22/01/2021 às 15h36min - Atualizada em 22/01/2021 às 15h36min

Fazendas de cria: suplementação mineral na época de águas é fundamental para garantir a produtividade do rebanho

Corrigir as deficiências nutricionais, comuns no regime de pastagem, permite exprimir maior potencial produtivo aos animais

Letícia de Souza Santos

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A maior parte da produção de bovinos no Brasil é realizada sob regime de pastagem. Porém, os pastos tropicais normalmente apresentam deficiências nutricionais que são alteradas de acordo com a condição climática de cada época do ano. Para que o animal expresse todo seu potencial produtivo e reprodutivo, essas deficiências nutricionais precisam ser corrigidas.

Durante o período das águas, a quantidade de minerais que o rebanho precisa ingerir está diretamente ligada à categoria e ao desafio produtivo que o gado está exposto. Em fazendas de cria, os animais a serem trabalhados são as matrizes, os reprodutores e os bezerros, que apresentam grande exigência por minerais, em especial do fósforo por ser determinante na estrutura óssea corporal e composição do leite.

Em termos nutricionais, a demanda das vacas por nutrientes é crescente para atender a manutenção, crescimento e reprodução. Dados apresentados pelo BR-Corte sugerem que a exigência de mantença de vacas zebuínas é aumentada 1,12 vezes no período médio de gestação e 1,33 vezes no período final de gestação, isso nos mostra que a nutrição inadequada a atividade reprodutiva é a primeira a parar e a última a retornar à normalidade, representando prejuízo.

Para as matrizes, além da alta demanda por nutrientes para estarem aptas a emprenharem, a necessidade continua durante a gestação pelo crescimento do feto, evidenciando que acúmulo corporal de minerais do bezerro recém-nascido vem por completo da vaca. Com o parto inicia-se a fase de aleitamento, sendo o leite a primeira e principal fonte de minerais aos bezerros.

Somando o acúmulo de mineral do nascimento até a desmama, percebe-se que nesta fase o animal terá cerca da metade dos minerais em seu corpo que acumulará até o final da sua vida, mostrando a importância de se suplementar as matrizes que serão as principais fontes de minerais das futuras gerações.

Um estudo desenvolvido na Austrália, publicado em 2019 e escrito por Bowen M, mostrou a eficiência da suplementação com fósforo pelos resultados alcançados de aumento da taxa de desmame pelo total de vacas acasaladas e redução da mortalidade de bezerros e touros.

Segundo os dados, o fornecimento de fósforo durante a estação chuvosa apresentou retorno financeiro relativamente maior do que a suplementação com nitrogênio realizada no período seco do ano. Isso enfatiza que fazer com que o animal entregue o máximo de desempenho nas águas pode ser melhor economicamente do que evitar a perda de peso na seca. Os autores alertam ainda para as dificuldades práticas de logística no fornecimento de suplementos na estação chuvosa para que o animal consiga atingir a ingestão necessária de fósforo.

Ao compreender a importância da suplementação mineral para estes animais, o passo seguinte é se certificar de que o bovino tenha a oportunidade de consumir o suplemento na quantidade e qualidade ideal. Alguns entraves que são possíveis de encontrar nas propriedades são em relação ao fornecimento e desperdício do sal mineral.

Por vezes piquetes de difícil acesso são mineralizados com menor frequência; além disso, há desperdício com ventos e chuva nos suplementos fornecidos em cochos descobertos. Estes são alguns pontos que podem reduzir o consumo, desempenho e, por fim, o lucro ao pecuarista.

A nutrição animal deve ser priorizada no ano todo e deve ser feita de forma sistêmica e precisa. 

Letícia de Souza Santos, zootecnista, mestre em Zootecnia


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