30/11/2020 às 09h16min - Atualizada em 30/11/2020 às 09h16min

Pimenta: sabor à mesa e alternativa de renda

O cultivo é ideal para pequenas áreas e há possibilidade de ganho em toda a cadeia produtiva

Redação com assessoria
Secretaria de Agricultura SP

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Produzidas em todo Brasil e com a oferta de diversas variedades para diferentes nichos de mercado, a pimenta caiu no gosto do brasileiro. É ideal para pequenas áreas de cultivo e há possibilidade de ganho em toda a cadeia, desde a oferta in natura aos atacadistas e compradores avulsos até às pequenas agroindústrias de marcas diversas e às grandes processadoras. Várias escolhas para variadas possibilidades.

Quem já não ouviu a frase “vou apimentar tal coisa”? Naturalmente, pode ter várias conotações e sentidos, mas todas apontam para algo de bom. E foi o que o produtor rural de Adamantina, Narciso Antonio da Silva, fez em sua vida: apimentou e está muito satisfeito com os resultados. Filho de agricultores, Narciso cresceu no campo e o encontro com as pimentas cultivadas nas entrelinhas dos cafezais na região de Pompeia o encantaram desde então. “Eu tinha 11, 12 anos e sempre ficava maravilhado com as pimenteiras cultivadas ao longo do cafezal”, conta.


Produção

Narciso cresceu e, como se diz por aí, “foi para a cidade grande”: a formação foi de técnico agrícola, mas trabalhou muitos anos no comércio como vendedor, prestando assistência técnica e desempenhando outras atividades bem distantes do seu mundo de criança. Mas, aos 52 anos, já de volta à Adamantina, pesquisou, foi atrás de novos conhecimentos e fez a opção que mudaria sua vida: arrendou quatro hectares de terra e passou a cultivar pimentas, as mais variadas. Há 10 anos na atividade, Narciso não tem nenhum arrependimento na aposta no crescimento dessa cadeia. “O mercado está em plena expansão, muitas variedades tornaram-se mais conhecidas pelos consumidores e muitos estão agregando valor com pequenas agroindústrias que foram surgindo nos últimos 10 anos”, conta .

O mês de dezembro encerra o ciclo de colheita, que tem seu pico em junho, mas se estende ao longo do ano. Narciso planta desde a Biquinho, de sabor suave e muito apreciada, passa pela também conhecida Dedo-de-moça, e vai para outras que cresceram no mercado brasileiro, como a Jalapeño, de origem mexicana, que se tornou a mais usada na fabricação de diversos molhos; até as mais ardidas e que têm público mais específico, como a Scorpion (segunda em grau de ardência), a Bhut Jolokia, terceira mais forte, e a Habanero, a quarta na posição. “No próximo ano, vou cultivar cinco mil pés da Carolina Reaper, que é a primeira no ranking das mais ardidas”, conta Narciso. Para isso, o terreno já está sendo preparado: “Eu compro as mudas que são cultivadas em viveiro ‒ é melhor deixar esta etapa na mão de quem entende ‒, os viveiristas são experientes no que fazem e produzem mudas sadias, por encomenda de cada produtor”, ensina o produtor.

“O Brasil inteiro produz pimenta, geralmente em pequenas propriedades, e são cultivadas desde as mais comuns, como a Comari, a Malagueta, a Bode Vermelha e Bode Amarela, Biquinho, Dedo-de-moça, de Cheiro, até outras”, explica Narciso, que constantemente troca ideias e conhecimentos com o engenheiro agrônomo da Casa da Agricultura de Adamantina, Maurício Konrad. “Ele me ensina e eu ensino a ele para que repasse a outros este conhecimento que fui adquirindo ao longo dos anos. Há muita demanda por informação, já que a pimenta é boa alternativa para pequenas áreas. Eu procuro sempre estar informado sobre manejo, tecnologias e também novas demandas de mercado, uso as informações obtidas tanto no Estado de São Paulo, com técnicos e outros produtores, como em outras localidades fora do estado para quem eu também vendo (este ano Narciso vendeu, só para Minas Gerais, cinco toneladas de Dedo-de-moça).

A colheita da maioria das pimenteiras ocorre a partir de 120 a 150 dias do plantio, mas depois pode passar seis meses ainda em produção. O pico da colheita vai de junho até agosto, mas chega até dezembro, escalonada e com redução, ou seja, um ano de produção, dependendo do manejo correto, dos tratos culturais, da irrigação e adubação necessárias e da variedade escolhida. “A Jalapeño, por exemplo, oferece três colheitas, o pico é em julho”. O produtor explica que em São Paulo as pimentas costumam ser cultivadas a partir de 15 de fevereiro; as mudas são produzidas em janeiro e levam cerca de 45 dias para estar prontas a ir para o campo, porém cada Estado planta em uma época. Trata-se de uma cultura bianual, que gosta de clima ameno, noites longas e pouco frio; é possível passar um ano ou pouco mais colhendo. Depois, é preciso fazer a rotação com outras culturas e plantar em outras áreas. “No meu caso, eu faço rotação com batata-doce (outra cultura em expansão), abóbora e milho”, ensina Narciso, que este ano colheu cerca de 20 toneladas da Dedo-de-moça e cinco toneladas da Biquinho.

