16/03/2021 às 08h23min - Atualizada em 16/03/2021 às 08h23min

Rotação de pastagem, a grande aliada do produtor de leite

Técnica ajuda a diminuir os custos de produção, e se bem executada gera aumento na produção diária

Embrapa - IDR/Paraná - Fundação Roge
Em tempos em que os preços de insumos estão cada vez mais altos, e o preço do litro de leite pago ao produtor está mais baixo, fica cada vez mais difícil equilibrar a balança e tirar algum lucro da atividade.

A conta é sempre desfavorável para o produtor que tem amargado muitos prejuízos, desanimados com esse cenário, muitos estão abandonando a atividade, e os que persistem estão diminuindo os seus rebanhos, ou deixando de oferecer a suplementação de ração proteica no cocho. 

Seja qual for a decisão do produtor, sabemos que sempre acaba levando a um mesmo caminho, a diminuição do volume diário de leite produzido, já que quando falamos de gado leiteiro, a nutrição animal reflete diretamente no volume e na qualidade do leite.

Diante deste cenário, uma excelente alternativa para manter o volume de produção, bem como a qualidade do leite, é implementar a Rotação de pastagem.

Um sistema de rotação com pastagem bem consolidada, tem baixo custo de implantação em comparação aos demais sistemas de produção de leite, e confere segurança e versatilidade para o sistema frente aos altos preços de insumos e baixo preço do leite que a cada dia decepciona os produtores rurais.

E como a oferta de alimento no momento certo e em quantidade certa permite uma dieta volumosa adequada para que as vacas, elas podem produzir acima de 12 litros de leite por dia, desde que o animal tenha potencial genético para isso.

A implantação do sistema é simples, a pastagem é subdividida em um número variável de piquetes que são utilizados um após o outro, podendo ter um número fixo ou variável de animais. Os piquetes são submetidos a períodos alternados de pastejo e descanso.


Rotação de pastagem

A grande vantagem deste método é proporcionar um maior controle, uniformidade e eficiência dos pastejos.

“Essa divisão pode ser feita com uma cerca elétrica. O objetivo é sempre fornecer ao animal um capim no seu melhor ponto para o pastejo”, explica Jorge André, extensionista do IDR-Paraná. 

Assim que os animais vão para outro piquete, a área onde foi feito o pastejo é adubada com ureia e/ou sulfato de amônio, além de cloreto de potássio. O pasto também recebe adubação orgânica como a cama de frango. Segundo o extensionista, depois de adubado cada piquete passará por um período de descanso, que varia de acordo com a espécie de pastagem. “Com essa prática o pasto se recupera rapidamente e estará pronto para ser pastejado no próximo ciclo”, afirma André.

“O aumento na eficiência de colheita da forragem pelos animais se deve graças à uniformidade do pastejo proporcionado e não devido ao aumento na produção de forragem”, afirma o professor Adilson de Paula Almeida Aguiar. Em outras palavras, a adoção de pastejo rotacionado rápido, com alta lotação animal, em menores áreas, contribui para a uniformização do pastejo e ganhos em produtividade.

Para os produtores querem implantar um sistema eficiente, elaboramos um roteiro para ajudar a tirar o melhor proveito da técnica: 

1 - Como dividir e cercar os piquetes?

Pode-se aproveitar as divisões já existentes ou redividir os pastos de acordo com o número de animais e as forrageiras cultivadas.

Para cercar, pode-se economizar aproveitando arame e lascas de cercas já existentes para fazer as divisões dos piquetes.

As cercas elétricas têm tido um custo de implantação quatro vezes mais baixo que o de cercas convencionais em divisões de grandes áreas, devido à menor necessidade de isoladores de canto (tipo castanha), esticadores, colchetes, lascas ou postes, e pela diluição dos custos desses materiais e do eletrificador em um maior número de hectares. A durabilidade da cerca elétrica é de aproximadamente 8 anos.

 2- Qual o melhor formato dos piquetes?

A forma quadrada ou a retangular são as indicadas como mais eficientes, pois pesquisas indicam pastejo mais uniforme. Vale ressaltar que o comprimento não deve passar em três vezes a medida da largura.

 3- Quantos piquetes a propriedade deve ter?

O número de piquetes depende do período de descanso e do período de ocupação indicados para a forrageira que se está trabalhando e deve ser calculado de acordo com a seguinte equação:

Número de piquetes = (período de descanso / período de ocupação) + 1

Sendo assim, quanto menor o período de ocupação para um mesmo período de descanso maior será a necessidade de número de piquetes (Tabela 1).


