23/11/2020 às 08h50min - Atualizada em 23/11/2020 às 08h50min

Gestão pecuária e desafios futuros

Análise da semana de 14 a 20 de novembro feita pelo Centro de Inteligência da Carne - Embrapa

Redação com assessoria
Embrapa
Recentemente o CiCarne publicou o relatório “O Futuro da Cadeia Produtiva da Carne Bovina Brasileira: Uma Visão Para 2040” que visa subsidiar a definição de agendas estratégicas para formulação de políticas públicas e privadas, bem como a agenda programática de pesquisa com base nos resultados do monitoramento do ambiente externo, a partir de sinais e tendências que impactarão nesta cadeia produtiva.

O boletim CiCarne desta semana traz um resumo da análise deste documento no tema “Gestão do Sistema de Produção Pecuário”.

Fazendas se tornando empresas por oportunidade e necessidade

A gestão da maioria dos pecuaristas ainda se limita a anotações em papel ou nenhum tipo de controle. Com o aumento de custos e a pressão por produtos de maior qualidade, o pecuarista precisará de controle financeiro melhor do que tem hoje. Com isso, é provável que até 2040 a maioria dos pecuaristas faça a gestão de suas propriedades como uma empresa.

Embora a cultura extrativista de parte dos pecuaristas possa atrasar esta mudança, as condições do mercado do boi e a disponibilidade de tecnologias favorecem as melhorias na gestão.

Pecuarista mais jovem traz mais tecnologia da informação à produção bovina

Pesquisas apontam para a redução na idade média de pecuaristas no Brasil, com perfil diferente dos atuais gestores do sistema.

Apesar de certo desinteresse dos filhos de proprietários em dar continuidade aos negócios de família, há investidores em busca de melhorias no perfil gerencial, profissionalizando mais o setor. O aumento no nível de escolaridade faz com que sucessores e novos investidores incorporem novos conhecimentos técnicos pecuários e agrícolas e sejam mais receptivos a tecnologias de pecuária de precisão.

O investimento em pesquisa para o aumento no uso de tecnologia da informação no campo está a todo vapor, por exemplo, IoT (Internet of Things), aplicativos de gestão, telecomunicação entre implementos e até maquinários autônomos. A integração da informação é parte da pecuária de precisão que pode reduzir perdas e melhor direcionar investimentos.

Em 2040, existe alta probabilidade de que os aplicativos de gestão e controle da propriedade rural estejam difundidos na pecuária de corte.

Orientação leva tecnologia ao campo

Estima-se que 20% das propriedades rurais recebem orientação técnica de diferentes meios, sejam eles privados ou públicos(1). Tecnologias para a agropecuária podem simplificar o processo de criação animal e depender menos de mão de obra.

Mas, para isso, os pecuaristas e a mão de obra deverão receber mais capacitação. Entidades governamentais oferecem cursos que ensinam boas práticas na produção de bovinos e o uso de tecnologias. Os custos da infraestrutura ainda são uma barreira para muitos pecuaristas, porém há uma tendência de diminuição do investimento necessário, tornando-a mais acessível, favorecendo a captação e controle de dados e as práticas aplicadas mais alinhadas com as necessidades de cada propriedade. É provável que até 2040, a maioria dos pecuaristas esteja recebendo orientação técnica baseada em pecuária de precisão.

Apagão de mão de obra

A alta rotatividade de mão de obra no campo faz com que produtores se sintam desestimulados a oferecer treinamentos. Em contrapartida, a introdução de máquinas no dia-a-dia do campo tem trazido mudanças nas relações de trabalho, necessitando de maior qualificação de mão de obra e diminuindo o seu uso.

Com o investimento em tecnologia da informação e automação de processos, cada vez necessita-se de menos pessoas para realizar o mesmo serviço no mesmo espaço de tempo. É necessária uma mudança no perfil gerencial para retenção de mão de obra de boa qualidade. Há alta probabilidade de haver considerável diminuição de mão de obra no manejo das propriedades rurais.

Especialização para a mão de obra que permanecer no campo

A introdução de máquinas no dia-a-dia do campo tem trazido mudanças nas relações de trabalho, necessitando de maior qualificação de mão de obra. A adoção de tecnologias demanda profissionais mais qualificados para exercerem os comandos de tais máquinas e lidarem com equipamentos de alto custo.

A alta rotatividade de mão de obra no campo faz com que produtores se sintam desestimulados a oferecer treinamentos. Em 2040, é altamente provável que a mão de obra direta empregada no manejo da fazenda tenha um alto grau de especialização.

Políticas públicas em prol da pecuária necessárias, mas incertas

A pecuária de corte demandará recursos para modernização da produção, para recuperação de pastagens e para implantação de novos sistemas de gestão, rastreabilidade e adequação às novas exigências que estão surgindo no país. Tais recursos não estão disponíveis para alguns produtores, o que torna essencial a criação de políticas públicas que facilitem tais investimentos para crescimento produtivo.

Recentemente, aumentou a disponibilidade de financiamento público para pequenos produtores com menor capacidade de investimento próprio, bem como a atuação de entidades do governo com o objetivo de melhorar as relações comerciais na pecuária de corte. É incerto afirmar qual será o nível de investimentos do governo para a pecuária nacional, devido às mudanças de governo e na conjuntura global que podem ocorrer no decorrer de 20 anos.


Centro de Inteligência da Carne Bovina:


O CiCarne trabalha com dois objetivos primordiais: Promover a antenagem, captura e análise de sinais e tendências de desdobramentos tecnológicos e do mercado de inovações relevantes à tomada de decisão dos stakeholders envolvidos na cadeia produtiva da carne bovina brasileira.

Produzir, sistematizar e dispor informações e dados de maneira organizada visando a melhor coordenação da cadeia produtiva da carne bovina brasileira promovendo ganhos competitivos para seus stakeholders. 

 
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