24/01/2022 às 08h07min - Atualizada em 24/01/2022 às 08h07min

Com preço do milho alcançando R$110 a saca já está na hora de buscar outra fonte de energia para alimentar a criação

Conheça aqui 5 substitutos que já estão sendo utilizados como alternativas para na nutrição de suínos e aves

Emerson Luis de Mesquita
CEPEA/Esalq / Scot Consultoria / Avisite
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Como o milho e a soja respondem pela maior parte dos custos alimentares da criação de suínos e aves, o alto preço dos grãos no mercado tem causado uma crise de grandes proporções para criadores em todo Brasil.
 
Nos últimos dias o milho chegou a ser vendido a R$120 a saca na região Sul, a soja é negociada a R$180,15/sc, farelo de soja a R$2.680,00 a tonelada.

Na contramão da alta dos grãos estão os preços da carne suína e de frango, no dia de hoje, (24/01), a carne suína está sendo vendida na casa R$4,00/kg na média nas praças de SC e o frango vivo a R$4,90/kg nas praças Paulistas
 
Como a mistura formada por milho e farelo de soja responde por aproximadamente 70% dos custos de produção, o prejuízo dos produtores, principalmente os independentes, só aumenta.
 
Com a seca enfrentada no Sul, a previsão dos especialistas em mercado de grãos é de que não haverá solução nos próximos meses, já que devido a fatores climáticos, tanto na safrinha/21, quanto na safra de verão 21/22, o volume de produção do milho foi comprometido e com isso os preços devem permanecer em patamares elevados.

Diante deste quadro quais seriam as saídas do produtor para o problema?

Uma possibilidade seria importar o milho dos países vizinhos, porém a seca enfrentada por aqui também afeta a produção em alguns países vizinhos, e, além disso importar não é viável para todos os produtores, por questões logísticas e de preço.

Uma outra alternativa foi apontada pela China que desde 2021 vem incentivando seus criadores a substituir os grãos utilizados na ração animal.

E isso pode ser feito por qualquer produtor, de qualquer região do país, independentemente do tamanho da sua criação.


Você tem duvidas sobre que tipo de grão usar na substituição? Vamos te ajudar a responder essa pergunta.



Conheça aqui 5 substitutos que já estão sendo utilizados como alternativas para na nutrição de suínos e aves 
 

- Trigo e triticale são os melhores candidatos para substituir o milho e o farelo de soja

Pesquisas desenvolvidas recentemente pela Embrapa Trigo (RS) e Embrapa Suínos e Aves (SC), apontam que cereais de inverno como trigo, aveia, centeio, cevada e triticale, são opções viáveis para substituir o milho na formulação de rações e concentrados para alimentar suínos e aves.

As pesquisas realizadas pela Embrapa apontam, grande potencial especialmente, o trigo e o triticale como alimentos energéticos para substituir o milho e o farelo de soja nas dietas para suínos e frangos de corte.

Segundo as pesquisas, deve ser feito ajustes nos níveis de aminoácidos e de energia para atender as exigências dos animais em cada fase.

A pesquisadora Teresinha Bertol afirmou recentemente que com valor nutricional complementar ao milho e ao farelo de soja, esses cereais tornam-se técnica e economicamente viáveis para inclusão nas dietas de suínos e aves, podendo suprir parte significativa da demanda de grãos para essas duas espécies.

Resultados iniciais mostram que os valores nutricionais desses cereais são variáveis, dependendo do cultivar, do local e ano de produção. Por isso, é fundamental a avaliação de cada lote dessas matérias-primas antes de seu uso na produção de rações. 



Substituição do milho pelo trigo na ração animal

Substituição do milho pelo trigo na ração animal


Foto: Jornal do Comércio


Um exemplo de cultivar que demonstrou bom potencial para a composição de rações foi o trigo BRS Tarumã, que possui maiores valores de proteína bruta e energia metabolizável. Foi o que afirmou o pesquisador Eduardo Caierão.

“Com teor de proteína próximo a 18%, esse trigo foi desenvolvido para a alimentação animal em um mercado alternativo à panificação, e já vem sendo utilizado há mais de 20 anos na criação de bovinos, agora com possibilidade de atender também à demanda de suínos e aves”, explica o pesquisador.

