe”, afirmou. “Que setor chegue arranhado, mas que não chegue incapaz de continuar. Vamos melhorar lá na frente, tudo que sobe desce. Na questão de preços já nos acostumamos. Vai baixar, a quanto vai chegar, não sabemos”, acrescentou.

O deputado federal Jerônimo Goergen (PP-RS) reclamou da postura do governo diante do problema. “Vai ganhando tempo para a coisa se resolver na próxima safra, mas não podemos esperar mais. Estamos perdendo mercado por falta de ação nossa e com perspectiva de perda de renda e economia”, disse.

Ele disse que apesar do empenho da ministra Tereza Cristina, a questão extrapola a competência do Ministério da Agricultura. Segundo o parlamentar, seria preciso criar um comitê interministerial para agir de forma emergencial na tomada de decisões para reduzir a pressão sobre a cadeia produtiva da carne.

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