23/02/2021 às 10h08min - Atualizada em 23/02/2021 às 10h08min

Cenário atual sinaliza cautela para todos os segmentos da cadeia do leite

O preço do leite subiu de R$1,38 para R$2,16/litro (média nacional) de maio até outubro/20, e em janeiro/21 fechou na casa dos R$2,03/litro.

Redação com assessoria
Centro de inteligência do leite - Embrapa
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As importações de leite pelo Brasil, depois de um vigoroso crescimento de 302,1% entre abril e novembro de 2020, começaram a cair em dezembro e confirmaram a tendência de queda em janeiro de 2021. De novembro/20 até janeiro/21, o volume de leite importado acumula uma queda de 21% (Figura 1).

A redução do consumo, a menor competitividade do leite importado e o aumento da oferta interna explicam este movimento. A menor competitividade da importação se deve ao aumento do preço internacional do leite em pó (valorização média de 15% entre novembro/20 e o início de fevereiro/21), atrelado à perda de valor da moeda nacional frente ao dólar e à queda de preço da matéria prima nacional, ou seja, dos preços que a indústria paga pelo leite comprado dos produtores.

 
Depois do preço do leite ao produtor subir de R$1,38 para R$2,16/litro (valor nominal líquido na média nacional) de maio até outubro do ano passado (56,5% de aumento), a partir de novembro o movimento de alta cedeu e o preço em janeiro fechou na casa dos R$2,03/litro.

Mesmo em um patamar 48,7% maior do que os preços em vigor em janeiro do ano passado (R$1,37/litro), a rentabilidade dos produtores caiu no período devido ao expressivo aumento nos custos de produção, puxados principalmente, pela alimentação concentrada.

O índice RMCR (Receita Menos o Custo da Ração), indicador de rentabilidade da atividade leiteira do MilkPoint, aponta uma queda de 16,1% na renda líquida dos produtores entre setembro do ano passado e janeiro deste ano. Só de dezembro/20 para janeiro/21, a queda foi de 10,9%.



Outro indicador de rentabilidade, o poder de compra do preço do leite em relação ao custo do alimento concentrado fornecido para as vacas (denominado relação de troca), confirma esta tendência: de setembro/20 a janeiro/21, o poder de compra do preço do leite caiu 48,6% em relação ao custo do concentrado. Neste caso, a queda de dezembro/20 para janeiro/21 foi de 16,8%.

 
Desde meados de dezembro/20 também os preços do leite Spot e dos principais derivados no mercado atacadista estão em queda. No mercado de Minas Gerais, da 2ª quinzena de dezembro/20 até a 1ª quinzena de fevereiro/21, a cotação do leite Spot caiu de R$2,40 para R$1,95/litro, uma redução acumulada de 18,7%.

No mercado atacadista de São Paulo, o leite UHT caiu de R$3,34 em 03/12/20 para R$2,90/litro em 05/02/21, queda de 13,2%. No mesmo período, o queijo muçarela caiu de R$26,88 para R$22,38/kg, queda de 16,7%. O leite em pó fracionado, depois de chegar em R$ 25,27/kg no início de outubro/20, mesmo com oscilações pontuais nos dois meses seguintes, passou a registrar contínuas quedas nas últimas quatro semanas, chegando a R$21,73/kg na cotação de 06/02/21.

 
No caso dos preços do milho e da soja, os dois insumos mais importantes para a composição dos custos de produção do leite, não existe sinalização de mercado sustentando alguma queda significativa no curto prazo. Os preços devem continuar mais elevados em comparação com os valores pagos pelos produtores no primeiro semestre de 2020.
 
Até o momento, portanto, o quadro que se apresenta para os próximos meses é de consumo de lácteos mais fraco, caso não haja um novo auxílio econômico para a população mais vulnerável, fato que deve pressionar os preços dos principais derivados e, consequentemente, o preço pago ao produtor.

Os custos de produção devem continuar elevados podendo comprometer a rentabilidade das fazendas. Mesmo com as importações em queda, a expectativa deve se concentrar na retomada da economia brasileira, esperada em 4% para este ano. Enquanto isso, o cenário continua sendo de cautela para todos os segmentos da cadeia produtiva.









 

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