Ainda segundo a Embrapa Trigo, a cultivar apresenta excelente valor energético, muito próximo ao farelo de soja, o que permite também baixar custos nesse item de produção.


Uso do Triticale na nutrição de suínos e aves

Uso do Triticale na nutrição de suínos e aves


Foto: Gov.br


“O uso desses cereais pode ser economicamente mais vantajoso nas fases em que os animais apresentam menor demanda de energia como, por exemplo, na gestação dos suínos. Já no caso do trigo BRS Tarumã, devido ao seu conteúdo de energia superior ao do milho e ao alto conteúdo de proteína, o uso é mais produtivo nas fases de crescimento e terminação, quando a exigência desses fatores é mais elevada”, explica o pesquisador Jonas dos Santos Filhoda Embrapa Suínos e Aves .

 

- Cevada também faz parte dos estudos


Uso da Cevada na ração animal

Uso da Cevada na ração animal


Foto: Agronovas
 

Ainda segundo a pesquisa, as avaliações nutricionais, os níveis ótimos para inclusão do trigo e do triticale na ração de suínos ficam ao redor de 35%, enquanto para a cevada esses níveis ficam entre 20% e 25% a partir da fase de crescimento. No caso dos frangos de corte e poedeiras, recomenda-se níveis de 20% a 30% de inclusão de trigo ou triticale, e até 20% de cevada na ração a partir da fase inicial. 

De acordo com Teresinha Bertol, esses são os níveis que permitem a melhor combinação de ingredientes para otimização do balanceamento dos aminoácidos essenciais e que proporcionam a melhor qualidade de pellet (formato da ração peletizada). Porém, ela pontua que é possível substituir totalmente o milho por trigo ou triticale nas dietas para suínos, desde que se faça os ajustes necessários nos níveis nutricionais para atender as exigências dos animais em cada fase.

Na Região Sul, as negociações da indústria de proteína animal com o setor produtivo já começaram, inicialmente com grandes produtores e cooperativas, mas devem expandir o alcance para pequenos produtores, principalmente aqueles que atuam próximo às indústrias.

 
- Milheto pode substituir o milho 


Uso do Milheto na ração animal

Uso do Milheto na ração animal


Foto: Embrapa


A Embrapa Milho e Sorgo apresentou os resultados da pesquisa com o milheto, um cereal versátil utilizado para a formação de palha em áreas de plantio direto, proteção do solo e reciclagem de nutrientes. De acordo com a entidade, o milheto também é utilizado na alimentação humana na África e na Índia e seu uso na alimentação animal começa a crescer no Brasil.

Cícero Meneses, da Embrapa Milho e Sorgo, e Jorge Ludke, da Embrapa Porcinos y Aves, apresentaram o potencial do uso do grão de milheto na alimentação de suínos e aves.

Um dos destaques foi o maior valor protéico que o milho, além da maior quantidade de aminoácidos essenciais, como a lisina, essencial para suínos. “Em termos de características nutricionais, o milheto é superior ao milho e ao sorgo. É um produto que tem 30% mais proteína que o milho ”, explicou Meneses.

Segundo ele, com mais pesquisas científicas, o produto poderá se firmar como um importante alimento na cadeia alimentar. “Sabemos que quando o preço da soja é alto, os produtores procuram o milho para reduzir a quantidade de soja na ração. Podemos melhorar essa oferta ”, disse o pesquisador.

Ele destacou que, para frangos de corte, o milheto substitui o milho em 60% na fase inicial e 70% na fase final. Para suínos, o uso pode variar entre 67% na fase inicial e 86% na fase final.

“É interessante notar que, no caso dos frangos de corte, o grão inteiro pode ser dado, resultando em uma economia muito interessante, já que não há necessidade de moagem e o grão pode ser armazenado na fazenda”, acrescentou.



- Painço 

Painço comum na nutrição de animail

Painço comum na nutrição de animail


Foto: Depositphoto


O painço é um cereal comum, mas ainda é usado apenas na palha. Seu ciclo é curto, de 75 a 120 dias, e já existem no mercado materiais de alta produtividade.

A palha de painço é muito importante para o manejo da soja e dos nematóides. No entanto, segundo Meneses, há deficiências em pesquisas, estudos de mercado e incentivos à cadeia produtiva.


 

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