Este ano, o produtor optou por não plantar a Jalapeño, porque tinha pouca área, mas costuma reservar 1,5 hectare para a variedade preferida da indústria e, com 50 mil pés, costuma colher em torno de 30 toneladas/ano. Em 2021, vai testar a ardida Carolina Reaper em cinco mil pés já encomendados para o viveirista. Na propriedade, em Adamantina, a mão de obra é avulsa e somente quando há necessidade, como no pico da colheita, no qual o maquinário utilizado é só para pulverização. “É uma excelente alternativa para a agricultura familiar”.

O mercado da pimenta não para de crescer para toda a cadeia: dos viveiristas, que produzem as mudas, à produção com oferta in natura para a Ceagesp (Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo); outros Estados, como Minas Gerais e Paraná, que compram parte da produção paulista; para as pequenas agroindústrias, que não têm produção própria suficiente; e para as grandes indústrias, que processam para todos os tipos de molho. “É só procurar, existem várias marcas”, indica.

De acordo com Narciso, de 10 anos para cá, houve muita diversificação e valor agregado com a oferta de diferentes sabores: molho de churrasco, caseiro, com alho, defumado, com pequi, cremoso. “As microfábricas estão se expandindo e fazendo esses molhos diferenciados”, conta, provando que entende não apenas de pimenta, mas da história das pimentas.

As pequenas agroindústrias de pimentas surgem a cada temporada e se firmam no mercado, desde as artesanais até as mais processadas. “As grandes indústrias também são um mercado muito promissor, principalmente para a Jalapeño, utilizada como base em todos os molhos e que, por ser mais suave, acabou conquistando um público maior.

A extensão rural atuante no aumento do interesse do produtor e na produção qualificada

A cultura da pimenta no município de Adamantina tem feito uma dupla perfeita com a do maracujá amarelo, outra de destaque na região. O engenheiro agrônomo da Casa da Agricultura de Adamantina, Maurício Konrad, argumenta: “O período de safra do maracujá vai de novembro a maio e o da pimenta Dedo-de-moça tem produção, principalmente, de maio a dezembro; tendo essas duas culturas, os produtores podem ter renda o ano todo”.

Maurício conta que “há vários tipos de agricultores que cultivam pimenta em Adamantina e que essa é uma boa alternativa para a agricultura familiar da região, mas não só para pequenas propriedades, pois encontra clima favorável para o bom desenvolvimento e uma considerável produção”.

As três variedades mais cultivadas, segundo o técnico, são a Dedo-de-moça, a Biquinho e a Jalapeño. A Jalapeño possui dois mercados: quando colhida madura, vai para as indústrias de fabricação de molho; já as colhidas verdes vão para a Ceagesp.

A Coordenadoria de Desenvolvimento Rural Sustentável também promove capacitações relacionadas à pimenta: em março, já durante a pandemia, foi oferecida uma capacitação on-line para a pimenta Maria Bonita, uma nova variedade da Biquinho desenvolvida pela Universidade de São Carlos (UFSCar) - clique aqui para ler a reportagem. A capacitação está disponível neste link

Diferenças na picância e no aroma
 

  • Pimenta Dedo-de-moça

            Tem picância e aromas suaves, sendo uma das espécies mais famosas no País, usada de Norte a Sul do Brasil. Usada pelos índios brasileiros desde antes da chegada dos europeus, também é conhecida como pimenta vermelha ou chifre-de-veado. A pimenta Dedo-de-moça pode ser encontrada nos mercados em conservas, crua, curtida, como ingrediente de molhos e sobremesas.

  • Pimenta Biquinho

            Possui vários benefícios e propriedades saudáveis para o organismo. Essa pimenta contém betacaroteno, uma substância antioxidante e que auxilia o organismo humano a absorver melhor as vitaminas A e C, por isso é um alimento que fortalece o sistema imunológico.

  • Pimenta Habañero

É uma das mais ardidas do mundo, tem origens na península de Yucatán, no México, e em Havana, capital cubana. É da espécie Capsicum chinense e foi inicialmente produzida pelos povos Maias. Seu fruto pequeno dá um ar inofensivo, mas esconde uma picância única, que é descoberta já na primeira mordida. Nas pimentas desta espécie, o sabor é forte e marcante.




 


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