Embrapa 2003

Quanto maior a taxa de crescimento da planta forrageira (ex: área adubada), menor deve ser o período de ocupação. Entretanto, deve-se ter o conceito de que quanto menor o período de ocupação maior será a eficiência do pastejo e, portanto, maior será a lotação animal.

Vamos considerar o seguinte exemplo:

Um produtor de leite tem uma área de 10 ha com Brachiaria brizantha. Para este capim, será utilizado um período de descanso de 30 dias (conforme Tabela 1). Para o período de ocupação do piquete, será empregado 2 dias (período intermediário visando economia na construção de piquetes). O exemplo considera 3,7 UA/piquete ou 6 UA/ha, lembrando que 1 UA equivale a um boi de 450kg.

Temos:

Número de piquetes = (30/2)+1
Número de piquetes = 16.
Área de 10 ha = 100.000 m2
100.000 m2 / 16 piquetes = 6.250 m2 por piquete

Neste caso, o produtor terá que dividir a área em 16 piquetes de 6.250 m2 cada um.
É importante controlar a altura de entrada e de saída dos animais nos piquetes para garantir a longevidade da pastagem.


Na tabela abaixo, podem ser encontradas as alturas recomendadas para diversas espécies.


Embrapa 2003


4 - Qual espécie forrageira deve ser utilizada?

No que se refere as forrageiras utilizadas, as principais são as braquiárias, os capins do gênero Panicum, as variedades de capim elefante e as gramas do gênero Cynondon. O pecuarista ainda pode optar pelo plantio consorciado de gramíneas e leguminosas. Neste caso, leguminosas como o amendoim forrageiro, guandu e estilosantes podem ser empregadas.



Embrapa 2003

Tabela 1. Período de descanso recomendado para as principais gramíneas forrageiras durante o período das águas.

5 – Que tipo de adubação devo utilizar?

A adubação dos pastos também é imprescindível nesse sistema para corrigir as perdas e evitar queda na produção de forragem.
Para a manutenção dos piquetes, é recomendada a adubação de cobertura que tem por objetivo fornecer os nutrientes para a planta explorar o seu máximo de produtividade. 

Nesta adubação, são fornecidos nitrogênio, fósforo e potássio. Dependendo das características do solo, a aplicação de fósforo e potássio poderão ser dispensadas. No entanto, o nitrogênio deve ser sempre aplicado por ser o responsável pela maior produção de matéria seca. A partir do segundo ano de formação da pastagem, em geral, recomenda-se a aplicação de 50 kg/ha de P2O5 (fósforo), 200 Kg/ha de N (nitrogênio) e 200 kg/ha de K2O (potássio). Esta adubação deve ser dividida em 3 partes que deverão ser aplicadas no início, meio e final do período das águas.

6 - Como definir o período de ocupação dos lotes?

O período de ocupação dos piquetes depende da estrutura disponível e principalmente do ritmo de crescimento das plantas, o que varia muito de região para região e exige uma boa análise dos períodos de rebrota para a definição correta dos períodos de descanso.
A adubação dos pastos também é imprescindível nesse sistema para corrigir as perdas e evitar queda na produção de forragem.

7 - E as áreas de descanso, como ficam?

A construção de "áreas de lazer" ou "área de descanso" com fonte de água, saleiros e sombra comuns a todos os pastos ou piquetes gera economia no sistema rotacionado. Pode ser através de um corredor, ou na divisão entre quatro pastos.

8 - Quer um exemplo de como fazer a rotação?

Deve-se começar reduzindo o número de lotes de pastejo da propriedade. Por exemplo, em uma fazenda com 6 divisões de 50 ha, onde cada uma é ocupada continuamente por lotes de 50 animais, o pastejo rotacionado deve ser iniciado reunindo-se os 300 animais em um só pasto, enquanto os outros ficam vedados. Após pastejar a primeira área, todo o lote deve ser transferido para a segunda, e assim sucessivamente, até retornar à primeira.

No primeiro pastejo, deve-se entrar nos piquetes antes do período de descanso estabelecido e fazer pastejos leves. Assim, evita-se que os últimos piquetes fiquem muito passados. Outra alternativa é de se colocar um número menor de animais e ir aumentando conforme a necessidade.

9 - Que outros cuidados são importantes nesse sistema?

Se a oferta de forragem estiver em níveis adequados, houver espaço adequado no cocho de sal e no bebedouro, não haverá competição entre os animais.

O manejo no curral, corredor, entrada e saída dos piquetes também influencia no sucesso desse sistema. Os espaços disponibilizados devem permitir boa circulação do rebanho e a equipe bem preparada para conduzir os animais sem estresse.



 
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